Transexuais

Olá, amigas da Dorothy, se lembram que eu havia dito que escreveria um post sobre transexuais? Então, ele chegou, mas estava com muita preguiça e preferi fazer uma entrevista com uma amiga trans.

Bruna Imai Hartmann decidiu que iria bater o recorde de minorias a que faz parte é transexual e lésbica (além de bi-racial). Se você se perdeu um pouco, eu explico mais claramente: ela nasceu biologicamente como um homem, mas se percebe como uma mulher (transexual). Mas a diferença de outros transexuais MTF (male to female) é que ela gosta de… mulheres (não a culpo).

Bruna

Flexões: Fato é que você não é uma pessoa comum. A impressão que se tem é que não existem transexuais-homossexuais, ou existem casos longe da nossa realidade (leia-se só nos USA). Esses casos realmente são raros ou você já conheceu várias pessoas trans-homo?

Bruna: É, tenho que concordar, sou incomum, mas isso não quer dizer que isso seja uma boa coisa, afinal, quanto maior a complexidade em alguém, maior o preconceito ou admiração que a segue. Sobre pessoas trans homo, sim, elas existem, e apesar de raras, elas não são poucas. Conheço mais duas aqui em Curitiba que se assumem como tal, e outra de Ponta Grossa que é bi, fora as dezenas de conhecidas em redes sociais e aquelas que ainda nem descobriram que são homossexuais. Mas pra conseguir ter uma compreensão melhor sobre isso é preciso seguir uma sequência lógica:

"Tell me about it."

A transexualidade ainda é um tabu gigante. Só agora, depois da Ariadna, esse tema vem ganhando mais espaço e compreensão, mas os exemplos de pessoas assim ainda são poucos, e você só se descobre alguma coisa seguindo exemplos. Portanto, se já é difícil pra alguém entender que é transexual com as pouquíssimas referencias não deturpadas que a mídia nos oferece, imagine alguém conseguir entender que é transexual e ainda é homo.

Buck Angel (FTM) e Allanah Starr (MTF)

Inutilidade pública: Se você tem curiosidade de ver uma mulher-com-pênis fazendo sexo com um homem-com-vagina, clique aqui (é pornozão mesmo, tô avisando).

Mas para transexuais femininas as coisas são mais fáceis. Tanto é que apesar de eu saber da existência e possibilidade de transexuais masculinos gays, eu nunca conheci nenhum. Mas ai também é outra história complicada, pois a falta de exemplos palpáveis são ainda mais escassos. Geralmente transexuais masculinos se descobrem como tal depois de muito viverem e se afirmarem como lésbicas masculinas, e ainda assim porque convivem no mundo LGBT.

E um trans masculino gay? Parte-se do pressuposto de que ele é antes de tudo “uma menina hetero”, mas que apesar de gostar de homens não se sente uma menina, e sim um menino, e que provavelmente não vai ter contato com o mundo LGBT. Então como essa pessoa vai descobrir que é trans se não encontra um correspondente midiático e não tem contato com quem (imagina-se) poderia lhe entender melhor e dar uma ajudinha.

Meio complexo, não?

"Ehm... volta para aquela parte que você começou a falar de transexuais."

Flexões: Um pensamento que muita gente deve ter quando conhece você é “mas por que você não continuou como homem já que no final você gosta de mulheres e mantendo, assim, seu privilegio de homem, hetero e branco“. Como você responde a esse pensamento?

Bruna: Realmente muitas pessoas me fazem essa pergunta, não especificando o fato de eu poder ter sido o “supra-sumo” social – hetero/branco (até porque provavelmente elas não têm nem essa noção sexista/racista), mas em um sentido sexual mesmo (não seria mais fácil você “pegar” mulher se continuasse sendo homem?).

E eu entendo que pode ser difícil mesmo compreender a situação, isso porque todos cresceram permeados por valores heteronormativos, e tudo que destoe do padrão binário homem + mulher já parece anormal e errado, imagina agora bagunçar a cabecinha da galera mostrando uma pessoa que deseja “muda de sexo” pra ficar com alguém do mesmo sexo que pleiteia, parece ilógico mesmo.

Modelo Lea T. - Trans MTF

Para saber mais sobre Lea T: clique aqui.

Mas como foi muito bem colocado por você no post sobre conceitos, orientação sexual é uma coisa e identidade de gênero é outra totalmente distinta, e é a partir desse ponto que o iceberg tem que começar a ser analisado, não por uma visão delimitada em caixinhas, mas por um prisma onde toda a diversidade humana é polarizada e entendida em seus vários espectros individuais.

Flexões: Você sofre preconceito no meio lésbico por ser trans? E no meio transexual por ser lésbica?

Bruna: Obviamente.
Os dois são em geral, ignorantes na mesma proporção quanto a possibilidade de uma transexual homossexual, mas posso dizer que o meio lésbico é o que menos entende a questão de identidade de gênero e é o mais receoso a tudo que possa remeter ao sexo masculino, sendo assim o menos sensibilizado e o mais provável dentre os dois pra que possa ocorrer algum tipo preconceito. Pra se ter uma ideia, já ouvi uma menina dizendo que eu era só um cara que resolveu se vestir de mulher pra ver se conseguia realizar o fetiche de ficar com uma lésbica (rsrs).

Já com as trans a única coisa que eu causo é espanto por namorar uma menina linda, cheirosinha e delicada ao invés de um macho suado e fedido de pele áspera.

</fazendo média com a namorada em blogs alheios>

E apesar de você não ter perguntado, o meio hetero é o campeão de incidências preconceituosas. Imagine que as meninas não falam comigo por medo de que eu dê em cima delas justamente por saberem que sou lésbica, e os meninos não falam comigo por medo que eu dê em cima deles porque não acreditam que eu possa realmente ser lésbica (afinal de contas, como eu poderia “virar mulher” e não gostar de homem?) xD. Daí é barra! Ahahaha!

Nota: Eu não havia perguntado sobre o meio hetero porque era meio óbvio que eles, no geral, são os mais preconceituosos.

Flexões: No alto da sua experiência no movimento LGBT [/puxando saco da entrevistada], quais são as diferenças, ao seu ver, entre travestis, transexuais e transgêneros?

Bruna:
Travesti: Uma pessoa cromossomicamente XY (homem) que se utilizam de vestimentas do consagrado (sexistamente) sexo feminino, pode até fazer modificações corporais por meio de intervenções cirúrgicas e/ou administração de hormônios, mas não se auto declara transexual ou pertencente ao sexo cromossomicamente oposto. Ou seja, gosta de estar no meio termo, “ser o melhor dos dois mundos”, e não sentem a necessidade de uma cirurgia de redesignação sexual (a famosa cirurgia de mudança de sexo).


NOTA: Eu disse exclusivamente essa concepção de travestilidade, pois apesar de muitas pessoas afirmarem que as lésbicas masculinas também são travestis, eu nunca vi nenhuma reivindicação por parte delas de se posicionarem como tal, e olha que coordeno uma articulação de lésbicas (DigLÉS) de uma ONG (Dignidade), e sou super atuante na Artemis, que é outra ONG especificamente lésbica e feminista.

Transexuais: Pessoas com convicção absoluta de pertencerem ao sexo oposto ao seu sexo anatômico, fisiológico, e genético. Ai agrega-se transexuais masculinos FTM (Female to Male, ou seja, “nasceu mulher, virou homem”) e transexuais femininas MTF (Male to Female).. As pessoas trans não necessariamente precisam querer fazer ou ter feito a cirurgia para se posicionarem como tal, até porque, algumas nem podem fazer, seja por questões financeiras, por falta de acesso ao SUS, ou por problemas de saúde como hemofilia por exemplo.

Transgêneros: Transgenero é uma designação que caiu em desuso no movimento LGBT para fins políticos. Significa mais ou menos algo como “transitar entre os gêneros”, o que eu considero ser o caso de crosdresser, drag queens, etc.. Não tenho absoluta certeza até por que, minha vida não é só ficar decorando nomes e conceitos, ahaha, por isso quando alguma coisa não me diz muito respeito, eu não tenho tanta propriedade pra falar com segurança.

(L)(L)(L) RuPauls (L)(L)(L)

Flexões: Travestis estão fortemente associados com a prostituição enquanto que transexuais conseguem de certa forma romper um pouco essa barreira e acabam tendo profissões dignas (você, por exemplo, faz Biologia numa Universidade Federal). A que se deve essa diferença? Há uma clara diferença de nível social e econômico entre trans e travestis?

Bruna: Isso é mito. Apesar da correlação forte entre as travestis e prostituição, as transexuais também estão bastante presentes nesta realidade. Acontece que as pessoas tendem a achar que a travesti é aquela com cara de homem maquiado, trejeitos extravagantes e escandalosos, que se prostitui e que a transexual é a bonitinha, que não apresenta nenhuma característica masculina, com jeitinho de menininha virgem e pura.

É tudo uma soma de fatores. Se nos anos de ensino ela é rechaçada pelos coleguinhas, vai associar o colégio a algo ruim e perigoso, vai abandoná-lo e por consequência não vai ter qualificação mínima exigida pra um cargo em um emprego qualquer. Quando chegar a uma entrevista, o nome masculino em contraste com a aparência feminina, somado ao histórico escolar incompleto, culmina em preconceito por parte do empregador e justificam a não contratação. E isso quando não são expulsas de casa na adolescência. E o que lhe resta? A rua é a única saída. Seja na mendicância ou na prostituição, elas se encontram.

Eu tive ponderação e sorte. Escolhi esperar e me assumir só quando estivesse na Universidade, sabia que o preconceito seria menor, e graças a minha mãe que me apoiou e ao meu pai que não interferiu, consegui levar minha transição quase numa boa. É claro, eu tranquei um ano do curso, pois a avalanche de olhares curiosos, comentários maldosos e minha falta de preparo com essas situações me compeliram a isso. Mas nem tudo são espinhos, hoje minha vida ta muito susse.

Flexões: O caso do McDonalds de Baltimore, onde uma trans foi espancada por entrar num banheiro feminino na frente dos funcionários que não fizeram nada (nada não… eles filmaram e riram), ganhou uma grande repercussão em comparação com outros casos de crime de ódio contra trans. Você já sofreu um caso parecido de chegar a ser agredida fisicamente? Qual foi a maior discriminação que você sofreu e qual é a mais frequente?

Bruna: Meu deus, eu nem sabia desse vídeo, fiquei completamente chocada, confesso acabei até chorando quando a vi tendo convulsões pelas pancadas e ouvi os funcionários rindo ao fundo. O que mais me espantou no momento foi que a agressão partiu de garotas, contradizendo toda uma história de homens protagonistas de violência gratuitas. OMG O_O”

Mas sabe, pensando e lembrando bem, eu nunca sofri agressão física de ninguém, mas 99% (pra não dizer 100%) das agressões verbais explícitas mais corriqueiras vêm diretamente de garotas. Estranho né? O único lugar onde as pessoas com quem eu não convivo socialmente sabem que eu sou trans é no bairro onde eu vivo desde meus 5 anos de idade. Apesar de os moradores sempre estarem se renovando, a fofoca é atualizada e, portanto todos aqui de uma forma ou de outra me conhecem.

"Já que nós não temos vida própria, deixa eu te contar um babaaado... Sabe aquela loira do sobrado verde?"

Quando eu saio de casa, o mais engraçado, é que os meninos me passam umas cantadas bem cafajestes (quando estão sozinhos, em grupo eles só me olham passar, se soltam algum comentário eu não sei, mas nunca escutei nada), e as meninas fazem questão de me ofender de alguma forma, ou me chamam de “cara”, “homem”, ou se agrupam com as outras amiguinhas e apontam para mim em tom de deboche. Não entendo até hoje o porquê de as meninas serem as mais ativas nesse tipo de comportamento, mas espero que elas nunca passem do ponto e tentem imitar as duas gurias do vídeo, pois eu não estaria disposta a ser tão passiva quanto aquela trans. Eu iria botar em prática todos os anos de treinamento de kung fú e karatê que eu tive e ia meter um SAC, POW, PUM, SAMP na cara delas… sauehuheuhase…

"Vai lá, Batmão!"

Brincadeirinha, eu sou paz e amor xD (mas eu realmente sei lutar karatê e kung fú , até tenho medalhas de campeonatos paranaenses em combate e manuseamento de armas brancas, isso significa que sou perigosa ;D)!

Artes marciais? Nasceu pra ser sargentão mesmo!

Flexões: Existe uma polêmica em torno da sigla LGBT sobre agrupar transexuais (que diferem em questão de identidade de gênero) com homossexuais e bis (que diferem em questão de orientação sexual). Você acha que esse agrupamento é benéfico (a la a união faz a força) ou acaba misturando problemáticas diferentes e acaba confundindo a cabeça do povão das pessoas que não tem contato com o universo LGBT?

Claro que é benéfico. Apesar de o T representar identidade de gênero e as outras letrinhas orientação sexual, elas estão ligadas pela diversidade da sexualidade humana e pelo preconceito advindo desta. O que o povão precisa saber antes de tudo é respeitar, e não entender tudo minuciosamente.

Além disso, a união sempre faz a força. A Sociedade do Anel não estava nem ai se o resto da população das terras médias iria entender um grupo composto por um anão, dois humanos, um elfo e alguns hobbits, o importante era destruir o anel, e eles conseguiram o/ [ModeNerdsON]

Transexual, lésbica, bi-racial... e nerd? É um novo record de minorias!

FlexõesComo é sua relação com seus pais? Até posso imaginar a situação que se assumir lésbica possa até ter sido um alívio para eles por ser trans, já que o que se espera de alguém nascido homem é gostar de mulher. Faz algum sentido ou nada a ver? 

Bruna: Faz todo o sentido.

Pra meu pai eu acho que não devo passar de um “viadinho que veste roupa de mulher”, afinal de contas, nós nem nos falamos desde meus 14 anos de idade (por brigas e divergências ideológicas), então ele não sabe nada da minha vida que não seja o que ele enxerga com os próprios olhos, mas pelo menos ele não interfere nela, o que já é grande coisa, até por que, ele é o típico alemão militar, racista e homofóbico.

Lembro até hoje de quando contei pra minha mãe do meu primeiro relacionamento após me assumir como transexual:

Eu – “Mãe, eu estou namorando”
Mãe – “Ah, que legal filha, e como é o nome dele?”
Eu – “Então, ai é que está o problema, não é ele, e sim elA. Tenho que confessar, eu sou lésbica!”
Mãe – “GRAÇAS A DEUS!!!”

#WIN

Óbvio que ela tinha esperança de que eu estivesse numa fase errada da minha vida e o fato de eu estar namorando uma menina faria com que eu voltasse a “ser homem” (coisa que eu nunca fui). Mas ela já desistiu dessa idéia, viu que não tem jeito. Hoje ela até conhece minha namorada, gosta dela, super apóia nosso relacionamento, compra roupas e acessórios femininos pra mim (infelizmente a maioria são cor de rosa), trocamos esmaltes, e não faz nenhuma menção a um improvável desejo de que eu volte a ser o que eu era. Acho que no fundo no fundo ela sempre quis ter uma filha menina pra poder fazer esse tipo de coisa. Só espero que ela não me venha com uma de querer me ensinar a tricotar e costurar roupinhas, isso vai ofender meu lado “lesboviril”, ahahahaha!

#LesbianPride

Notas:
Blog da Bruna;
-Se tiverem mais perguntas é só deixar nos comentário que ela irá responder (ou não).

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142 respostas para Transexuais

  1. AHAHAHA….Adorei a forma como vc conduziu o post!
    (y)

    • Laís disse:

      Pergunta para Bruna Imai Hartmann:
      Você e sua namorada pensam em ter um bebê? Ela já pensou em engravidar de você?
      Adorei a entrevista! Adorei suas respostas!
      Abraço,
      Laís

      • AHAHAHAHAHA

        Legal que você perguntou isso sabe, porque adoção, barriga de aluguel, inseminação artificial são práticas comuns e geralmente únicas opções para casais homossexuais, e eu pretendo recorrer a última delas.

        Já faz cerca de 5 meses que eu interrompi o meu tratamento hormonal por completo, quer dizer, parei a administração de antiandrogênicos (que fazem a testosterona parar de ser produzida no meu organismo) e a de estrógenos. Com isso, minha produção de esperma está quase normalizada novamente.
        Mês que vem eu já me programei para ir numa clínica especializada em inseminação, etc., e congelar o meu esperma, isso é claro, se ele tiver qualidade para isso (afinal foram 2 anos de regime hormonal feminino, o que pode ter debilitado minha produção de espermatozóides). Isso já era um objetivo meu antes mesmo de começar a namorar. O problema é que não é nenhum pouco barato, pode custar até mais de 1000 reais, fora a manutenção semestral que custa certa de 400.

        E pra falar a verdade, nunca chegamos a ter uma conversa séria sobre esse assunto, estamos namorando faz pouco tempo, mas é claro, é sempre uma possibilidade a loooongo prazo. ^^

        Se você se perguntar o porquê de eu congelar, é justamente pelo fato de eu não poder abandonar minha hormonioterapia (se deixar, a testosterona toma conta e eu viro um homenzarrão D=), e porque daqui a uns 2 anos no máximo (eu espero) já vou ter conseguido realizar minha cirurgia, então, caso um dia eu e minha companheira decidirmos que existe a viabilidade de “engravidarmos” e aumentarmos em mais um o número de membros da nossa família, o esperma vai estar lá, esperando, bem bonitinho ;D

        Ah, e só por curiosidade, a clinica é do lado da casa da minha namorada, e foi ela que fez o favor de achar pra mim, eu já estava quase indo pra São Paulo porque eu não conseguia achar aqui em curitiba uma que fizesse isso ^-^
        É o destino *-*

  2. Ninha disse:

    Adorei, fluiu bem legal o papo e exclareceu bem sobre o assunto.

  3. Elis disse:

    OMG! *-*
    Esse foi o post mais interessante do Flexões!
    Que foda meu!
    Sempre me perguntei se eu “saberia sobre” uma lésbica transexual…
    Bruna, P-A-R-A-B-É-N-S por ser quem vc é!
    Admiro muito sua coragem em enfrentar seus obstáculos… meo, vc ainda contribui nas ONGs. *-*
    Nossa, ganhou uma fã!
    Não acredito como o maior preconceito ainda venha de mulheres =/
    Como pode, né?! ._.
    Muito sucesso! =)

  4. Luiza disse:

    Gente, fiquei com uma dúvida:
    MTF não é Homem para mulher? Pelo menos foi o que eu sempre pensei.
    Tem esse documentário superbacana chamado Meu Eu Secreto (que dá para achar inteiro no youtube e legendado), que dá essa definição para mtf. Em todo caso, fica a dica desse documentário, que é de uma sensibilidade imensa e que esclarece várias dúvidas sobre a transexualidade em crianças.
    Adorei a entrevista, muito boa.
    Parabéns!

  5. Nina disse:

    Amei, simples e até didático, achei super do bem.
    Parabéns, realmente um texto digno de se ler.

  6. Aline Freitas disse:

    Só posso dizer que amo pessoas que poem a cara a tapa. É isso que precisamos, para um amanhã mais colorido, divertido e humano. Valeu! E Bruna, você é muito linda, não custa nada dizer, né? Eu jogo no mesmo time, viu (eu e minha cara de pau. Tá eu sou trans tb…) Bjão!

  7. disse:

    Só pra constar: a Bruna é mto linda. E aquela foto com carinha de séria e a pulseirinha de arco-íris? *.* Ai Ai viu…

  8. Nanny disse:

    fóóóda! já tenho assunto pra conversar com uns amigos amanhã na facul! haha vaaleu! e vou indicar o blog pro pessoal ‘-‘ seria egoista não mandar pro pessoal *-*

  9. Roberta disse:

    Já me apaixonei por uma trans, passou..haha excelente entrevista

  10. Roberta disse:

    TESTE gente eu consegui comentar nesse blog …aleluia

  11. Roberta disse:

    HUAHUAHAUHAUHAUA PAREI…

  12. rach disse:

    Puatz….

    Confesso q eu leio o blog a tempos mas nunca tinha comentado [falha minha]…

    Mas naum pude deixar essa passar…

    Mtu legal a entrevista… xD

    Naum tinha colocado fé qdo li o título… mas depois de começar a ler naum consegui parar…

    A Bruna eh linda e tem mta personalidade!! Com certeza eu naum teria a coragem dela!!

    Mas também puxando um poko a sardinha da dona do Flexões [rs]… otimas perguntas… e sempre excelentes temasdo posts… Parabéns… =]

    • Jac disse:

      Obrigada, pensei que ninguém mais lembrasse de mim e que iriam organizar uma petição pra Bruna assumir o blog daqui pra frente ó__ò

      [/drama]

      • asuheuhhehaseusuahehuehuuseh……Eu não tenho veia humorística pra manter esse blog ^^ Até pq eu ja tenho o meu e outro blog institucional pra cuidar. E eu nem consigo atualizar eles direito…ahaha!

  13. Aishiteru disse:

    Saibam que ela é muito mais linda pessoalmente, tem um super sexy appeal, é amorosa, inteligente, engraçada, fiel, companheira, gostosa, cheirosa, e consegue me carregar no colo durante um tempão (dúvido que a namorada de vocês façam isso). Tenho muito orgulho do meu amor 🙂

    Um beijo pra minha linda que sempre preenche meus pensamentos, e pra Jac que abordou um assunto que muito me interessa.

    Obs. Vou jogar uma energia negativa para cada piriguetezinha que pensar em dar em cima do meu bem.

  14. Iaiá disse:

    Hmm. Bem interessante. Esclareceu mtos questionamentos. Parabéns JAC, e parabéns à entrevistada.

  15. kléoh disse:

    Sensacional HAHAHAHA’
    Sucesso a vocês meninas.
    Sempre ancioso por novos post’s. E já sou um leitor do blog da Bruna tbm’ HEHEHE
    ( tudo começando com S’ hahaha ) ><
    =**

  16. disse:

    Aishiteru, num joga energia negativa pra mim nãão, please! Só comentei q sua namorada é linda, não to dando em cima não, juro! =P rs

  17. larissa disse:

    Nossa, adorei o post! Já leio o blog tem um tempinho, mas não comento muito. Dessa vez não me contive xD

    Incrível a sua história Bruna, parabéns pela pessoa especial, corajosa e de personalidade que você é. Eu sinceramente não sei se teria força para enfrentar tudo que você enfrenta.

    Eu não sou trans nem sou lésbica, então nunca senti forte na pele o preconceito das pessoas por causa da minha orientação sexual ou identidade de gênero. Tudo bem que sou nerd, como uma boa garota de programa (de T.I., rs), logo faço parte de uma minoria também o/ (LOL) e já enfrentei uns olhares tortos, mas nada que se compare ao que você descreveu. Deve ser muito duro e é triste que no nosso país ainda vivam pessoas tão atrasadas.

    Também choquei ao saber que as mulheres são as que mais agridem verbalmente (e também fiquei chocada com as malucas do vídeo). Tinha realmente a ilusão de que os homens eram os que mais praticavam esse tipo de violência gratuita.

    Mas uma coisa me deixou intrigada. Na entrevista foi dito que “as pessoas trans não necessariamente precisam querer fazer ou ter feito a cirurgia para se posicionarem como tal”. Um transexual pode mesmo não querer completar sua transformação através da cirurgia de mudança de sexo? Desculpa a pergunta ignorante, mas porque alguém iria querer manter o sexo (órgão sexual) de um gênero com o qual ele não se identifica? Eu pergunto porque, tipo, por exemplo eu sou mulher e não iria querer ter um pênis xP

    Parabéns ao Flexoes pelo post. E parabéns também a Jac pelo blog, eu AMO ler tudo que você escreve aqui =D

    • Hum…brigada ;D
      Não estou sozinha na minoria nerd o/

      Mas respondendo tua dúvida, é mais ou menos assim Larissa:

      Ser transexual é a convicção de pertencer ao sexo oposto do que te postulam, e não a vontade de querer fazer a cirurgia ou de já ter feito ela.
      Eu posso não querer fazer porque não acredito na qualidade da cirurgia, não confio nela, tenho medo dela e do pós-operatório, ou tenho algum problema de saúde que me impossibilite isso, portanto, ter adquirido meus direitos de ser reconhecida civil e socialmente como ser do sexo feminino já pode me ser o suficiente.
      Trans femininas que não desejem realiza-la são excessões a regra, mas existem também, e a escolha é de cada uma.
      No caso de transexuais masculinos isso é ainda mais comum. Acontece que a cirurgia de neofaloplastia ou metoidioplastia é ainda, pelo que eu sei, muito precária e com resultados pouco satisfatórios (penis não funcionais, de tamanho pequeno 4~5cm), portanto alguns resumem sua transição em apenas retirada das mamas, e outros ainda retirada do útero e ovários.

      Fazendo uma analogia bem grosseira, é como se eu tivesse um nariz muito grande e torto, que 99% das pessoas teriam vontade de fazer uma cirurgia pra deixar ele bonitinho igual o de uma barbie, mas eu faço parte do 1% que não sentem essa necessidade, estou bem com meu nariz nesse tamanho e formato e ele não me atrapalha em nada, apesar de estar convicta de que é um nariz bonito, embora essa ideia não seja compartilhada pelas outras pessoas. ;D

      Acontece que as pessoas precisam de coisas definidas pra se embasarem, e nada no mundo é assim. Como diz um ditado popular, pra toda regra há uma excessão.

      Espero ter sido clara =P

  18. Menina disse:

    Genteeeeee adorei o post!!!! Jac vc é incrivel, e Bruna, virei fã!!! Um beijo a vcs meninas!!!

  19. Caroline P. disse:

    Cara é o primeiro caso de trans lésbica que eu conheço. Muito bom a Jac abordar esse assunto.
    Sempre me perguntei se havia ou não um caso assim. É bom saber que você, mesmo sendo minoria, resolveu encarar de frente todos.
    Mas me diga Bruna, quando você se descobriu lésbica?

    • Humm…
      A designação “lésbica” eu adotei só por volta da metade do ano passado.

      É que assim que me assumi como transexual eu passei um período que eu só ficava com homens.
      Pra eu entender que eu era lésbica também foi complicado. Todas minhas outras amigas trans eram hetero, e eu não conhecia nenhuma outra que fosse lésbica.
      Mas sério… cada vez que eu eu beijava um homem, não me sentia nenhum pouco bem, e nunca me atrai sexualmente por eles, apesar de ter consciência de que eles eram lindos e que eles eram o desejo de consumo de muitas mulheres hetero ou muitos caras gays.

      Dai frequentando essas baladinhas de público GLS da vida, acabei ficando com umas meninas que davam em cima de mim… e nesse rítimo fui começando a perder a vergonha de sentir atração por mulheres e comecei a me assumir primeiramente (e timidamente) como bissexual e posteriormente como lésbica.
      (Resumindo, eu tive que sair de dois armários sociais, o armário da transexualidade, e depois o da lesbianidade… ahaha!)

      Antes da minha transição eu era um cara hetero como qualquer outro, só que era o típico roqueiro cabeludo, e que “infelizmente” se parecia muito com uma menina… ahahaha… O problema é que eu não ficava com muitas gurias, pois elas preferiam um homem com cara de macho, e não a mim, que sempre tive essa cara xD

  20. Gisele disse:

    Aceito tudo naturalmente, mas fiquei confusa :?+#$%!!!!!!

  21. Daniella disse:

    Desculpa a pergunta, que pode até ser um tanto quanto ignorante de minha parte, porém é uma duvida e queria que se possivel você me esclarecesse..rs

    Como é o sexo entre vocês?

    :*

  22. Mandy disse:

    Extraordinário seu post! Sou fã do seu blog. *-* Parabéns!

  23. Cames disse:

    Amei! (ponto)

  24. Eu sou fotográfo e trabalho com travestis há cinco anos.
    Cai no blog na terça-feira pesquisando por uma travesti.
    Antes de responder, eu preferi esperar dois para não escrever nenhuma bobagem.

    Conheço várias travestis que transam com mulheres todos os dias, e gostam muito disso.
    Mas nunca vi ninguém falando que virou heterossexual e nada parecido…
    Nunca vi ninguém falando que homem é suado e fedido de pele áspera…
    Nunca vi nada disso…

    De fato, falta alguma informação no meio lésbico e feminista, pois elas acham que homem é um dêmonio.

    Eu acho que você, pela sua experiência transexual e por estudar Biologia, deveria ajudar a clarear as coisas em vez de escurecer mais com xingamentos infantis.

    Eu também trabalho no ramo adulto e não estou vendo nenhum trabalho indigno. Pelo contrário: tanto eu quanto as pessoas que trabalham comigo somos pessoas realizadas.

    Todo mundo tem apartamento próprio, carro próprio, alguns têm negócios. Muitas modelos com quem trabalho viajam do Sul (ou Europa) até Campinas de avião. Algumas fazem faculdade, são atrizes, fazem shows, professoras de dança…

    Eu também não gostei da insinuação que trabalho no sexo por falta de opção, se eu tranquei a faculdade e abandonei o meu emprego foi porque eu quis.

    Tenho sites, uma Agência de Publicidade e pretendo abrir uma boate.

    Ninguém aqui está “precisando” de nada.

    Bom dia.

    • Aishiteru disse:

      Acho bem compreensível a visão negativa que o feminismo tem dos homens, já que no Brasil a cada quatro minutos uma mulher é agredida em seu próprio lar, pelo suposto parceiro. Talvez quando essa realidade mudar possa se cobrar do movimento feminista uma visão melhor do sexo masculino.

      Também acho compreensível a sua revolta em ser rotulado em um grupo de forma negativa. Mas não se esqueça, que antes das lésbicas e das feministas, os próprios homens se tratam mal, tem nojo um do outro, tem aversão ao próprio sexo. Experimenta perguntar um rapaz fora do mundo gay que tipo de homem ele acha bonito, ou pede um abraço mais demorado, dá um beijo no rosto dele… E depois corre pra não apanhar.

      Não acho que se deva cobrar uma mudança de pensamento das lésbicas e das feministas que só observam os fatos ao seu redor, mas sim uma mudança dos próprios homens, que em grande maioria cultivam essa imagem negativa do próprio gênero, e se tratam entre eles mesmos de forma agressiva.

  25. Existem mulheres bonitas.
    Existem mulheres feias.

    Existem travestis bonitas.
    Existem travestis feias.

    Existem homens bonitos.
    Existem homens feios.

    Acho importante citar os fatos…

    • Eu já estava estranhando que não houvessem críticas negativas por partes dos leitores.
      Bom, vamos aos fatos.

      “Conheço várias travestis que transam com mulheres todos os dias, e gostam muito disso.”
      Claro que você conhece, afinal, isso não é impossível, é justamente disso que o post trata em essência, a quebra de padrões sexuais.

      “Mas nunca vi ninguém falando que virou heterossexual e nada parecido…”
      Que???

      “Nunca vi ninguém falando que homem é suado e fedido de pele áspera…”
      Agora você viu. Eu acho, e dai? Não sou santa e tenho inúmeros preconceitos, um deles, é com homens.
      Se você se sentiu ofendido, deveria interpretar melhor o texto, pois nessa parte eu só estava “fazendo uma média com minha namorada num blog alheio”… ahahaha!

      “Eu acho que você, pela sua experiência transexual e por estudar Biologia, deveria ajudar a clarear as coisas em vez de escurecer mais com xingamentos infantis.”
      Acho que pela minha experiência transexual eu estou ajudando a clarear as coisas, como tem sido observado nos outros comentários do post, agora, por estudar Biologia geralmente as pessoas esperam que eu saiba o nome científico de todos os bichos e plantas do mundo, e não que eu seja uma expert no mundo LGBT, pra mim isso foi novidade ^-^.

      “Eu também trabalho no ramo adulto e não estou vendo nenhum trabalho indigno. Pelo contrário: tanto eu quanto as pessoas que trabalham comigo somos pessoas realizadas.”
      Talvez você esteja se referindo em primeira instância à pergunta, que citava indiretamente a prostituição como uma profissão indigna. Aliás, se você (novamente) interpretar corretamente o que eu disse, vai ver que eu não afirmei essa suposição em nenhum momento.

      “Eu também não gostei da insinuação que trabalho no sexo por falta de opção, se eu tranquei a faculdade e abandonei o meu emprego foi porque eu quis.”
      Olha, você pode até não ter gostado, mas não pode dizer que não é uma realidade, e aliás, não pode nem dizer que na maioria das vezes, é a realidade que se aplica à maioria das meninas. Existe sim quem se prostitui por opção, e não por obrigação, mas eu falei do que eu conheço e do que me é apresentado direto. Por exemplo, agora dia 16, 17 e 18 estou indo pro VIII encontro regional sul de travestis e transexuais em POA, e estou segura que de que vou ouvir la o que ouvi nos encontros que participei anteriormente, muito relato de vivências e reivindicações a cerca da prostituição. Agora vai me dizer que as travestis e transexuais tem uma predileção natural pra se prostituirei e que nada disso é culpa do preconceito seguido em diversos setores que sofremos durante a nossa vida?

      “Ninguém aqui está “precisando” de nada.”
      Você não precisa, ou talvez esteja sendo muito orgulhoso pra admitir, mas eu preciso, a população LGBT precisa, precisa de respeito.

      Obrigada pelas suas críticas, pois mais alguém poderia estar achando a mesma coisa, e agora elas foram devidamente esmiuçadas.
      🙂

  26. Many disse:

    Parabens pelo blog!

  27. Eu acho que não é certo difamar as pessoas.

    Já sobre a Bruna, eu acho que ela nasceu gay, mas acredito que ela gosta de mulher, conheço várias trans que gostam de mulher e mulheres que gostam de trans, a melhor fotografa de trans do Brasil é uma mulher e chama Simone Moralis (pesquise no Google para ver quem é), e eu próprio nasci heterossexual, mas prefiro trans também.

    A Bruna é inteligente e linda, mas o que mais admiro é que ela se leva a sério (muitas trans não se levam a sério).

    Ela tem preparo para seguir uma carreira política, estatal ou diplomática, mostrando que trans atingem a excelência e servindo de referência para as outras que não tem quem seguir.

    Acho uma pena estragar tudo isso difamando homens…

    Eu também já conheci lésbicas que levavam a vida de um jeito leve e culto que era muito bonito.

    Não se envolva com gente problemática e enfiada em ideologias caducas.

    Existem pessoas maravilhosas de todos os gêneros, orientações e sexos.

    • Você está certo Jefferson, eu nasci “gay”… no sentido homossexual da palavra. Mas só descobri isso depois que me assumi uma mulher (transexual) lésbica, portanto, homossexual, ou se você preferir…”gay”.
      Nunca senti atração física por homens, nem agora, e nem quando “era menino”, portanto a classificação gay no sentido homem que sente atração por outro homem não cabe mim.
      Aquilo que eu falei sobre os homens, foi pra se opor os elogios que fiz à minha namorada. Tenho preconceito com eles, mas não sou “androfóbica”, ao contrário de muitos homens (heteros ou homo) que conseguem perpassar seu preconceito para além do machismo, chegando até a serem misóginos.

      Obrigada, e desculpa se fui ofensiva.

    • Kátia disse:

      É inacreditável como, toda vez que uma mulher reivindica os próprios direitos, aparece um home pra querer que nós reivindiquemos os dele também. Quer dizer então que a mulher é exemplo por MIL motivos, mas TODOS são repentinamente “estragados” pq ela fez uma brincadeirinha boba com relação a não achar homens atraentes? Ah, por favor. De dizer que homens têm a pele áspera a “difamar homens” tem um ABISMO de diferença!
      E aqui tem um texto maravilhoso a esse respeito, que eu recomendo fortemente que você leia: http://ativismodesofa.blogspot.com.br/2012/07/birra-da-excecao.html

  28. Niemi disse:

    Oie Jac

    O meu Guest Post foi publicado no blog da Lola, ele está nomeio dos posts da confusão do Tas… =/ dá uma conferida lá.

    Dorothy? rs ah eu amo ela tb, sempre digo que eu sou a Dorothy, será que isso é algum sinal que eu to ficando mais sapa? rsrs

    E meus parabens a Bruna! Acho que sua coragem e maturidade te tornam ainda mais bonita, parabens mais uma vez pela pessoa incrivel que vc é.

    abs

  29. alf disse:

    como vc se descobriu? passou por muitos conflitos na adolescencia ás vezez tenho esse sentimento de ser mulher mas sempre penso que não poderia pois gosto de mulher foi muito dificil tomar essa decisão?é dificil achar parceiro sexual?vale a pena enfrentar todo o preconceito da sociedade?
    ps: acho que estou passando por isso tbm se puder me ajudar ficarei grato

    • Ah, me descobri pesquisando na internet. Ahaha, bendita internet!
      Mas antes eu andava com amigos gays pra ver se eu era como eles, justamente porque eu não me compreendia, não conseguia separar orientação sexual de identidade de gênero.
      E no início da transição eu também não conseguia separar, foi só depois de entrar no movimento LGBT e me sentir mais a vontade de “sair dos armários”, pois me sentia mais segura mesmo, e num espaço onde eu certamente era melhor compreendida.
      A decisão em si não foi muito difícil… graças à puberdade (ahahaha) meio tardia, alguns caracteres masculinos começaram a fazer pressão, pois o crescimento de pelinhos no rosto, a voz mais grossa, etc., estavam me deixando depressiva, dai vi que tinha que tomar alguma atitude. Fui num psicólogo, depois comecei a me hormonizar por conta (nenhuma endócrino aceitou meu caso), e quando a aparência feminina já estava insustentável mesmo debaixo de roupas masculinas, me assumi.

      Sobre companheiras, bom, nem tanto. Você tem que estar ciente de que muita gente vai ficar a fim de ti (seja por curiosidade ou por algum outro sentimento mais comum em relacionamentos), mas que por conta do preconceito, elas provavelmente não vão se pronunciar. O negócio é ir vivendo. Eu não estava nem ai se nunca fosse ficar com alguém, o mais importante pra mim era estar em consonância comigo mesma, mas vai que um dia, uma menina pisa no teu pé (como foi comigo) disfarçadamente, e o amor acontece? xD

      Com relação ao preconceito, eu sempre digo que eu prefiro que as pessoas se incomodem com minha existência do que eu comigo mesma. No começo é foda, mas dai com o tempo você vai se calejando, e vai se ofender menos com as atitudes alheias adversas a ti. É o único jeito =/

  30. Suh Vledah disse:

    Bruna… uma pessoa que me orgulha e me incentiva a continuar a bater no peito e dizer quem tb sou. Com a naturalidade necessária… e a tranqüilidade sempre tão buscada. Que tua história e tua coragem incentivem e acalentem tantas outras histórias… que essas troquem as dúvidas e o sofrimento pela gana de viver.
    Parabéns Samurai!
    Blog show de bola!

  31. Primeiramente queria dar os parabéns pra dona do blog, que faz um trabalho mto legal aqui do tipo que a gente aprende se divertindo rsrsr
    Mas eu queria perguntar pra Bruna um pouco mais da reação da família dela, q parece ter sido bem compreensiva com tudo.
    E queria perguntar tb como os médicos tratavam/tratam seu caso, já q vc falou q mtos endocrinologistas não aceitaram administrar seu tratamento.
    Bjs!

    • Oi Maria.
      Humm, como assim a reação da minha família? Bom, com meu pai e com minha mãe foi aquela coisa que eu já escrevi ali, acho que talvez vc esteja se referindo ao resto da minha família né?
      Com o resto por parte do meu pai foi a coisa mais normal e natural possível, no começo do ano eles vieram em casa pra um churrasco, e me cumprimentaram como cumprimentariam qualquer outra pessoa…é claro, eles não sabiam que era EU. Depois quando perguntaram a minha mãe por mim, e ela me apontou todos falaram juntos: “MEU DEUS, VC VIROU MULHER? ACHAVAMOS QUE VC ERA A NAMORADA DO ‘FULANO’ ( o fulano no caso era eu nos tempos remotos…ahahaha)!!!”
      A parte da familia da minha mãe, que é só minha tia, respeita, mas não apoia, e pior, morre de vergonha de mim, pediu pra eu dizer que não tinha tia pra que ela não fosse relacionada comigo. Triste né? Mas não to nem ai, não vou ficar me escondendo, NÉ TIA??? Ahahaha.

      Sobre as médicas, bom, as duas que consultei pelo hospital militar não quiseram me ajudar a levar adiante meu tratamento, mas não me negaram exames de sangue quando pedi (até pq não poderiam negar). Consultei também uma do HC (hospital universitário da UFPR) que me tratou como um caso de estudo pra mais de 10 alunos de medicina, e o pior, sem me perguntar se eu gostaria de ser tratada como tal, posso dizer que foi uma das maiores vergonhas da minha vida. Fiquei sentada, rodeada de alunos e dois orientadores que afirmavam categoricamente que eu não sabia ao certo o que eu era só porque eu me relaciono com mulheres. E apesar da “ética” profissional, eu duvido que nenhum daqueles 10 estudantezinhos que viram minha mochila de biologia UFPR não vai correr e contar pra mais outros cologuinhas sobre mim. Posso estar até sendo meio agressiva, mas é que fico puta com essa medicina que se outorga o direito de decidir sobre a autonomia que eu supostamente teria sobre meu próprio corpo.

      ;D

  32. desculpe, sou meio lerda, não entendi uma coisa,kkk
    então … Você ainda não fez sua cirurgia de mudança de sexo?
    ah, tb quero saber o q é PLC ?

    • Opa..
      Então Halanna, não, ainda não fiz a cirurgia de redesignação sexual. =]

      Sobre o PLC, bom… PLC significa Projeto de Lei da Câmara. =D

      Brinks…xD

      O PLC 122/2006 (suponho que seja isso que vc esteja me perguntando), se aprovado irá causar uma alteração na Lei de Racismo, visando também criminalizar a discriminação das pessoas por gênero, orientação sexual, identidade de gênero, por serem idosas ou serem pessoas com deficiência.

      Quer dizer, o PLC 122 transformará a Lei nº 7.716 que atualmente defende contra o racismo, preconceito regional e religioso em uma lei que defende toda a sociedade contra qualquer tipo de preconceito, ou seja a lei passa a ser uma lei de Direitos Humanos que atenderá toda a sociedade.
      (não vejo o que tem de errado ai, mas a bancada evangélica vê, e não quer aprovar de jeito nenhum)

      Na prática seria mais ou menos assim:
      – Não vão poder me ofender, incitar ou promover algum ato discriminatório por eu ser L, ou G ou B ou T (ou algumas delas juntas xD).
      – Não vão poder me proibir de demonstrar afetividade em locais públicos ou privados com minha/meu parceir@ onde estes atos já são consentidos a heterossexuais.
      – Não vão poder deixar de me atender em algum estabelecimento comercial.
      (Isso também vale pra outra galerinha ali que eu citei)

      Eu não pretendia ficar me estendendo (como sempre faço), mas só queria pontuar duas coisas que sempre ouço sobre o PLC122.

      “O PLC 122 é o projeto da ‘Ditadura Gay'”
      – Vamos pensar…se é uma ditadura, quer dizer que algum direito estaria sendo negado arbitrariamente. Mas que direito negado seria este? Seria o de discriminar, ofender, incitar ódio e preconceito contra LGBTs? Não sabia que isso nos era assegurado até então.

      “Mas já não existe leis que prevêem penalização a quem agride, assassina ou ofende outro cidadão? Por que ‘os gays’ querem uma lei específica pra eles?”
      – As penas previstas pra quem agride/ofende um gay são tão leves (pagamento de uma cesta básica ou serviço social) que não intimidam os homofóbicos.
      Uma boa analogia seria com relação a Lei Maria da Penha. Antes dela, um homem que agredisse uma mulher, seria enquadrado da mesma forma que um agressor homofóbico, e podia deixar de ir preso apenas pagando cestas básicas.

      Acho que é isso. ^^
      Desculpa… falei de mais novamente xDDD~

  33. Brenda. disse:

    Bem, você esta de parabéns pela coragem de assumir isso tudo, sabendo que a nossa sociedade é altamente preconceituosa….Mas me ficou uma curiosidade/dúvida, a sua namorada é lésbica certo? Ela já sabia desde o início que você era trans? Ah, e eu dei uma olhada no seu blog, ela está certíssima em querer te engordar. As fofinhas são lindas! Estou no pé da minha namorada pra ela voltar pra esse patamar. euhuehehueu *-*

    • Oi Brenda.
      Acho que ela teria mais prioridade em responder suas perguntas, mas enquanto ela não aparece por aqui, tomo essa liberdade. =P

      Sim, ela é lésbica.
      Não, ela não soube desde o início que eu era trans. Mas isso durou pouco, pois eu estava voluntariando num lugar cheio de transexuais, gays e afins, e minha voz não é assim, muito feminina (quando me atendem ao telefone, geralmente me chamam de senhor D`= ), e ainda tenho algumas características físicas masculinas….então, ela juntou dois e dois e deduziu que eu seria trans também.

      Isso foi em 2009

      Mas até março desse ano, ela achava que eu era hetero, e eu curiosamente (meu gaydar não apitou) também achava que ela era uma hetero simpatizante….mas quando nos vimos fazendo parte da mesma associação de lésbicas, pronto, as dúvidas sobre a orientação de cada uma que tínhamos, sumiram. Dai foi dois toques pra começarmos a ficar… e namorar. ^-^

      Sobre ela me engordar….Ahahahaha, sinto muito, mas vou fazer de tudo pros planos dela ruírem xD

      • Aishiteiru disse:

        De primeira vista eu não sabia, mas aí num encontro LGBT vi um amigo discursando e olhando pra Bruna no momento em que dizia da presença de transexuais, lésbicas e gays no evento. Aí comecei a reparar em características, e deduzi. Sobre a sexualidade, sempre fui lésbica, as características femininas sempre foram atraentes para mim, sempre fiquei com meninas femininas, e por muito tempo tive aversão extrema a toda característica típica masculina. De início fiquei bastante confusa com a situação, porque eu sentia uma vontade imensa de estar com a Bruna, de conversar com ela, de tocar ela, até sonhava com ela, mas não assumia pra mim o que eu tava sentindo, já que ficava insegura com a minha “virilidade lésbica” rs. Teve uma manifestação na frente de um shopping de Curitiba, e no final houve um “beijasso”, ambas estavam sem par, e acabamos ficando na manifestação. Fiquei bastante insegura de início, querendo bancar a “ativa” da relação o tempo todo, mas a medida que eu fui conhecendo a Bruna, compreendendo a situação dela, sentindo o desconforto que ela sente por estar num corpo errado, me informando melhor sobre a transexualidade, entendi que a minha sexualidade não estava ameaçada, porque ela era muito mais mulher e mais feminina do que qualquer menina que eu tive contato, ela continha a sensibilidade e as fragilidades típicas do feminino, como esse medo de engordar, por exemplo. rs.

  34. Sofia. disse:

    Amei a sua história, aliás, a história de você com a Dora também 🙂 Mas tenho uma dúvida. (Meio escandalosa, se quiser não responder eu entendo rs). Comecei a ler sobre transexuais tem pouco tempo sabe, e li que uma das diferenças dos transexuais para os travestis é que os transexuais têm aversão ao órgão genital deles, ou seja, realmente negam e praticamente não têm resposta dele num caso de excitação por exemplo. Isso é verdade? No seu caso, acontece isso, ou depende muito?

    • Oi Sofia.

      Bom, então, vamos por os pingos nos “Ís” =]
      Pelo que eu li, vc está falando de transexuais femininas, então, o certo é vc dizer “AS” transexuais. Posso até estar sendo chata em pegar no teu pé neste ponto, mas é que não gosto de ouvir ninguém se referir a mim como “ele”, ou “O transexual”. Isso também vale quando se refere às travestis.

      Respondendo:

      Existe muita besteira e mitos com relação ao universo trans, uma delas é essa sobre o pênis, ou no caso dos trans masculinos, a vulva/vagina.
      Existem sim transexuais que tem aversão a suas genitálias, mas não são todos, atrevo me até a dizer que não são nem a maioria. Acontece que tudo é generalizado, e esse é um dos maiores problemas, tanto para as transexuais, quanto para o resto do mundo.
      Acontece que todo o mundo acredita existir uma “cartilha da transexualidade”, onde ta escrito o que uma trans deve ser, sentir ou fazer pra se enquadrar.
      A única diferença entre transexuais e travestis é que as travestis se afirmam enquanto travesti e as transexuais se afirmam enquanto transexuais. Inclusive, uma trans pode gostar, ter prazer, e ter ereção em resposta a um estímulo sexual, e uma travesti não. Tudo é muito relativo.

      No meu caso…bom, acontece xD
      Ele “acorda e dorme” mediante a um estímulo ou a falta de um, e geralmente sem o meu consentimento xD. Mas isso é mais por causa no meu nível hormonal. Como eu vou congelar o meu sêmen daqui uns 10 dias, eu precisei deixar a testosterona voltar a ser produzida, e como consequência, a ereção voltou. Mas graças a deus daqui a uns dias eu recomeço a minha dieta hormonal feminina e não vou mais me preocupar com isso. =]

      • Sofia disse:

        Desculpe o modo de falar rs. Juro que tô começando a ler sobre tudo isso só agora, estou sim bem atrasada. Bom saber. É, eu acabo pensando mesmo sempre em teorias, como se houvessem manuais pra tudo. Sou assim até comigo mesma –‘
        Mas brigada pela resposta 🙂

  35. Nandara disse:

    Seguinte, esse é o primeiro comentario que faço em blog na vida. Realmente achei muito interessante, na minha opnião tudo foi explicado com muita clareza, inclusive as duvidas que surgiram nos comentários, foram bem esclarecidas pelo menos pra mim, tirei algumas duvidas aqui haha, parabéns Jac, parabéns Bruna, vocês são incriveis de verdade. Só uma coisa: transgêneros são pessoas que descobrem sua identidade sexual necessariamente na infancia? ou não tem nada a ver?

    • Hum… não. ^-^

      Pelos relatos que eu ouço, variam bastante.
      Existem travestis/trans que afirmam terem convicção de não pertencerem ao “seu sexo postulado” desde a mais tenra infância. Outros com mais idade.

  36. Nandara disse:

    saquei, é porque assisti aquele video “Meu eu secreto”. Bruna, sou um transgero(female to male), acredito ser algo mais raro, porque ouço mais em se falar casos male to female. E eu sou assim desde que me conheço por gente haha, mas eu nunca soube que isso existia entende? até os meus 15 anos quando ouvi falar do tal “transtorno de identidade de gênero”, e é claro que me identifiquei com aquilo, porque até então eu fica pensando que era lésbica ou slá, mas ainda sim faltava algo, não era eu você deve me entender. Mas nunca contei nada a ninguem, hoje tenho 16 anos, e aparento ser uma garota comum, ando femenina e tudo mais, estranho não? pois é, magina pra mim. Eu tenho muito medo mesmo de decepcionar meus pais, já pensei varias vezes em contar, mas é impossivel, porque eles e nem ninguem fazem a minima idéia do que sou, imagina a bomba que seria? então eu queria saber o que você acha disso, o que daria pra fazer numa situação dessas, afinal você é experiente, já passou por isso e graças a Deus obteve sucesso, de certa forma as coisas estão bem pra você. Eu sei que é um aburdo pedir conselho aqui, você não está aqui pra isso não é? eu sei haha mas enfim, não tenho mts opçoes, e como você pode ver não sou uma pessoa que costuma arriscar, e não custava tentar agr.

    • Ah, nunca assisti esse vídeo ;D
      Hum.. sabe, é complicado eu aconselhar assim, mas eu acredito que a primeira coisa que vc deve fazer, é contar pros seus pais, afinal, eles são e serão o seu porto seguro. Mas vc tem que estar consciente de que não vai ser fácil, vcs podem discutir, brigar, chorar… vai ser bem tenso. E provavelmente eles não vão acreditar em vc, pq se já nunca ninguém acredita que as meninas são realmente lésbicas, imagina de uma menina que se sente um menino. A sexualidade feminina é muito reprimida.
      O que vc pode pedir dai é pra que uma psicóloga te companhe, pq dai conforme o tempo passa, seus pais vão sendo confortados por ela.
      Uma das estratégias que eu e umas amigas trans fazíamos pra ir “acostumando” os nossos pais com essa ideia, era mostrar varias informações, notícias, etc, que achávamos sobre transexualidade, antes de soltar a “bomba” propriamente dita.
      Agora, o que eu acho mais importante, é vc não se rebelar com tudo, chutar o pau da barraca. Vai com calma, vc deve estar no 2º/3º ano do ensino médio né? Aproveita esse tempo pra ir amaciando o terreno, até pq se assumir no colégio ainda é muito doloroso e pode prejudicar muito os teus estudos.
      Não sei se vc pretende tomar hormônios masculinos, mas também procure um endócrino. Não precisa se apressar nessa questão (a não ser que seja muito importante pra ti), pois a testosterona é muito forte, mesmo que vc comece a usar ela lááááá pra frente, sua transformação será bastante satisfatória. Se vc fosse uma MtF, eu te aconselharia a priorizar sua hormonização, pois quanto mais tempo passasse, mais difícil seria pra conseguir uma aparência feminina satisfatória.
      E sobre vc ser feminina, bom, nadavê.. ahahaha, sempre esperamos que quem é trans masculino seja antes uma sapatão caminhoneira, e as trans femininas sejam antes uma bixinha afetada. Eu, apesar de sempre ter tido essa mesma cara e cabelo comprido, sempre fui “um macho”. Tanto que quando me assumi, as pessoas realmente demoraram pra acreditar ^^.

      A transformação, exposição social, assim como o sofrimento e conquistas que nos seguem é meio que universal, tanto pra FtMs quanto pra MtFs, mas talvez seja legal vc perguntar pra esse meu amigo aqui http://mcaetanoz.wordpress.com/ (Marcelo Caetano). É um transexual masculino, então ele vai ter mais em comum contigo, e provavelmente, saber te ajudar melhor.

      De qualquer forma, espero ter ajudado ^-^

  37. Ju disse:

    Bruna, esses videos do My secret life são muito bons, mostram crianças a partir dos 3/4 anos que são transexuais. Vou postar o 1º video e daí vc assite o resto: http://youtu.be/Utpam0IGYac
    Já assiti e achei muito bem abordado o tema.
    Nandara, oi td bem? Você já viu os videos do Meiko Xavier? Ele mostra todas as etapas de transformação FTM: http://www.youtube.com/user/MeikoEliasXavier

  38. Nandara disse:

    é, então Bruna, eu sei de como vai ser doloroso, por isso tenho muito medo de contar aos meus pais, estou no terceiro ano, vestibulares e tudo mais, tá tudo muito louco na minha cabeça, e a propósito vou prestar na UFPR onde você estuda, não tem nada a ver mas enfim.. eu tava pensando em conversar com um piscologo antes, mas slá, eu quero muito contar, e o pior de tudo isso é que não tenho ninguem pra compartilhar isso, você por exemplo tinha amigas que sabiam. Eu não, ninguem mesmo sabe, todo mundo acha que sou uma menina comum, e é muito foda. Tomar hormonios? claro, fazer de tudo pra “consertar” meu sexo, mas ainda acho que isso é o de menos, o que vai ser dificil é contar mesmo, dar o primeiro passo. Mas, obrigado mesmo Bruna, ajudou bastante, e vou perguntar pra esse seu amigo ai, valeu. Tem como adc o email meu? vou deixar aqui, anderlinearrouba@hotmail.com.
    olá jú, bem mesmo não estou como você pode ver kk, e ai ? nunca vi esses videos, vou dar uma olhada, valeu.

  39. Evandro disse:

    Parabens Bruna, vc e sua namorada são muito lindas, mais lindo que isso é a história de vida de cada uma de vcs, fico muito feliz por esse amor que vcs vivem, admiro tudo o que conquistaram e o que ainda vão conquistar.
    Bom alem de elogios, gostaria de deixar a seguinte pergunta:
    Tenho 20 anos, nunca senti atração por mulheres, apenas por transexuais, estou disposto a encontrar a pessoa que me atraá que eu possa amala e ser amado, nem que pra isso eu tenha que enfrentar todos os obstaculos da vida, e no seu caso acredito que ñ foi facil encontrar sua cara metade, em um mundo repleto de preconceitos em que somos minoria.Por esse motivo encontro dificudades de encontrar a pessoa que procuro. Que dicas vc poderia me passar para me ajudar?

    • Todas as minhas amigas trans sempre reclamam que os homens só querem elas como pantufa (bonitinha pra usar em casa, mas nunca sai na rua com ela). Se vc realmente está disposto a assumir um relacionamento, é só sair procurando. Com certeza vc acha. ^-^

      Vc quer saber onde procurar né?
      Vá em baladas, nas paradas (“gays”) da diversidade, e Bate Papo Uol….ahahahaha
      Até pq não existe um lugarzinho específico onde as transexuais vão pra ficarem esperando a alma gêmea chegar ^^
      Boa sorte ;D

  40. Bruno disse:

    Parabéns pelo depoimento!!

    Acabei de conhecer o blog, é a primeira vez que resolvo comentar algo e escrever sobre o que sinto pois me identifiquei com sua história.

    Tenho 25 anos, e desde criança eu sempre soube que havia algo errado comigo, sempre me senti uma mulher num corpo de homem, gostava de coisas de meninas, queria me vestir como elas, ser tratado como uma menina, não gostava do que tinha entre as pernas, e tudo mais, não vou entrar em detalhes sobre isso aqui. No entanto, devido a educação que tive e própria personalidade nunca fui afeminado, todos os meus desejos e vontades eu mesmo reprimia pois não era conveniente pra mim um menino se comportar como menina.

    A partir dos 11 anos comecei a me informar melhor pela internet, e descobri que eu não estava sozinho, e que havia solução (hormonios e cirurgia), mas havia algo de diferente comigo, diferente dos casos que eu via na internet, em artigos e sites especializados, eu gostava de mulheres. E eu pensava que era uma loucura comigo, algum outro distúrbio que eu deveria esquecer, pois como eu poderia me identificar com transexualidade e ainda gostar de mulheres? Eu deveria gostar de homens! Me sinto até um covarde de não ter procurado uma orientação adequada e ter “aceitado” que não me enquadrava nos “requisitos”.

    Essa dúvida sempre ficou comigo, e o tempo foi passando, os hormonios masculinos definiram meu corpo, hoje sou um homem com nenhum traço feminino, típico homem com “cara de homem”, macho suado e fedido de pele áspera 😉

    Esses anos todos eu tentei esquecer esse meu “defeito”, no entanto nunca esqueci, e uma vez ou outra acabo me perdendo na internet procurando mais informações, vídeos, e acabo que fico deprimido por não me enquadrar em modelos e saber o que sou, e por aí vai. Numa dessas, ontem, vi um vídeo no youtube da TrannyGirl15, e vi que ela é também uma transsexual lésbica, fiquei intrigado, e passei a madrugada inteira pesquisando a respeito, hoje o dia todo, até que encontrei esse depoimento de uma brasileira.

    Estão girando milhões de coisas na minha cabeça agora, não sei o que fazer da minha vida. Só tenho vontade de chorar no momento.

    Estou apenas postando isso aqui para desabafar, agradecer, e reforçar a importancia de que não existem padrões, que cada um é de um jeito, pois talvez se eu quando fosse mais jovem, tivesse visto que não estava sozinho, que haviam outras como eu, minha vida teria tomado um rumo diferente. Encontrei de ontem pra hoje vários outros casos e depoimentos, porém todos em inglês, que hoje sei ler e ouvir perfeitamente e consegui compreender. No entanto em portugues o material é bem escasso a respeito do assunto.

    É isso, desabafei aqui, agora acho que vou chorar um pouco rs
    Parabéns de novo ao blog, beijos!

    • Olá…
      Pois é, tudo isso é muito complicado mesmo. Sem exemplos palpáveis e vivendo em um país bastante heteronormativo e padronizado as vezes não conseguimos nos encaixar nos modelos mais visíveis.

      Agora, o que eu tenho a dizer, é que apesar da idade influenciar muito na transição, ela não é definitiva pra que você seja bem sucedida.
      Eu não sei até que nível você pretende chegar com relação a sua aparência, mas mesmo que você já esteja bastante masculinizada, existem cirurgias pra quase tudo. É claro, demanda dinheiro e tempo, mas existem inúmeros exemplos de mulheres que começaram bem mais tarde que você e hj estão felizes da vida com o seu cotidiano.

      Antes vale “sair do armário” aos poucos e viver a sua vida como você é (sabendo que vai sofrer alguns preconceitos no percurso) do que viver sofrendo eternamente sozinha e trancada dentro dele.

      Um Beijo. Melhoras e boa sorte!

  41. Lucyan disse:

    OOO Delicinha!

  42. zzzz disse:

    bruna, porque fechou o blog só pra convidados?

    • Bruna disse:

      Oi, zzzz… Assim, eu estava estudando pro concurso do INSS… então eu nem tinha tempo para novas postagens nem nada, mas esse nem foi o fator principal. Acontece que em um desses dias, a mãe da minha ex tinha entrado e lido as minhas postagens, e ela achou que eu estava expondo a filha dela de mais…. enfim, dai eu deu uma restringida pois eu não tinha tempo de ficar retificando todas as postagens, pois precisava estudar. Ontem foi o concurso, hj ainda tenho algumas coisas pra fazer, mas assim que der tempo eu retifico todas as postagens e já adiciono umas novas pra compensar ^-^ Brigada por demonstrar interesse xD

  43. liiv17 disse:

    Libera o seu blog Bruna

    • brunaimaihartmann disse:

      Decidi que não quero mexer nele por um tempo… tenho algumas coisas mais importantes pra fazer e o blog acabava atraindo alguns seguidores meio maldosos. Um dia quando me bater a vontade de fazer ele funcionar novamente, eu me coço e abro ele pro público de novo ^^

  44. fabricio disse:

    é legal ver mas é podre entre homens

  45. marcos deovan disse:

    vamos bombar esse blog bruninha, eu estou perplexo com tudo que tenho que aprender, para me tornar alguém realmente respeitável e agradável como vc é. além de linda, inteligente e corajosa é incrivelmente surpreendente. eu acho que fiquei ainda mais confuso depois que li tudo isso, por que faço parte de um grupo que sente atração por pessoas sejam elas transexuais, gays, lésbicas, bissexuais, transhomo e translesbicas. será que já existem definição para isso heeee. enfim parabéns!

  46. Aline disse:

    É muita informação, rsrs. Se minha mãe acha o ápice da complexidade e safadeza eu ser lésbica, imagina a cara dela lendo isso.

    Realmente , é bem diferente pensar em todo esse contexto. Penso que eu na sua situação simplesmente deixaria quieto ( apenas seria um cara mais sensível, com toques femininos) e ficaria com mulheres. Porque é um processo muito punk.

    Se já é difícil ser lésbica (que não precisa tomar hormônios, fazer cirurgia, mudar de identidade) imagina ser trans!

    Minha dúvida é que já ouvi falar que antes de fazer a cirurgia de mudança de sexo, vcs precisam passar por uma avaliação de uma junta médica – onclusive com psiquiatras- por 2 anos. É verdade? Se for, como ocorre?

    E a outra, desculpa se for preconceituosa e precipitada. Mas vc como trans esperariam que fosse ficar com homens . Mas vc fica com mulheres. E namora uma mulher que não tende a ter um perfil tão feminino. Vc sempre teve essa atração por lésbicas mais nesse estilo ou foi só por ela especificamente? Porque é meio como que vc fosse na direção contrária de todas as presunções que podem fazer, rsrs. Sem críticas.

    Abraço

    • brunaimaihartmann disse:

      Sobre a primeira pergunta…. sim, temos que passar por essa junta médica por no mínimo 2 anos se quisermos fazer a cirurgia pelo SUS ou mesmo por particular (é o que reza a lenda pelo menos) mas claro que se vc tiver bufunfa vc faz a hora que quiser sem precisar de laudo coisa nenhuma.

      Agora respondendo a segunda… bom, a minha namorada não tem um perfil masculino não… ahaha, ela é bem feminina. Usa esmalte, tem cabelo comprido, se cuida e etc. Ela só não usa roupinhas mega femininas pq tem todo aquele trejeito de advogada… então tá sempre de roupinhas sociais. Mas eu acho um charme ^^ E na verdade, eu já senti atração por algumas lésbicas mais “bofinhos”, o problema é que ela é que nunca sentiram atração por mim. Ou até sentiram, mas quando ficaram sabendo que eu ainda não havia feito a cirurgia eu deixava de ser uma opção. Hehehe. Mas minha atração é independente de estilo. Me apaixono por mulheres bonitas, inteligentes e de bem com a vida. Pouco importa se vestem calcinha de seda ou samba canção =]

  47. Genivaldo disse:

    Oi Achei o seu Blog por acaso e está bem interessante…mas é o seguinte:
    Eu tenho um amigo que conheço a mais de 20 anos, ficamos um tempo sem se falar por motivos de trablahos estudos e talz, Hoje consegui falar c/ o cara e ele me fez uma revelação surpreendente…..virou transexual e é lesbica assim como vc, tbm me disse q está tomando hormonios e q está mudado fisicamente.
    Eu tenho ele como um irmão, na escola sempre queriam bater nele por le ser albino e eu sempre comprei todas as brigas desde a 5º serie e sempre o vi como meu irmão mesmo….agaora num sei se vou conseguir ve-lo mudado desse jeito, não tenho nenhum preconceito apenas é estranho pra mim essa mudança tão radical e repentina…..eu desejo que ele seja feliz e se encontre nese mundo….mas não estou sabendo lidar com tudo isso, todas as lembraças q eu tenhoo da gente desde criança são de dois meninos e agora esse menino q eu defendia e dizia q era meu irmão não existe mais….eu kero aceitar essa mudança dele e apoia-lo mas num sei como aceitar isso tudo….será q vc teria lagum conselho q pudesse me ajudar?
    Obrigado.

    • brunaimaihartmann disse:

      Olha, nem sei o que te dizer que não fuja do que provavelmente seria dito por qualquer outra pessoa sensata. Se ainda não conseguir aceitar a mudança e decisão dela, apenas respeite. Tenho alguns amigos de infância que custaram a me tratarem como eu sou, mas hoje em dia saio com eles numa boa e no maior respeito. É claro que as pessoas acabam tomando rumos diferentes na vida e algumas amizades se distanciando, mas um apoio de um irmão da infância faz toda a diferença. Seja como vc sempre foi… só não esqueça de trocar o “O” pelo “A”. ;D

  48. Karol disse:

    Assunto interessantíssimo…
    Esclareceu bem as minhas dúvidas, parabéns Bruna e Jac.

  49. meudeuls que coisa mais deliciosa esse post.

    Estou aqui me deliciando com a Bruna.
    E Jac, vou ter que morder a língua nos meus comentários anteriores e te ler mais e mais pra poder ter coisas relevantes pra dizer, pq tudo o que escrevi nos comentários lá no post da palavra L parecem mais do mesmo.

    Vou mergulhar aqui na minha maratona Flexões e calar minhas críticas até ter lido do primeiro ao último post.

    Delícia!

    • Jac disse:

      Obrigada! Mas sei que vai ter post em que você vai se irritar e comentar me xingando (como geral fez), já aviso ahhahahaha

  50. Bruna, onde te acho na web (facebook, twitter, blog)?
    Os links daqui não funcionaram cmg.

    Bjs

  51. Bruna disse:

    Eu exclui meu blog faz um tempo. Também não estou mais usando o twitter… mas como acho meio estranho colocar links assim nos comentários… vc pode achar meu perfil no face lá no post do concurso das misses lés ou algo assim do flexões.
    =]

  52. Tais disse:

    Gostei do texto. Acho que foi o mais fácil e esclarecedor sobre transsexualidade que já li.

  53. Sam disse:

    Adorei a entrevista, viva a diversidade! Tudo de bom à bruna e sua namorada

  54. Sam disse:

    Bruna, querida, tenho uma pergunta, uma travesti que gosta de mulher também pode ser considerada lésbica ou trans lésbica?

    • Bruna disse:

      Então… sei lá.
      Eu acho que essa coisa de ficar definindo e talz é meio que dispensável, sabe. Não tem necessidade. Me diz o que vc acha? =]

  55. Sam disse:

    A jac tb pode responder o q perguntei

  56. Sam disse:

    Oi Bruna. Que pena que vocês termimaram. Mas você é linda logo você arruma uma gata. Uma princesa para uma princesa! Acho que do ponto de vista da feminilidade, uma travesti que gosta de mulher pode ser considerada translésbica, mas tem o aspecto do pênis funcional, né? Mas como você disse, rótulos não são necessários. Sou do sexo masculino, me considero bissexual, mas gosto bem mais de relacionamento com mulher do que com homem, que seria só para umas fantasias. Para relacionamento comprometido só me relacionaria com mulher (e sendo fiel). O fato é que eu sempre me identifiquei com feminilidade e ser feminina, mas achava incompatível por eu gostar de mulher. Também achava que elas não poderiam gostar de mim tendo uma figura feminina. Depois eu aprendi que orientação sexual e identidade de gênero são coisas distintas e tem mulheres que gostam de travestis e afins. Hoje eu às vezes saio com alguma roupa feminima e maquiagem, mas não em casa, por causa dos familiares nem próximo de casa. Tomo hormônio injetável (anticoncepcional) e tenho uma aparência naturalmente feminina. Meu sonho é assumir a feminilidade por completo (menos cirurgia genital) e ter uma mulher que me amasse assim. Mas tenho vergonha dos meus familiares e vizinhos. Obrigada por você me inspirar, minha musa inspiradora. Poderia me dar uma orientação do que fazer? Beijos querida.

  57. Anônima disse:

    Então, acho q eu entendo, como mulhere cis e bissexual, e até um pouco transfóbica… pq mulheres cis têm tanta dificuldade em aceitar mulheres trans*.
    Porque, quando se tem um pinto, não importa o que seja, você sempre fará melhor do que uma mulher. Até ser mulher é algo que pessoas-que-têm-pintos fazem melhor do que mulheres!
    Poxa, vc nasce com uma vagina e é oprimida por ser mulher desde o primeiro dia da sua vida! E qdo eu digo primeiro, eu digo primeiro mesmo: eu saí da maternidade já com brincos na orelha, pra td mundo saber q aquela cara de joelho pertencia a uma garota. Não tinha condições de me defender, de opinar, mas lá estava eu, tendo o corpo perfurado para atender a um padrão estético ao qual apenas mulheres têm q se submeter.
    Daí vc q sofreu com machismo desde a maternidade, vc que nunca teve escolha sobre ganhar menos, ser assediada, dar satisfação da vida sexual pra gente conservadora, ser vista como alguém incapaz para certos empregos, etc tem que ouvir de homens hetero que mulheres trans* são MAIS MULHER QUE VOCÊ. Mais do q vc q nunca teve um segundo de escolha na vida, que sempre foi e sempre será oprimida.
    Pq ser mulher é ser gostosa, dar prazer sexual para homens hetero, e vc nasceu com seios pequenos, mas ela tem silicones enormes. Pq ela tem uma bunda de 8 mil reais, sendo q vc ganha R$1060,00 por mes, mas a bunda dela é mais gostosa e mais siliconada do que a sua… logo, ela é mais mulher q vc.
    Mais mulher q vc q não se maqueia meeeeesmo pq vc não quer se encaixar num padrão estético elitista e excludente, quer mesmo ficar à margem pq os homens não merecem o seu esforço, o seu dinheiro, nem q vc tenha pouca auto-estima. Daí vem a mulher trans* servir de modelo de como é que se é mulher: aquela ali é mulher, vc é menos do q isso. Ela se maqueia e vc não, ela tem uma voz fininha estereotipada e vc não, ela tem silicone pra dar e vender e vc não, ela usa roupas dentro do padrão e vc não, etc.
    Vc luta, luta, e luta contra os estereótipos, daí vem alguém que originalmente era um homem, e ABRAÇA TODOS ELES, a roupa, o comportamento, etc para ser aceit@ como uma mulher. Sem nem parar pra pensar que quem definiu que mulheres eram frágeis, eram vaidosas, etc não sabia nada sobre o q é ser uma mulher. Sabia, sim, que comportamentos eram úteis para vulnerabilizar mulheres para melhor dominá-las.
    E daí ela quer ser aceita como mulher por vc que menstrua, que tem cólica, que pode engravidar sem querer, que não pode abortar mesmo precisando muito, que tem inchaço nos seios, que amamenta, que põe filho no mundo. Só pq ela é vaidosa, tem voz fina e se veste como mulher? Só pq ela abraçou todos os estereótipos atribuidos a mulheres contra os quais você luta?
    Caramba, eu já tenho mulheres cis pra ditar comportamento pra mim na mídia!!!!!
    Por favor, se alguém ler isso, não apague ou deixe passar batido, me dê uma resposta q possa me ajudar a ser menos transfóbica, pq sinceramente, é um preconceito q até hj eu não consegui superar!

  58. Sam disse:

    Oi, minha querida, anônima, eu q postei mais acima. Se é um preconceito então vc deve quebrá-lo. Na vdd, pessoas trangêneras sofrem muito mais preconceito do q mulheres justamente por não se enquadrarem dentro da cisgeneridade, e até partindo da própria comunidade lgbt infelizmente (visto q vc é bi). Como eu disse, se não é um conceito com fundamento mas um preconceito como vc disse, quebre isso! Eu tenho essa trangeneridade (q não assumi por completo) mas eu simplesmente adoro mulheres! Para mim a mulher é o ser mais lindo q existe no universo, quanto mais desse mundo. Eu tenho atração física, afetiva e muito respeito por vcs mulheres. Eu as amo muito. Por favor, não tenha preconceitos pq cada pessoa é única, não importa se mulher trans, homem ou mulher biológica

    • Anônima disse:

      Em primeiro lugar
      MUITO OBRIGADA por responder!
      Muito obrigada MESMO!
      Pq eu já li comentários realmente agressivos de mulheres trans* na internet que tinham sido publicados sem que eu tivesse feito nada… e eu fui super grossa, e você responder educadamente!
      Já me ajudou a melhorar a minha visão de vocês! =D
      É mais fácil superar preconceitos se eu tiver material disponível com base no qual refletir sobre. Quando eu penso em transsexuais, me sinto como se estivesse tentando reinventar a roda. Não acho mto material em língua portuguesa, a única que eu domino T____T
      Então, por favor, me socorre? *implora* Pq eu não tenho coragem de me aproximar de mulheres trans* que têm um comportamento realmente agressivo pra valer, e não tenho feito muito progresso com os textos que encontrei.
      Mas então… eu acho que você não entendeu muito bem. X_X Isso pq quem diz que mulheres trans* são “mais mulher” do que mulheres cis fora do padrão estético estabelecido são homens hetero (quem mais né? XD). É mto duro vc ser comparada com alguém com um corpo que, afinal de contas, foi modificado com hormônios, com cirurgias, etc. Como é que eu posso ser considerada “menos mulher” por ser comparada a isso? Como eu disse, parece q, se o cara nasceu com um pênis, ele sempre vai ser melhor q vc em tudo, desde dirigir, até… ser mulher!!!
      O que me inquieta com mulheres trans*, resumindo muito tudo, é…
      O que é ser uma mulher?
      O que uma mulher trans* chama de mulher?
      O dia que eu tiver a segunda resposta, talvez eu possa passar a ver as mulheres trans* bem, mas sem saber isso, me sinto realmente
      Se tem um aspecto externo dito feminino, com seios de silicone, com maquiagem, alisamento, faz a sombrancelha, se depila e se identifica com esse estereótipo é mulher?
      Pq se for o caso, eu não consigo sentir empatia por mulheres trans*. Sinto uma profunda solidariedade por mulheres que foram identificadas como mulheres desde o nascimento em todas as épocas e em todos os tempos, independente de elas terem qualquer tipo de físico, foram identificadas como mulheres e violentadas por isso. Sinto, também, que sou mulher, independente de ter seios pequenos, de me vestir estilo largada, de achar uma tortura medieval ter que me depilar com cera quente, enfim, a minha aparência, o meu jeito de gesticular e de falar não me definem como mulher. Para mim, é muito mais do que isso, sabe? E quando eu vejo uma mulher trans* me sinto caricaturada por ela. Como se só o que eu tivesse de mais supérfluo e descartável me definisse como mulher, e como se aquilo bastasse. No que se pauta a auto-identificação de mulheres trans* enquanto mulheres? Eu não entendo!
      Claro q eu empatizo com qualquer pessoa vítima de violência física, segregação no mercado de trabalho, etc. Sou contra tudo isso, sou a favor de direitos como ter o nome social reconhecido em documentos, etc, até pq não me custa nada.
      Enfim… e também queria entender como vocês entendem a própria transsexualidade fora do discurso médico. Se vcs se incomodam que seja visto como doença, o que faz bastante sentido, como mais podemos entender esse fenômeno?
      Ah, pra ficar mais fácil, eu vou assinar, eu me chamo Kátia

  59. Sam disse:

    E eu não me importo se vcs se produzem ou não, ou se tem seios pequenos ou grandes. Meu respeito, admiração, e pq não dizer, atração, são os mesmos

  60. Anônima disse:

    *me sinto realmente perdida

    • Lisa disse:

      Kátia

      Acho que você mesma responde à tua inquietação quando diz “No que se pauta a auto-identificação de mulheres trans* enquanto mulheres?”, mentalmente é uma mulher a tal ponto que, não reconhece o próprio corpo. No caso da Sam ela não vislumbra o fato de fazer a cirurgia genital, o que me parece demonstrar que não há uma total identificação como mulher!
      Como lésbicas gostamos de mulheres, mas como mulheres e não por identificação masculina. Recentemente li um reportagem da filha da Gretchen dizendo que queria ter nascido homem! Nós lésbicas não queríamos ter nascido homem!
      A sua aversão a figura masculina castradora do mundo HT, está exacerbada, qualquer que seja o perfil feminino, com padrão de beleza ou não, trata-se de uma mulher! E não podemos nos sentir diminuídas pelo discurso dominante!
      Claro que compreendo a sua indignação quanto ao que representa ser mulher verdadeiramente e alguém com um corpo masculino querer se equiparar às mulheres, mas a mente humana é um mistério!

      • Kátia disse:

        Olá Lisa! Obrigada pela resposta! Entendi, então digamos, a pessoa não se identifica com o sexo com o qual foi identificada ao nascer, mas sim com o “oposto”. E o que mais pega é a questão de sentir que o próprio corpo é inadequado e diferente daquele que se deseja?
        Bom, eu não posso fazer nada se a pessoa se reivindica uma mulher embora tenha nascido XY. Não acho que ela deveria ser agredida sendo chamada por um nome masculino, inclusive nos próprios documentos; que ela deva ser excluída do mercado de trabalho formal; ser preterida na vida amorosa dos caras; nem muito menos que mereça violência física. Também acho que se operar para ter um corpo mais próximo do que se deseja é um direito. “saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”.
        Mas tenho várias inquietações. Essencialmente para ser mulher basta se reivindicar uma? A minha crise é: essa pessoa se identifica com ser mulher ou com estereótipos físicos/comportamentais relacionados arbitrariamente com ser mulher?

        • Lisa disse:

          Kátia

          Não tenho vivência ou contato com pessoas trans, muito menos domínio cognitivo para discutir tal assunto com propriedade, portanto considere a nossa conversa apenas a troca de ideias entre pessoas interessadas em compreender um pouco a complexidade humana.
          Eu não acredito que uma pessoa trans se identifique apenas por estereótipos, pois é algo que tem origem na infância, é natural, tanto é que atualmente para se fazer a cirurgia o SUS tem uma enorme quantidade de exigências quanto a acompanhamento médico e durante um período de tempo relativamente longo. É algo muito profundo, a psique humana é extraordinária, até me questiono sobre isso em nós lésbicas, por que algumas apresentam a tendência em serem mais masculinas? Quando somos as chamadas meio termo, não nos sentimos confortáveis com vestidos, salto alto, maquiagem, etc., apesar do fato de nos sentirmos femininas! É tudo natural, nós não fazemos isso por que é o padrão para uma mulher que gosta de outra mulher!

  61. sam disse:

    oi, Kátia, tudo bem? Eu posso ver q vc é uma pessoa boa, visto q vc defende a igualdade para as trangêneras no mercado de trabalho, nome social e tudo. Obrigada! Quanto a classificarem uma pessoa q tem identidade de gênero diferente do gênero de nascimento como uma pessoa q sofre de patologia eu sou contra. É só essa pessoa adequar seu corpo à sua identidade de gênero e essa pessoa passa a se sentir bem, e isso é o q importa. Orientações sexuais diferentes da hétero já foram consideradas doenças tb (homo e bi) e atualmente não são mais. Eu não entendi quando vc disse q homens héteros afirmam q trangêneras (travestis e transexuais) são mais mulheres q mulheres biológicas (xx). Pelo contrário, o q eu ouço eles falarem são festivais de transfobia e desapreço pelas trans. Quase sempre homens dizem q gostam de mulher e q travestis são homens, q transexuais são homens capados e assim vai. Claro q tem homens q são clientes de travestis na prostituição, tem atração por elas, mas quase nunca assumem isso. Veja o caso do Ronaldo q até hoje nega q tenha querido fazer programa com três travestis, e para isso não precisa ser famoso. Um homem pode assumir q “pegou” uma mulher “feia” mas vc não vê nenhum assumir q pegou travestis, a não ser às vezes no anonimato da net. Você jamais vai ver homens se gabando em rodinhas q pegaram aquela “travesti bonitona”, só os vê se gabarem de pegarem “mulheres de verdade”. A própria Bruna afirma acima q homens só aceitam as trans no máximo para pantufas, jamais saem com elas. Nunca vc vai ver um homem por aí com uma travesti ou mesmo transexual de mãos dadas na rua, embora possam assumir namoro, casamento e mãos dadas com as mulheres xx de pior aparência q for. Para homens q sentem atração por travestis, elas só servem para prostituição, usar e jogar fora, nunca assumir nada com elas, nem assumir pra ninguém q sentem atração por elas. E as travestis merecem muito mais respeito q isso. Por isso não sei q homem possa ter dito pra vc q travestis e transexuais são mais mulheres do q mulheres xx. Isso é impossível! viu o q a Lisa disse mais acima? “nós lésbicas gostamos de mulher”, ela quis dizer mulher de vdd, o mesmo pensamento de homens! De todo modo, obrigada por vc dizer q evoluiu sua visão de nós trangêneras. Se depender de mim e tb de muitas mulheres trans e trangêneras em geral, vc será muito bem tratada com todo carinho q vc merece! E eu concordo com vc q estereótipos nunca são bons, nem para mulheres nem para homens. Muitos homens tb não se encaixam nesse estereótipo de q um homem tem q ser machão, nunca chorar, nunca demonstrar fraqueza e etc. Muitos homens cis não se encaixam e não gostam desse estereótipo do machão. E vc imagina então os q nasceram homens mas são trangêneras? q suplício q é esse estereótipo de “macho tem q ser macho”? Eu te dou total razão nisso, de não se encaixar nesse estereótipo do q a mulher tem q fazer ou se comportar para ser mulher. Mas a mesma coisa eu tb sofro do outro lado, não se esqueça disso, querida. Receba todo meu carinho e admiração, tá? e q vc sempre possa evoluir sua visão sobre nós, tá? Te desejo tudo de bom. Beijos carinhosos. Quando puder, se quiser responda ao q eu disse, tá?

    • Lisa disse:

      Sam

      Você interpretou errada minha colocação, disse que lésbicas gostam de mulheres, que é o que nos define, quando usei o termo verdadeiramente foi em alusão a afirmação da Kátia quando ela faz toda a argumentação comparando a vivência de ser mulher em uma sociedade machista! Não quis dizer que lésbicas não venham a ter relacionamentos com trans lésbicas, a Bruna é um exemplo disso, ela diz ter uma namorada. Não há similaridade alguma em dizer que pensamos como homens no que diz respeito ao tipo de comportamento frente à trans, travestis, etc.

    • Kátia disse:

      Olá! Desculpe a imensa demora para responder!
      Então, acho q nenhum ser humano merece ser violentado, ter o seu acesso ao mercado de trabalho restringido, e também q ninguém de fora de um grupo tem o direito de estabelecer o q é uma violência contra ele e o q não é. Então, se vc considera ser tratada por artigos e nomes masculinos uma violência simbólica, eu só posso respeitar.
      Acho justo q vc não queira ser reconhecida como uma pessoa “doente”, pq isso tem uma carga negativa enorme… acho q me coloquei muito mal. O q eu realmente gostaria de entender é o que torna um@ trans*, trans*. Quer dizer, é biológico? Social? Cultural? Esquece o se não for doença. Digamos, é biológico? E se não for, o q explica?
      Vou dar um exemplo concreto, tem um candidato à prefeitura de São Paulo chamado Celso Russomano, q é fortemente associado aos evangélicos. Eu pensei: ele deve ser homofóbico de merda XD Daí, tem uma entrevista dele, q vc pode ver aqui: http://www.youtube.com/watch?v=XUH7-doygI0
      Na qual ele faz um puta dum esforço, digamos mal sucedido mas faz, pra não ser homofóbico. Ele parece bem intencionado… digamos assim, um discurso de respeitar as pessoas como elas são e tal. Mas compra o discurso de patologização… e aí é que tá: usa ele para justificar justamente que trans* merecem respeito e os direitos q reivindicam! (Pq se é uma doença, a pessoa ñ pode ser responsabilizada, se não pode ser responsabilizada, não pode ser condenada, só assistida e cuidada)
      Sobre vc não ter entendido qdo eu disse q q homens héteros afirmam q trangêneras (travestis e transexuais) são mais mulheres q mulheres biológicas (xx). Acho q nós temos q simplesmente reconhecer q esses caras são hipócritas. Q eles, como vc apontou, têm um discurso mto diferente da prática. Tipo, q são clientes de travestis q se prostituem mas não admitem. Na minha frente, o discurso vai ser um, na sua frente, vai ser outro.
      Na minha frente é: é gostosa, é peituda, é vaidosa, é mais mulher q vc.
      Na sua frente imagino q deva ser: tem vagina, útero e ovários, logo é mais mulher q vc.
      Na prática é: eu sou ser humano, e toda mulher não é, é algo menos q isso, vou dividí-las pra elas não lutarem contra essa minha concepção juntas. E comigo esse discurso hipócrita tava funcionando. =P
      Sabe como eu percebo isso? Pq eu percebo q eles mudam COMPLETAMENTE de comportamento qdo estão SÓ entre homens. Entre homens eles realmente falam isso td q vc relatou, q mulheres trans* não são mulheres e tal. E na frente de mulheres, dizem q nós deveríamos nos espelhar em vcs pra aprendermos como é uma mulher u.u’ Falam q mulher trans* só tem vantagem pq não menstrua, então tá disponível pra fazer sexo 100% do mes. Pq não tem TPM. Pq não vai “dar o golpe da barriga”. Pq tá sempre depilada. Etc e tal.
      O negócio é nunca aceitar mulheres, creio eu. Deve ser isso, só pode ser isso. Deve ser pra nós nunca sermos aceitas, e também pra nos dividir. Pq meu, se não for isso, o discurso deles é simplesmente incoerente d+.
      Beijos pra vc também e mais uma vez muito, muito obrigada pela paciência em me ensinar =****

  62. sam disse:

    aff, botei um monte de tás kkkkkkkkk desculpa

  63. sam disse:

    Oi, Lisa, tudo bem? Talvez vc não saiba ao certo, mas pelo q sei, existem dois tipos principais de trangêneros ( a Bruna citou isso lá em cima). As travestis q podem ser permanentes ou temporárias, e as transexuais ou mulheres trans. As transexuais é q se consideram 100% mulheres q nasceram num corpo de homem. As travestis não se consideram mulheres, ou não se consideram 100% mulheres.Eu me encaixo dessa forma. Para uma travesti, o importante é se assemelhar a uma mulher, ainda q o máximo possível, mas não se sente totalmente mulher. Mantém “o melhor dos dois mundos”. Mas travestis, porém, assumem a imensa maioria dos papéis femininos do dia a dia, inclusive sermos chamadas por nomes sociais femininos é importantíssimo, além de pronomes femininos. Eu não sei ao certo mas vc parece não reconhecer o direito de uma pessoa q nasceu homem assumir sua identidade de gênero feminina quando ele assim se sente. Assumir sua identidade de gênero é tão de direito quanto seu direito de ser lésbica ou um outro ser gay ou bissexual. Não se esqueça q nossa comunidade é LGBT e o T significa TRANGÊNEROS. Já chega sofrermos preconceito de homofóbicos fora da comunidade LGBT, isso não ajuda em nada. Mas se eu entendi errado me desculpe.

    • Lisa disse:

      Sam

      Não tenho a pretensão de me julgar conhecedora profunda do assunto e em nenhum momento disse não respeitar o direito de qualquer pessoa, pelo contrário, ao me direcionar para a Kátia justamente justificando o fato de que ser trans o indivíduo que tem o corpo com um sexo e mentalmente sente-se como o oposto! Ela só não compreende como isso é possível sem a vivência! Se como mulheres vivemos sob opressão de uma sociedade machista, como interpretar que um homem que possui em suas mãos o poder, percebe-se como mulher? Isto ocorre desde a infância, então é submetido a todos os padrões masculinos, no entanto sente-se mulher! Até mesmo a colocação dela não é de não aceitação, mas de vontade de compreender como isso se processa mentalmente!

  64. Sam disse:

    Olá Lisa, obrigada por responder. Eu entendi o q vc quis dizer por “verdadeiramente”. Mas quanto a uma pessoa q nasceu homem mas tem identidade de gênero feminima é normal, mais frequente q se imagina. Você argumenta q a sociedade é machista e opressora e não entende como alguém q nasceu do sexo masculino possa se sentir feminina ou mesmo mulher e assim abdicar do seu “privilégio” de homem. Mas quem disse q nos sentimos menos por nossa identidade de gênero feminina? Claro q não. E eu não dou a mínima para os machistas, para essa mascunormatividade idiota. Na vdd não é so as mulheres e trans q são oprimidas por uma sociedade machista, mas tb gays, bis, e mesmo homens héteros q não seguem a “cartilha” do “macho”. Mas temos q derrubar a opressão machista, não nos acovardar. Tem um blog feminista, o “escreva lola escreva”, “troll muda de vida” q fala sobre uma trans lésbica em transição q é ex mascu como eles dizem. Achei muito interessante, vc poderá gostar tb. Mais uma vez agradeço por sua resposta.

  65. Sam disse:

    Pessoalmente não me importo se homens não me aceitaria para assumir um relacionamento porque, do mesmo jeito que a Bruna, eu não tenho interesse nesse tipo de relacionamento. Disse em relação às outras trangêneras que não sejam ginofílicas. Eu sou totalmente ginofílica, ou seja, tenho total atração por mulheres. Não sei sei se você notou, Lisa, que quando mulheres gostam de mulheres, sejam lésbicas ou bi, elas sempre desejam as bem femininas, tipo Megan Fox, Lindsey Lohan ou Angelina Joulie, que cuidam da aparência, e não masculinizadas, como a thamy. Nunca vi nenhuma mulher que gosta de mulher elogiar e desejar uma mulher como a thamy que já foi linda quando não era masculinizada. É claro que também vemos femmes com butches, mas eu acho que a preferência das mulheres é por mulheres femininas e que se arrumam. Pude ver isso em blogs de lésbicas como o lesbian power que é brasileiro. Todas só desejavam mulheres femininas. Nada contra as butches, claro que não, mas é algo a se pensar.

  66. Sam disse:

    Olá, Katia, obrigada pela resposta. Eu penso q ser transgênera é biológico e não social ou cultural. Tanto é q dois irmãos criados do mesmo modo, com a mesma influência sócio cultural, um pode ser trans e o outro não. Há uma teoria q diz q pode ser pela ação hormonal (testosterona e estrogênio) q o feto recebe na gestação, mas é só teoria. Eu sempre me senti assim, mas não me entendia, até eu acessar informações na internet, como sobre identidade de gênero, orientação sexual e LGBT. Não sabia q homens falavam o q vc me relatou sobre trans, o oposto do q eu já ouvi. Se os mesmos homens falam coisas opostas, é uma enorme covardia e hipocrisia. Muito obrigada por sua simpatia e beijos carinhosos.

  67. Sam disse:

    Oi, Bruna, não some não, linda. Vc nem deu sua opinião do que eu tinha te pedido. Amore, desculpa a pergunta, mas qual banheiro vc vai quando está fora de casa? Feminino ou masculino?

    • Bruna disse:

      Desculpa… to bem atarefada na minha vida com diversas coisa… uso o feminino. Quero responder também o comentário da Kátia… mas nem tive tempo de ler ainda toda a sucessão de mensagens que foram trocadas… Malz aê!

  68. Sam disse:

    Bruninha, o que eu perguntei foi curiosidade porque eu vivo situação semelhante por ter identidade de gênero feminina, mas se agi mal em perguntar isso peço que me perdoe.

  69. Bruna disse:

    Oi gente… desculpa a demora.Estou bem ocupada com alguns projetos na minha vida. Vim aqui dar uma olhadinha e vi que teve uma avalanche de comentários… ahahah.
    Vou responder rapidinho:
    Kátia… não é um pênis que faz ninguém melhor do que ninguém.. isso é uma imposição falocêntrica cultural que somos obrigada a engolir desde que nascemos… assim como vc disse, desde a maternidade.
    Percebi também que seu discurso é fomentado pelo discurso machista de segregação de classes. Sim, o universo machista só tenta nos dividir..e isso não é visível apenas no que tange a transexualidade com relação à mulher cis… mas também quando fazem com que acreditemos que uma mulher que trai o companheiro tem que apanhar, que uma mulher que anda de roupa curta tem que ser estuprada, que a culpa é dela etc..
    Você joga toda uma culpa dos padrões sexistas “de como é ser uma mulher” para cima de mulheres trans, que também sofrem com essa mesma pressão, sendo que essa culpa deveria ser jogada pra cima de quem realmente as produz… os mascus.
    Analise, se uma mulher trans não quer apanhar na rua, e aprendeu a vida inteira que uma mulher é assim ou assado, nada mais lógico do que ela se agregar desses mesmos padrões pra tentar ser aceita e não ser mais excluída socialmente. Saka? Não estou dizendo que todas somos assim, ou todas queremos ser assim… mas todas (mulheres cis e trans) sofremos com os mesmos discursos ditatoriais machistas. Nos resta compreender e lutar contra.
    Sim, não engravidamos objetivamente, sim, não menstruamos… mas isso não nos faz menos mulher, assim como não faz um homem trans menos homem pelo fato dele não produzir sêmen. Também existem as mulheres cis que não têm cólicas e que não engravidam/menstruam, e nem por isso podemos desqualificá-las enquanto mulheres.
    Ser mulher é algo muito além do biológico, muito além do cultural, é uma soma de indeterminados fatores… mas que deveriam ser unicamente regidos por uma única palavrinha: respeito.
    Ah…e falando sobre o fato do silicone… não veja isso apenas como um “privilégio” trans, afinal de conta, mulheres cis também podem se siliconar se assim desejarem. O que acontece entra naquela mesma discussão do que é “ser mulher” (peitão, bundão etc.) com um agravante: Mulheres trans além de não terem acesso à uma clinica médica profissional (pois para cis é considerado como um “aperfeiçoamento estético”, mas para trans, subversão à norma masculina), se submetem à injeções de silicone industrial, que mata muito desta mesma população.
    Não quero ser agressiva, nem quero colocar uma em sobreposição a outra (cis, trans). Todas somos mulheres, e não devemos nos alfinetar com deliberações da classe dominante machista que só nos separa pq desunidas, somos mais fracas.

    • Bruna disse:

      Ah, e só pra complementar, também temos os direito de querermos ter uma bunda gigante, um peito gigante, de usarmos esmalte rosa, de sermos o que quisermos. Isso para cis e trans. Temos que saber quem são nossos inimigos, e não creditarmos o machismo às mulheres que querem seguir o padrão feminino historicamente imposto.

      “Quem não se mexe não sente as amarras que os prendem.”

      Parabéns por se interessar, discutir e colocar suas dúvidas aqui. ;***

  70. Julia disse:

    Adorei, adorei esse post! Adoro quebra de paradigmas, me deparar com o novo e passar do estranhamento inicial para a naturalidade.
    É exatamente o que acontece na minha cabeça, depois do primeiro momento, não consigo mais ver como algo estranho. Aliás, não sei qual a dificuldade das pessoas de compreenderem as particularidades de cada ser humano. Tem coisa melhor que isso? Acho maravilhosa essa diversidade! “Nada do que é humano me é estranho”.

    Agora, nada a ver com o tema do post, mas já que os comentários viraram uma sessão desabafo, queria falar um pouco sobre do que se passa comigo e ver se alguém já ouviu falar de algo assim, hauahau.
    Eu sou lésbica, moro com minha namorada há alguns anos, ambas femininas e relativas sexualmente.
    Eu nunca pude conversar abertamente com alguém sobre o que acontece comigo porque sei que não é simples de entender e sei também que até o mundo LGBT pode ser um tanto preconceituoso, hehe 🙁
    Na adolescência já namorei homens e já tive relações sexuais com eles, mas depois que me apaixonei pela primeira garota e tive meu primeiro relacionamento profundo com mulher, nunca mais tive vontade de ter um relacionamento afetivo com homem, nunca mais me interessei por eles. Já namorei outra garota anterior a atual e já tive também vários relacionamentos sentimentais e sexuais passageiros com outras mulheres. Ou seja, há alguns anos eu só fico/namoro/transo com garotas.
    O problema é que: não estou satisfeita sexualmente. E depois de muito analisar os motivos disso, percebi que o problema não é especificamente a minha namorada. Percebi que, na verdade, gosto sexualmente de homem e afetivamente de mulher. Eu explico: não me imagino namorando com homem, me casando, tendo uma família com um deles, só imagino mulheres participando da minha vida dessa forma. Mas me imagino transando com homens! Gosto, claro, de transar com mulher, mas não sei porquê diabos sinto bastante falta de transar com homem o tempo todo! Por exemplo, me masturbo pensando em homens! O que é MUITO estranho porque eu não consigo MESMO me imaginar gostando de um, me apaixonando por um, namorando um. E há anos isso não acontece mesmo!
    Estou bastante confusa com relação a isso. Será que existe mais alguém assim nesse mundo gigante e cheio de diversidade? Por que isso acontece comigo?
    Já tentei começar a falar disso com umas amigas sapas, mas elas fazem cara de “urgh!” só de ouvir a palavra “pênis”, haha, então não dá pra falar sobre isso com elas! =/

    • Lisa disse:

      Você não se sente satisfeita em uma relação sexual com mulher? Já tentou analisar suas necessidades sexuais na cama! Já usaram acessórios e seja lá o que a imaginação desejar!Você se diz relativa, será que você na realidade não é apenas passiva e necessitaria de uma mulher com aquela pegada, bem ativa? Ou então você é BI! Vejo muitas BIs dizerem que apesar de gostarem de homens também, a preferência é para as mulheres! O estranho é o fato de você não ter tido mais homens após se assumir gostar apenas de mulheres, e agora sentir desejo por eles! Agora se você está afim apenas do carinho feminino e sexo com homens, você está numa fria! Só em relações abertas para isso! Rsrs
      Boa sorte em suas novas descobertas.
      Bjos

  71. Sam disse:

    Olá júlia. Com certeza você é bi, mas no geral relacionamento com mulher tem maior peso, já que você não teria relacionamento fixo com homem. Eu nasci do sexo masculino mas tenho identidade de gênero feminina, sendo portanto transgênera, apesar de não desejar cirurgia genital. Eu sempre me considerei bissexual, por causa da minha atração por pênis. Mas também nunca iria ter um relacionamento afetivo, fixo com homem. Eu adoro mulher afetivamente e sexualmente, e jamais pediria pra uma namorada para ter sexo com homem, nem teria necessidade real para isso. Mesmo porque sou monogâmica, fiel e romântica. Mas não critico relações abertas. O que o que você relatou é muito semelhante a mim.

  72. Sam disse:

    Peço à Bruna e outras pessoas que me socorram. Atualmente não tenho namorada e tenho entrado em salas de bate papo. Meu objetivo foi fazer uma pesquisa para saber se as pessoas do sexo feminino aceitariam uma transgênero para namoro. Algumas demonstraram interesse, o que é ótimo, mas outras se mostraram totalmente avessas quanto a namorar uma transgênera. Eu respeito os gostos das pessoas, mas essas parecem estar muito ligadas à gênero normatividade, tipo, “para mim homem tem que ser homem, é estranho feminilidade em quem nasceu do sexo masculino”, etc. Fiquei triste com respostas desse tipo embora tivesse mulheres que pareciam ser receptivas. Uma me chamou “drama queen”, um termo pejorativo, porque eu discuti sobre essa imposição binária de gênero, cissexismo na sociedade. Isso me estressou um pouco. Eu pergunto especialmente à Bruna, se conversar sobre isso com mulheres em salas de bate papo é perda de tempo e a gente pode ficar mais estressada.

    • Julia disse:

      Obrigada pelas opiniões, Lisa e Sam. Também sou monogâmica e não penso jamais em trair minha namorada pelos desejos sexuais com homens. Relacionamento aberto também não é algo que me agrada. Logo, esse meu drama é algo pra repensar caso um dia eu volte a ficar solteira. Só fico com “isso” na cabeça porque não conheço nenhuma outra lésbica que passa pelo mesmo que eu, de gostar de sexo com homens mas não se imaginar namorando/casando com um.
      Quanto à sua dúvida, Sam, eu não teria problema nenhum em namorar uma trans. Nenhum mesmo.
      Mas você pretende fazer a cirurgia? Acho que depois de operada fica mais fácil das lésbicas passarem a ser mais compreensivas com sua condição, já que tem garota que não consegue mesmo se imaginar numa relação com um pênis envolvido, por mais que você tenha todas as outras características físicas e mentais femininas.

      • Lisa disse:

        Julia

        Eu acho que você é BI! Dizer que você encontrará uma lésbica que sinta desejo por homem está em total desencontro com o que é ser lésbica! Você deveria trocar ideias com BIs, certamente elas terão mais condições de explicar como é manter um relacionamento com uma mulher e sentir desejo por homens.
        Você deve se sentir estranha com isso por achar que está traindo em pensamento a sua mulher. Na realidade não há nada demais, é a mesma coisa se uma lésbica encontra por aí aquela mulher super atraente e sentir desejo por ela, mesmo tendo uma esposa! No seu caso, você consegue sentir este desejo tanto com homem como com mulher.
        Agora é justamente neste aspecto que muitas lésbicas acabam apresentando certo receio quanto a relacionamentos com BIs! Já pensou o que é ter uma mulher que deseja sexualmente algo que você não pode oferecer! Até que ponto isso pode prejudicar uma relação?

    • Bruna disse:

      Então, Sam.
      Pra mim sala de bate papo é uma perda enooorme de tempo. Pelo menos nem pra sexo elas me serviram. ahahah
      Bom, outra coisa, é que muitas trans lésbicas me perguntam onde achar meninas que queiram transar/namorar, etc. com trans.
      Mew, desculpa, mas acho esse tipo de pergunta extremamente ofensiva (não que vc tenha perguntado, mas já estou exteriorizando, hehe), justamente pq denota uma reprodução machista de que mulher é um objeto e de que existe um lugar onde podemos entrar e escolher à vontade. Sério, somos todas seres sociais, vivemos e nos conhecemos em diversos lugares da vida,portanto não há segredo. A afetividade surge da convivência e não da “cassação”.
      Outra coisa é que devemos respeitar as meninas que têm “aversão” a nós… afinal, todas temos o direito de querer nos relacionar com quem nos interessa, independentemente dessa pessoa ser assim ou assado, e devemos ser respeitadas por nossas escolhas, sendo elas de “sim” ou de “não”. Eu não tenho vontade alguma de ficar com homens, assim como tem homens que não têm vontade nenhuma de ficar com mulheres, ou isso em todos os aspectos que podemos criar e correlacionar. É um direito.
      Mas como, analiso eu, as mulheres sofrem uma pressão menor quanto a essa questão em específico da liberdade de relacionamento em detrimento da que os homens têm, elas são mto mais receptivas a não se limitarem em relacionamentos com quem as agrada sem medo da pressão externa.

  73. Julia disse:

    Sam, agora que li seus comentários anteriores. Na verdade, você seria a namorada perfeita pra mim! HAHAHAHA.
    Vi que você não pretende fazer a cirurgia. Pensei aqui, cá com meus botões, e como eu às vezes sinto falta de pênis na relação sexual, porém, gosto de todas as outras características femininas, meu relacionamento perfeito seria com uma trans lésbica que não quisesse operar! =P
    Apesar desse tipo de desejo ser incomum (percebo isso pelo meu círculo social, a maioria das minhas amigas lésbicas realmente não conseguiriam se sentir sexualmente atraídas por um pênis), deve existir algumas outras garotas como eu, então você há de achar alguém pra se relacionar, sim!

