The Real L Word – Considerações Iniciais – Parte 2.2

Continuando com as quatro únicas críticas que lésbicas fazem a The Real L Word…

Falta de Diversidade

Se você gosta de Drinking Games, eu conheço um que vai te deixar em coma alcoólico:

Vá no After Ellen, comece a ler os comentários e para cada reclamação sobre a  falta de diversidade, tome um gole.  Se quiser pode ainda dividir em categorias, indo do mais comum para o menos:

-Falta de Negras: 1 gole;

-Falta de Japas Asiáticas: 2 goles

-Falta de Bissexuais: 3 goles;

-Falta de Butches: 4 goles;

Coma alcoólico na certa com o tanto de reclamações que você vai encontrar!

Não basta hoje em dia uma persongem/pessoa representar só uma minoria. Ela precisa representar pelo menos 6. Temos que ter a representante das lésbicas-negras-islâmicas-com-piercing-na-ponta-da-orelha-esquerda, temos que ter a representante das lésbicas-asiáticas-com-só-um-olho-com-dobrinhinha-artistas-de-cabelo-curto e das lésbicas-com-gosto-duvidoso-para-corte-de-cabelo-parecidas-com-o-Justin-Fucking-Bieber.

God, como eu odeio esse tipo de coisa! E não é como se o elenco inteiro de TRLW fosse só lésbicas-magérrimas-brancas-femininas.

Mikey e Whitney não entram no meu conceito de 100% feminina. Na minha divisão por aparência, elas entrariam na categoria Meio-Termo.

Tracy (não escolhi uma boa foto dela, não é?) e Rose não entram também no conceito de brancas (lembrando que são padrões americanos). Rose é mais latina do que qualquer brasileira e Tracy é meio porto-riquenha e meio judia (ok, só americanos se importam com quem é ou não judeu).

Ok…ok… Não são negras nem butches clássicas, mas elas estão no show por serem lésbicas! Não deveria importar mais nada. Cada série já tem um nicho mais forte de minorias: Grey’s Antomy tem negros, Dexter tem latinos e por aí vai. The Real L Word (e considere TLW também) tem lésbicas. Ponto.

E o mais próximo que eu concordo de reclamações de falta de diversidade é sobre falta de bissexuais. Mas convenhamos…

Se a bissexual for solteira e ficar com vários homens e mulheres, na TV isso apareceria como a bi-promíscua, o que seria um desserviço. Se ela estiver num relacionamento firme com uma mulher, vai ser como outra lésbica qualquer (alguém lembra que a Alice e a Tina são bissexuais?). Se estiver num relacionamento com um homem… bem… sendo sincera, quem vê TRLW está vendo pelos relacionamentos mulher-mulher. Se quiser ver relacionamento hetero, veja The Real Housewives.

"Eu te amo. O que temos para o jantar?"

Ilene Chaiken

Toquei na ferida, não? Só de lembrar o nome “dessa mulher” muitas lésbicas começam a passar mal de tanto ódio. Ela matou a Dana, matou a Jenny, matou cachorrinhos inocentes e fez uma temporada final de The L Word da qual 5% das lésbicas do mundo não gostam e as outras 95% odeiam com todos os átomos das suas existências). E agora é “essa mulher” a produtora de The Real L Word.

Minha cabeça provavelmente será caçada depois desse post, mas eu preciso falar. TODAS as lésbicas do mundo devem a Ilene Chaiken.

Sem ela para início de conversa não existiria Shane e Bette. Vocês conseguem se imaginar num mundo sem Shane e sem Bette? Eu não. Ninguém saberia quem é Katherine Moennig, e Jennifer Beals seria eternamente a mulher da dança na cadeira com balde de água caindo.

Ilene Chaiken simplesmente criou um seriado inteiro sobre lésbicas. Antes de The L Word, lésbicas na mídia ou eram representadas de maneira caricata ou com papéis secundários. E claro, morriam no final (ok, não que The L Word não tenha terminado com lésbicas morrendo, mas a maioria sobreviveu, yes!).

The L Word poderia ter sido melhor? Poderia. As últimas 2 temporadas poderiam ter sido dignas? Poderiam. Alguma outra lésbica poderia ter escrito outro seriado lésbico e colocado no mainstream da mídia americana? Uhm… Talvez poderia.

Mas quem que fez? Quem teve culhões e colocou a cara a tapa? Foi Ilene Chaiken. Graças a ela nós deixamos de ser representadas como gordas-feias-pobres-masculinas-grosseiras e passamos a ser lindas-poderosas-bem-sucedidas-sexys-blablabla. E graças a ela, por exemplo, eu vi pela primeira vez duas mulheres se beijando!

Conclusão

O que eu queria com esses posts (sim, eu tinha um objetivo!) era provar que não há motivos para não assistir The Real L Word. Nem que você assista só para poder falar mal depois.  Nem que você assista para ficar babando pela Tracy.

É tão raro termos esse tipo de abertura (cof) na mídia, ainda mais no Brasil, em que um simples beijo gay na TV ainda é um tabu, que é quase uma obrigação assistir!

[insira aqui também um discurso inteligente e longo sobre visibilidade lésbica que eu estou com preguiça de fazer]

///\///\///\///\///\///\///\///\///\///\///\///\///\

Not-off-topic…

Compartilhe com a irmandade!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter
Pin on Pinterest
Pinterest
Share on Tumblr
Tumblr
Share on Google+
Google+
Email this to someone
email
Esta entrada foi publicada em Mídia e marcada com a tag , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

7 respostas para The Real L Word – Considerações Iniciais – Parte 2.2

  1. Y disse:

    Ri horrores com esse post!
    Hmmm Drinking Games são um perigo ;x
    Gostei da sua ideia, vou assistir pra babar pela Tracy ;] hahaha
    Brincadeiras a parte, concordo com você, mudou totalmente a representação…
    Ilene o/
    (não largue os estudos, fofa hihihi)
    Beijos

  2. Dani disse:

    Vc fez eu me lembrar do dia em q vi pela 1 vez a chamada de the l word. Há tempos não via televisão (tava cheia de leis para ler na época); bem, estava eu na academia, fazendo esteira e vi a chamada no warner … uau tomei um estabaco no chão e ainda tive q mentir o motivo da minha magnifica queda …. vamos ver esse ‘real’ se vai ser bom, que sabe ou não?

  3. Jac disse:

    Terminei de ver o primeiro episódio agora. Achei… divertido ahahaha Por esses dias eu posto a review!

  4. Dani disse:

    Baixou onde ?

  5. Luisa disse:

    Eu estou dentro das 95%, mas você está certa, realmente devemos a Ilene! Lembrei da primeira vez que eu baixei um episodio de tlw e assisti escondida, pensando a mesma coisa: OMG, OMG, OMG. duas mulheres se beijando! aehiuaheiaheaehiuahe. *-* .. devemos a ela sim! 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *