A Palavra L

Qual o problema com a palavra L? Por que todo mundo evita pronunciá-la?

Alguns anos atrás, uma pessoa que estava conversando comigo quis me indicar uma pessoa numa multidão. Como é de praxe, ela tentou dar referências físicas. A primeira dica era que a pessoa era morena. Comecei a olhar e pelo menos uns 80% das pessoas no local tinham cabelo preto, então não consegui localizá-lo. Fui pedindo mais referências até que descobri que a pessoa que estava comigo usava “moreno” como “negro”.

Esse episódio foi bem marcante para mim porque eu descobri uma coisa: as pessoas evitam ao máximo chamar alguém de negro. E para mim isso sempre foi um incômodo. Primeiro, para mim “moreno” sempre era uma referência sobre a cor de cabelo de alguém, idenpendente se a pessoa é branca, negra, indígena ou asiática. Segundo, o comportamento das pessoas de evitarem chamar alguém de negro passava a impressão que ser negro era algo ruim, um xingamento, por isso amenizavam com a palavra “moreno”.

"Você não quer me ofender e por isso evita me chamar de negra?"

Eu nunca evitei chamar alguém de negro, por que eu quero que essa palavra só indique a cor da pele da pessoa. Não quero forçar a barra evitando a palavra N como se eu considerasse que “negro” implicasse que a pessoa era mais isso ou menos aquilo.

E é exatamente essa a questão com a palavra lésbica. Muitas pessoas tentam a qualquer custo evitar essa palavra.

Mulher Gay? Ahhh, você quer dizer lésbica!

Eu demorei muito tempo até entender a genialidade do nome da série lésbica mais famosa. Quando eu comecei a assistir, láááá no meu tempo de new-lesbian, eu sempre confundia o nome da série com “The L World” porque para mim fazia muito mais sentido aquilo ser um MUNDO do que uma PALAVRA.

Mas com o tempo e a experiência, eu percebi a grande sacada do nome. Não é porque L é de Love, e não de Lesbian, porque a série é sobre, acima de tudo, amor e blablabla. Me poupem, né? The L Word porque a palavra L é ofensiva, chocante, impronunciável numa grade de programação. Assim como a idéia de lésbicas numa série de TV. Assim como lésbicas na sociedade.

Eu até chego a entender porque pessoas heteros tenham receio de usar a palavra lésbica. Da mesma forma que pessoas brancas tenham receio de usar a palavra negro. Não concordo, mas entendo. São palavras que há muito tempo vinham carregadas de conceitos pejorativos. Mas a palavra lésbica ainda tem uma barreira muito maior a romper do que negro.

Na minha casa, por exemplo, até eu me assumir a palavra para designar lésbicas era “sapatona” (sim, posso falar de “preconceito da sociedade” porque eu cresci numa família ideal para aprender preconceitos de sociedade). Depois, esse conceito deixou de existir. Ninguém tinha problema algum em falar sapatona, mas usar a palavra lésbica JAMAIS! Seria como validar minha existência lésbica e minha sexualidade. A sociedade pode nos ofender, mas nos reconhecer é outra história.

O blog de tirinhas Mulher de 30 tem uma personagem lésbica - o que é muito bom - mas ela é descrita como "personagem GAY".

Outro exemplo é o MTV Luv que consegue fazer uma programa de 50 minutos e 46 segundos sem pronunciar a palavra L.

Por isso, o que me deixa realmente irritada é quando lésbicas não falam lésbica. Se nós mesmas temos receio de usar a palavra lésbica, como se isso indicasse algo ruim, como podemos cobrar que os heteros não sejam preconceituosos se nós mesmas não nos aceitamos pelo que somos: lésbicas?

De certo você pode se justificar dizendo que não gosta da palavra lésbica. Você realmente acredita que seu único problema com a palavra lésbica é a sonoridade? Que viver numa sociedade que se recusa a falar essa palavra não te afetou em nada?

Não gosta de falar lésbica? Okay. Mas não acredite que isso é mero gosto pessoal. Não é uma coincidência que tantas pessoas não gostem de “lésbica”. Reconheça seu preconceito, pelo menos.