  74. sam disse:

    Júlia e Bruna, muito obrigada por vocês comentarem. E muito obrigada mesmo, Júlia, por seu apoio. E logicamente, se a garota for puramente lésbica não vai mesmo pensar em pênis, nem de homens nem de transgêneras, isso é fato. Mas no seu caso, pelo que eu entendi, você é bi mais para lésbica, mas ainda assim bi. Tem um estudo muito importante e interessante que se chama relatório Kinsey, uma escala de orientações sexuais que vai de 0 a 6, em q as escalas 4 e 5 são homossexuais que eventualmente, ou mais q eventualmente, podem ter relações com pessoas do sexo oposto, e a 6 é exclusivamente homossexual (Escala de Kinsey Wikipedia). Eu sou bem mais ginefílica (atração por mulheres), parecida com você. No meu caso as garotas adequadas seriam as bissexuais, também heteroflex (heterossexuais que podem ter relações com pessoas do mesmo sexo ou trans eventualmente) ou homoflex (preponderantemente lésbicas mas que podem ter relacionamentos mais ou menos eventuais com pessoas do sexo oposto ou trans não operada). Não são tão poucas as garotas / mulheres assim, que não são exclusivamente lésbicas ou heterossexuais (ainda bem pra mim, haha). Júlia, mais uma vez obrigada minha querida por seu carinho e apoio. beijos! Oi Bruna, obrigada também pelo comentário. É claro que eu respeito os gostos das pessoas de aceitarem ou não uma trans para namoro, e eu sou radicalmente contra qualquer expressão ou comportamento de cunho machista. Mas a minha dúvida era se muitas não tinham determinadas respostas, gostos, influenciados exatamente por esta sociedade que muitas vezes é machista, transfóbica, homofóbica e cissexista. Tipo quando uma garota me respondeu “mas você tinham que parar de ser essa pessoa esquisita para ser aceita” (esquisita leia-se transgênera), o que pode ser um caso de ela ser influenciada por uma cultura preconceituosa. Se for só que questão de gosto é claro que eu respeito, afinal eu também tenho os meus. É claro que é um direito. Mas é triste quando esses gostos são influenciados, se é que alguns são influenciados, por idéias preconceituosas, machistas, cissexistas, dessa sociedade, de que quem nasceu do sexo masculino tem que ser macho (para não ser “esquisita”), etc. Isso é que eu tinha questionado, não gostos naturais das pessoas. Sim, muito provavelmente as mulheres sejam menos influenciáveis por culturas preconceituosas que os homens, e de fato tem muitas mulheres / garotas receptivas, que aceitam transgêneras. Eu concordo com você que relacionamentos são melhores construídos tete a tete, face a face, as pessoas sentindo a química umas das outras do que em salas de bate papo. Eu só quis fazer uma pesquisa, que até que não foi tão ruim assim, visto que tem pessoas de todos os tipos. Mas para relacionamento é melhor face a face mesmo, a garota ver nossa beleza feminina, nosso charme (desculpe se falto com a modéstia kk) e gostar da gente vendo quem e como a gente é.

  75. Sam disse:

    Ah, Bruna eu considero todos os seus comentários de uma sabedoria enorme e maravilhosa, mas refletindo mais um pouco, permita-me e desculpa discordar pela primeira vez. Procurar melhores locais para conseguir relacionamentos não é, em absoluto, machismo. Veja que mulheres também procuram homens nas salas de bate papo, nas baladas, nos points. Elas procuram saber, sim, melhores lugares para arranjar namorado. Então essas mulheres também estão sendo machistas? Gays também procuram homens em points, assim como lésbicas, trans lésbicas e bissexuais também podem escolher lugares para conhecer mulheres. Isso não é, de modo algum machismo, mas é uma característica HUMANA buscar em lugares que julgar mais fácil conseguir relacionamento, não “um ato machista de colher pessoas como objetos.” Tanto é que mulheres cis também podem fazer isso. Pessoas do sexo feminino, masculino, cis ou trans, e de todas as orientações sexuais podem querer procurar parceiro/parceira em “points” que julgar mais fácil conseguir relacionamento, o que prova não ser machista, mas do ser humano. Embora eu saiba que nem todas as pessoas procurem lugares específicos para conseguir relacionamento. Eu também acho, como eu disse antes, que relacionamento conseguimos em quase qualquer lugar, quando as químicas combinam. Sala de bate papo pra mim foi só pesquisa.

    • Bruna disse:

      Então Sam.
      O machismo não é um tipo de opressão exclusivo de homens para mulheres, mas ele serve como base para esta mesma lógica de opressão aos outros gêneros e orientações. As mulheres reproduzem o machismo todos os dias. Os homens, os gays, as pessoas trans e as cis, todas estão suscetíveis a praticar o machismo até mesmo no ato de limpar a casa. Temos é que começar a analisar sempre a coisa pela sua base. Entender porque é que acontecem. Naturalizar ações de desigualdade como intrínsecas ao ser humano, e por isso desconsiderá-las em uma discussão que vise justamente a busca da origem da opressão, é extremamente arcaico e reducionista. Mas claro, também é devido a uma outra construção social tão imperceptível quanto o machismo.
      Não somos seres totalmente naturais. Somos socialmente construídos… e o ato de reservar um lugar para a “caça” é historicamente machista, haja visto, que as mulheres não tinham a mesma liberdade de “busca”, enquanto os homens tinham total liberdade para ir às “casas de shows/massagem/etc.”.
      Claro, não podemos desconsiderar a liberdade que temos de irmos ou não buscar carinho, companhia, prazer, uma trepa em baladinhas e afins. O problema é quando objetificamos a mulher de modo a estipularmos um lugar que elas estejam aglomeradas justamente a espera de alguém… e que estudando os vários tipos de locais, decidamos ir a um deles por este objetivo. Espero ter sido clara.
      Sobre o fato de elas não curtirem por simplesmente não curtirem, ou porque vêm de uma lógica de exclusão social… bom, não sei, acho que muito do preconceito e/ou rejeição é advindo dessa segunda aí, mas mesmo assim, o que temos que fazer é respeitar, e isso não quer dizer não lutar por uma melhoria na sociedade, mas não forçar ninguém a aceitar.
      =}

  76. Sam disse:

    Me desculpem por me alongar, mas as pesquisas que fiz nas salas de bate papo não foram só motivo de “stress”, mas tenho que agradecer as garotas maravilhosas que me deram apoio e aceitação como transgênera. Algumas tornando-se minhas amigas, já que para namorar ficaria longe. E amo todas vocês aqui do blog também, a Júlia, a Bruna, a Lisa, a Kátia…

  77. Sam disse:

    Bruna, vc foi clara sim, e obrigada por responder.

  78. Sam disse:

    Hein, Bruna, os fundamentalistas evangélicos já nos acusam de querermos impor uma “ditadura gay / trans” então todo cuidado é pouco e melhor deixarmos bem claro mesmo que não forçamos nada kkkkkkkk. Mas o que eu gostaria de falar é que me parece que há alguma rivalidade partindo de algumas militantes transexuais contra as transgêneros como as travestis principalmente nos Estados Unidos. Eu li alguns blogs, como o entitulado “the incredible earnestness of being non op” em que algumas transexuais nem mesmo respeitam a identidade de gênero feminina dessas travestis (ou pré travestis) só porque não desejam a cirurgia genital. Essas transexuais se consideram superior à nós transgêneros porque elas se consideram pessoas cis em um corpo errado, enquanto que nós lutamos contra a opressão cissexista que nos discrimina enquanto travestis por exemplo. Mas não é porque se é uma travesti, portanto não desejando a cirurgia para mudança dos genitais que nossa identidade de gênero feminina não deve ser validada como o direito ao nome social por exemplo. Inclusive deve-se chamar a travesti, e não no masculino. Eu sei que não é seu caso, minha querida, amore, você inclusive vai em reuniões que buscam discutir os direitos das travestis e transexuais em conjunto.

  79. Sam disse:

    Oi, Bruna, tudo bem querida? Voltando a questão das pessoas que buscam relacionamento em lugares específicos não podemos esquecer que às vezes se faz isso porque essas pessoas tem dificuldades de arrumar parceira por algum motivo e assim poderia buscar em lugares que se suporia ser “mais fácil” conseguir relacionamento. Um exemplo seria uma pessoa muito tímida. E outros exemplos seriam os próprios LGBTTs que não se sentem à vontade de buscar parceiras / os pelo locais mainstream predominantemente héteros porque poderia ser embaraçoso. É algo que não disse da outra vez mas se encaixa nessa questão de se buscar relacionamento em locais determinados que exclui um suposto “machismo” da pessoa que busca tais lugares, às vezes pra própria segurança (no caso mais específico de LGBTTs). Linda, não nos abandona não, tá querida?

  80. anoni disse:

    Jac, procurei seu e-mail em todas as partes do blog e não achei, então a mensagem vai por aqui mesmo.

    Sou biologicamente mulher, tenho 16 anos e sérias dúvidas sobre transtorno de gênero… Na minha infância, tinha certeza de que era um menino. De masculino, só não tinha um pinto (o que não é nada determinante na infância). Mais tarde (e recentemente), aos 13/14 fui me aceitando lésbica, tenho relacionamentos lésbicos “comuns”.

    Há uns 2 meses, tenho descoberto o real mundo transsexual e estava pensando em começar um tratamento hormonal e fazer cirurgia… mas sempre volto atrás, pois tenho medo de não ser mais “aceita” no meio lésbico, sofrer preconceito da família (“ser lésbica ok, mas mudar de sexo?!”), no trabalho, na justiça… e sofro até por questões mais banais como perder minha aparência andrógina (meus amigos dizem que sou a cara da Shane do the L word rs).

    Entendo que tenho de abrir mão de muitas coisas na vida pra fazer decisões, e mesmo que pareça problema de primeiro mundo, acho que nascer com o sexo trocado é foda né. Quero um conselho, Jac 🙁 thnks desde já!

    • Jac disse:

      Meu, você tem 16 anos! Aposto que você nem tem como pagar por hormônios, cirurgias e médicos. E como você falou, vc só teve contato com o mundo trans por 2 meses.

      Então segura a onda aí e veja se suas intenções persistem por pelo menos mais 2 anos porque mexer no seu corpo é uma decisão seríssima e que pode te trazer consequencia irrevesíveis.

      Leia a entrevista da Bruna e você vai perceber que ela decidiu esperar até entrar na faculdade antes de se assumir como trans.

  81. Taciana Bernardi disse:

    Oi Bruna!!
    Olha só, sou aqui de Londrina da Marcha das Vadias e teremos uma Semana da Diversidade por aqui de 8 a 12 de abril, quero saber se você gostaria de dar um pulo aqui para falar de transexualidade/ intergênero em uma das palestras que estamos organizando!
    Meu email para te explicar melhor: tacianabernardi@gmail.com ou Taciana Bernardi no face.

    Abraços!! ^^

  82. Raziel von Sophia disse:

    Bruna, se ainda estiveres de olho nessa caixa de comments, por favor, me diga: Como foi o congelamento de sêmen? Conseguiu restaurá-lo adequadamente nos meses sem hormônios?

  83. BRITINEY KATY disse:

    Eu sou homen , gosto de travesti e de mulheres, e por gostar tanto da figura feminina eu resolvi, que vou virar travesti, so que falta grana so pobre, mas vou juntar e vou fazer minha afeminizaçao facil… vou por peitos… e tbm vou fazer um pelling tomar ormonios malhar as pernas vou deixar cabelo crescer , minhas unhas e vou ficar de cintura de barbie, arraza na baalada mesmo sabendo q vou perde minha esposa por isso kkkk !! e mais forti que eu , minha vontade ter peitos ser uma mulher . bem eu vou explicar sobre min eu vou faazer isso por fato de olhar no espelho e nao sentir feliz a imagem de homen nao me agrada nem um poco e de mulher sim entao eu vou virar assim eu vou me alto agradar, e assim tbm sofre de mais mas to desposto a fazer isso custe o que custar quero ser divaa um beijo a bruna vc e mo gostosa eu queria te cume flw

  84. Edimilson Gomes disse:

    Olá a tod@s! Vi que a discussão é antiga, desde os idos de 2011… mas passei minha tarde inteira de domingo lendo a reportagem e os posts, simplesmente amei a história da Bruna! Gostaria de me corresponder com ela de algum modo, se for possível… por email, pelo blog, por sinal de fumaça… rs… simplesmente apaixonante essa história de vida! Nem vou entrar nos méritos da discussão “sexualidade, identidade de gênero e preconceito”, pois muito já foi dito e daria pra escrever uma bíblia sobre isso. Mas, sou estudante de Psicologia e busco conhecer e criar vínculos de amizade com pessoas de mente evoluída como todas aqui. E tenho minhas questões individuais de sexualidade e gênero também… acredito que todo mundo tem. Posso estar numa situação semelhante à de tod@s @s comentarist@s aqui, ainda não tenho certeza. Apesar do meu corpo masculino, sempre tive uma identidade feminina muito forte, e sei como é complicado isso… e quero direcionar minha graduação em Psicologia para este tema, quero demais poder ser atuante neste mundo maravilhoso da diversidade sexual. Menin@s, meu email é ed4.1s@bol.com.br, ficaria imensamente feliz em fazer amizade com todas que aqui debateram suas idéias. E queria muito poder me corresponder com a Bruna… ela é demais de maravilhosa.

  85. Rafael disse:

    Olá Flexões Lésbicas desde já um salve a todos, me chamo rafael e tenho 24 anos… Nossa fiquei completamente fascinado pela história da Bruna, me fez crer que não estou sozinho nesse mundo. Passo pela mesma situação, desde criança sinto desejo de ser uma mulher, então acredito que eu tenha características transexuais, mas com o mesmo detalhe de Bruna… Eu gosto de mulheres!

    Sempre tive uma identidade feminina mt forte, mas nunca tive coragem para assumir isso então eu vivo preso em um corpo masculino. Nunca disse isso pra ngm pois nunca conheci alguém que pudesse conquistar totalmente minha confiança e também não me sinto preparado pra enfrentar as perdas inevitáveis de família, amigos e namorada.

    Queria mt me contactar com alguém que entenda minha situação ou viva uma semelhante, no caso da Bruna.

    Bruna, se vc algum dia ler esse comentáriopor favor, mandei um email para mim, eu ficaria extremamente grato e feliz pela oportunidade que vc está me dando de poder te conhecer: rafafigueiredo@outlook.com.br

  86. Lili disse:

    Oi gente, sou hetero, mas ficocom garotas as vezes haha e adoraria conhecer garotos que nasceram em corpos femininos. Acho eles sempre muito sexy rsrs . espero que gostem de mim. meu e-mail é lilidocevidadf@gmail.com

  87. Vini (Por enquanto (¬_¬") disse:

    AHHH!
    Adorei o post e as respostas, amo ler sobre essa matéria (entrevistas com transexuais), pena que eu não sei onde encontrar mais… Eu também sou trans, 18, e tenho uma dúvida…
    Hm, qual idade vc recomenda para fazer a cirurgia e quando começar o tratamento hormonal (não quero conviver muito tempo em um corpo de homem ¬3¬”)?

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