Existem vários termos e derivados na nossa comunidade para evitarmos a palavra L: fancha, sargento, sapa, sapatilha, sandalinha, biscoito bolacha, trucker, dyke, caminhoneira, potcha, 44, entendida, cola-velcro, melissão, chupa-charque, pereirão, racha, yuri para as otakus, fufa para as portuguesas, arroz (porque cola uma na outra) para as sergipanas … Não me incomodo com os termos, mas existe um específico que além de não nos ajudar, nos prejudica: gay.

Para começo de história, nós não somos gays. Não somos homens, nem somos atraídos por homens. Somos mulheres e somos atraídas por mulheres. Nós somos o exato oposto de gays.

Outra questão é que nós não podemos nos esconder embaixo do nome gay. Já basta a predominância masculina na sociedade hetero. Nós somos lésbicas e nós temos nossa própria (sub)cultura. Arco-íris, unicórnios, rosa, drag queens, Madonna, saunas não fazem parte de nossa identidade. Assim como MPB, xadrez, luta no óleo e relacionamentos a distância não fazem parte da identidade gay.

Nós temos uma única coisa em comum com gays: nós amamos pessoas do mesmo sexo. E para isso existe o termo homossexual, que é uma categoria acima de gays e que nos abrange.

Gay não é sinônimo de homossexual! Nós existimos também!

E se você acha que gay é uma palavra que vai nos fazer sofrer menos preconceito do que lésbica, se pergunte: a palavra “gay” é aceita hoje em dia porque gays evitavam usar essa palavra? Gay nunca foi uma palavra ofensiva? Gay não é uma palavra que desmerece os conceitos de masculinidade (gay significava alegre, além de ter uma sonoridade fofinha… Não parece coisa de machão, não é?)?

Então vamos parar de viadagem (cof) e vamos abraçar a palavra que nos liga aos nossos primórdios na ilha de Lesbos! Eu tenho a palavra L na boca e não tenho medo de usá-la!

PS. É válido ler esse post também;

PS2. Semana que vem começa o Miss Lésbica com os melhores prêmios que o meu dinheiro pode comprar. Então aguardem!

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49 respostas para A Palavra L

  1. Luar disse:

    Porra,infelizmente é essa a realidade.

  2. @niveaclaro disse:

    tbm noto q muitas garotas preferem usar o gay como se isso deixasse sua sexualidade menos evidente
    bobagem

  3. Mari disse:

    Eu realmente não entendo o problema em falar “lésbica”, nunca tive problemas com a palavra, nem mesmo quando eu achava que era hétero, talvez porque nunca encarei a homossexualidade como uma coisa ruim. É claro que uso muitos dos outros termos pra denominar lésbicas mas nunca como uma forma de fugir do próprio termo, na verdade, eu nunca tinha me tocado que algumas meninas lésbicas fogem da palavra (que os héteros fujam a gente até entende) e de fato é importante usar esses mínimos detalhes como uma forma de afirmação.

  4. Zeli disse:

    Não uso muito a palavra por que nao gosto da sonoridade não por achá-la pejorativa e talz.
    Acho pesada, difícil de pronunciar.
    Prefiro sapatão mesmo

    • Brisa disse:

      Difícil de prenunciar? Só aceito essa se você for gaga, tiver a língua presa ou algo desse tipo, francamente…

      • Zeli disse:

        Pois é, querida Brisa. Não sou nem uma coisa nem outra, falo a palavra L sem engasgar, mas continuo achando difícil pronunciar e gostando menos dela agora depois do seu comentario. =(

        • Mauana disse:

          A lingua portuguesa tem palavras horríveis de se pronunciar, com sonoridades beirando a cacofonia, e vc vem me dizer que acha lésbica feio e prefere chamar de “sapatão”? pra que mais pejorativo que “sapatão”?! Amiga, eu calço 39 e sou hétero, minha amiga calça 33 e é lésbica. Qual é o sentido de chamar a menina de sapatão, se ela não tem o pé hororrosamente grande feito o meu?! É MUITO pejorativo chamar de sapatão, ou aquela abreviação horrível “sapa” já que a minha mesma amiga não mora no mangue. Se eu te chamasse de escrota em vez de Zeli, pq Zeli é um nome horroroso vc gostaria? Acho que escrota é muito mais sonoro. Ah Sim, meu nome é ridículo, mas eu não gosto que me chamem de outra coisa (inclusive as pessoas tem a triste mania de querer mudar meu nome propositalmente) pq esse é o MEU NOME e diz quem eu sou. Assim como as Lésbicas são LÉSBICAS e isso diz o que elas são. Esse povo que inventa nome pras coisas me lembra o menino maluquinho, que inventava uns nomes bizarros e confundia todo mundo…

    • Mari disse:

      Eu também prefiro “sapatão” a “lésbica”, não sei explicar o motivo.

  5. Ta disse:

    Gostei muito do poste, super verdade Jac.

  6. Bethinha disse:

    Eu gostei do post.
    Confesso que também confundia o nome da série “The L Word” e fiquei impressionada quando percebi meu erro depois, heuheu :O
    E sobre a palavra em si, sempre achei estranho chamar as garotas de ‘gays’ e ficava pensando a respeito… porém, pensando em outras palavras (e ignorando lésbica). Nunca gostei do termo “sapatão” e até hoje me pego dizendo que ‘fulana gosta de meninas’ em vez de usar uma só palavra. Em certas situações, acho que falar desse modo pode fazer com que a conversa se torne mais compreensível… mas isso tudo me faz pensar que preciso assumir mais a Ilha de Lesbos, hahaha =)

  7. Brisa disse:

    Aaaah, eu acho Lésbica uma palavra tão bonita! Pra mim, uma lésbica que tem receio de usar a palavra é porque ainda tá naquela fase de auto-aceitação.

  8. Julia disse:

    A questão é que não somos nós, lésbicas que achamos a palavra pesada demais pra se falar, e sim a sociedade hetero que ainda não está preparada para ouvi-lá!

    • Stella disse:

      Da mesma maneira que a sociedade não estava para ouvir a palavra gay. Mas eles fizeram isso por eles e nós faremos isso por nós, lésbicas.

  9. larissa disse:

    Eu sempre entendi gay como sinônimo para homossexual, então acho que por isso sempre achei natural uma mulher homossexual usar a palavra gay para se identificar.
    Mas Jac tem razão com relação a palavra “lésbica”, realmente se evita utilizar. E quando se fala, pensando aqui agora em conversas que já tive, acho que se fala com um tom diferente, mais baixo, mais sorrateiro, ou mais rápido pra acabar de pronunciar logo. Ou então quando é online, não se fala o nome todo, fala só “les” ou algo do tipo.
    É tenso quando você para para pensar.

  10. Ursula disse:

    Meu amigo me perguntou: “Porque você quer se assumir?” Eu respondi: “Porque quero sabem quem são meus amigos de verdade!. ”
    Preconceito é um lixo, principalmente quando parte de alguém próximo de nós. mas quando vem de dentro de nós, é muito triste.

  11. Danie =D disse:

    Acredito que muito dessa cultura obscura de não gostar de falar LÉSBICA vem de dentro de casa, aconteceu cmg sei que muitas devem ter sentido isso. Minha mãe no começo falava LÉSBICA de um jeito tão pejorativo, tão carregado de ódio me fazia sentir culpada, má. Adorei a abordagem que deu ao assunto principalmente ao fato de quererem nos APAGAR da sociedade.

  12. Olá meninas,primeiro comentário aqui no blog..

    O post foi ótimo,super verdadeiro.

    ps.: Adorei o blog,li outros posts mais antigos…Parabéns!
    Bjos

  13. @ainatty disse:

    Já experimentei falar lésbica aqui em casa. Mil olhares de reprovação com a palavra e alguns ‘argh’. Outro dia vi um vídeo da atriz Jill Bennett falando sobre isso, e no pouco que entendi do vídeo, baseado no meu inglês nível ~survivor~, ela fala mais sobre essa questão da sonoridade da palavra e diz que prefere pronunciar ‘dyke’. Comumente ouço mais “sapatão” ou “sapatona” entre conhecidos e familiares, é a triste realidade, mas sempre acabamos buscando um sinônimo já existente ou um neologismo interno para nos referirmos à palavra lésbica.

  14. Vivi Côrtes disse:

    Até os meus sete/oito anos eu não sabia que era lésbica a palavra correta para denominar as tais mulheres que gostam de mulheres. Eu só escutava dentro da minha casa a palavra “sapatão”, sempre sendo usada de forma pejorativa. Quando finalmente descobri que o certo é lésbica, fiquei com um certo preconceito de dizer “sapatão”. Acho muito mais bonita a sonoridade da palavra lésbica do que a sapatão.

  15. Sam disse:

    Adorei o blog, adorei o texto e concordo totalmente com você.

    Beijos.

  16. kah_ disse:

    Olha.. Na minha cabecinha, a palavra “gay” significa “homossexual”. Então não vejo problema se alguém quiser usá-la. Mas reconheço que há um certo receio das pessoas em usarem a palavra realmente correta que é Lésbica. Parece que lésbica é uma palavra que leva direto à promiscuidade, putaria, fica parecendo que ser lésbica é algo errado. Moro em Porto Alegre e aqui no RS as pessoas têm o costume de chamar mulheres que gostam de mulheres de machorras. Se fosse sapatão eu acharia até bonitinho, mas machorra é demais pra minha cabeça. Além de ser uma palavra extremamente feia é muito ofensiva. Não sei como alguém tem coragem de pronunciar uma merda dessas. Isso sim me envergonha.

    OBS.: Sou negra e achei corretíssimo o que tu falou sobre as pessoas terem essa mania de chamar os negros de morenos.. Ou pior ainda: gente de cor. Puta que pariu, isso me deixa muito puta!!! Por favor, me chamem de preta, pretinha, negona, negrinha etc. Mas não me chamem de “gente de cor”.

  17. Bel disse:

    Eu acho a palavra sapatao ofensiva, preconceituosa. Prefiro abreviar o lesbica, para les.

  18. Sadie disse:

    Jac,
    Você me faz pensar em coisas que sem você eu não pensaria.
    Acho a palavra Lésbica sexy, ‘sonora’, já disse sexy?
    Imagina aquela gata chegando em você é perguntando, você é gay?
    Aí você responde: Sou léeesssbica, quer provar?
    (…)
    Então. Defendo até o último suspiro a diversidade de gostos e nomes, eu mesma adoro sapatão, caminhão, psiu, gostosa e ainda acho que se você liga pouco para besteiras elas ligam menos para você.
    Maravilhoso post. Vamos marcar um almoço e falar lésbica bem alto na rua XV?

    Beijo seu!

  19. Adoro o blog.Sempre Otimos Post.

  20. Jac + antiga q vc disse:

    Olá xará!
    P/ eles, falar gay ficou chic pq é americanizado.
    P/ ficar + fofinho, tem o apelido… lés, até algo melhor aparecer.
    bj

  21. Alice disse:

    Apesar de ser bi(na vdd estou em dúvida) eu adoro a palavra lésbica, acho bem melhor do que como falam aqui em casa: machuda, êca, odeio essa palavra…
    Prefiro dez mil vezes lésbica, acho gostosa a palavra, qto às outras dá um tom meio masculinizado e não somos necessariamente masculinizadas… Aff =/

  22. Clara disse:

    Verdade, isso tem um pouco a ver comigo, já namorei 2 garotas (tenho 12 anos mas aparência de 14 ou 15) o primeiro durou um ano e alguns meses e o segundo apenas 1 mês. Eu gosto de mulheres mais masculinas, e foi por isso q meu primeiro relacionamento durou mais, a menina era masculina mas nem por isso deixava de pensar como uma mulher. Eu meio que não queria dizer e me admitir com a frase ‘sou lésbica’ mesmo sendo. De qlqr forma, acho q é por isso que prefiro as masculinas…bem, tenho nojo de homem e prefiro ser a ‘mulher’ do casal lésbico. Mas isso ñ tem nada a ver em ser ou ñ lésbica né? Quem quiser add no msn é anaclarabutterfly@hotmail.com pfv me ajudem pra saber se eu tenho nojo de homem ou algum tipo d preconceito comigo mesma…

  23. Déborah cristina disse:

    puta que pario,minha mãe acha que lesbicas e gays são nochento e eu vou virar bi hoje me envie um e-mail dedemilk@r7.com

  24. Caroline disse:

    Olha o video que eu fiz pra minha namoradaa 😀
    minha mae surtou mais nem tem nada demais –‘
    eh puro preconceito

  25. barbarete disse:

    Eu falo lésbica, prefiro. Gosto da palavra inteira, da sonoridade.
    Mas não acho que gay seja usado pra “amenizar” a homossexualidade de uma mulher. Em português, estamos mais acostumados a usar a palavra gay pra nos referir a homens homossexuais. Mas a palavra vem do inglês e serve pra ambos os gêneros. Existem mulheres gays. São lésbicas. E homens gays. Que não tem um nome só pra eles :/
    Além disso, a palavra gay significa, originalmente, alegre. Ou seja, o significado é uma gracinha. Acho super válido usar gay pra mulheres também. Os outros apelidos, acho meio grosseiros, até porque são geralmente usados de forma pejorativa.

  26. Carlos disse:

    Muito bonito!
    Eu mesmo (homem) reconheci que é verdade… mas nunca tive medo de dizer Negro por preconceito direto, o problema é que tenho medo de hipocrisia e de alguém pensar que se digo “aquele ali, o negro” sou preconceituoso e a única coisa que enxergo na pessoa é a cor.
    Se é alguém que não conheço nem um pouco, como posso dizer: O generoso ali? O esperto ali? O educado? O gentil? O bravo?
    Na escola uma vez uma professora disse algo assim:
    “Hoje vou contar a vocês uma história muito bonita! É sobre preconceito. Dois rapazes estavam conversando, até que se despediram. Um deles foi encontrar um amigo que já estava chegando, e esse amigo disse assim -Ué, nunca vi aquele negro com quem você estava falando, é do serviço?- E o outro respondeu -Que negro?- e seu amigo disse -Despediu-se dele agora!- então: -Ah, mas nem vi que era negro, só vi que era boa pessoa!.”

    Eu gritei -Que preconceituoso e nojenta essa história, como alguém não repara na cor do outro?
    Finalizando dizendo que só uma das características eram dignas de se perceber?

    Bom, com as lésbicas é o mesmo caso, mas gosto de sapacaxa e biscoiteira, não dispensando lésbica. A primeira é engraçada porque é presente em uma música a segunda pra aquelas que enxergam um grupo de mulheres como um pote de biscoitos (pegadora) e a terceira mais respeitosa, claro… Afinal, minha intenção é uma brincadeira, nada de ofender!

    Legal é se essas Cindelescas decepcionarem as fadas madrinhas mostrando que não precisam de magia, que o negócio é garra e guerra, músculo e suor e que príncipe é pros fracos.

    Lésbicas, Lesbianas, Lesbians sem vergonha e sem medo, pra detonar com o futuro, que ter preconceito contra si é dar brecha ao próximo, virar a outra face é pra quem desistiu, esse tapa na cara da sociedade tradicionalista é pra virá-la ao avesso, para que entendam e aceitem não só a vocês, mas a verdade.

    Boa sorte pessoal!

  27. Maah disse:

    Pior que é verdade isso é a maior putaria!!
    (eu tb achava que era The L world).
    Eu comecei a rir depois de ver que Xadrez faz parte da nossa identidade(será que se eu usar só xadrez pego alguem???)

    E eu que sou Lésbica e Negra como faz??? vou fazer um codinome: LN
    Eu corrijo as pessoas na cara seca qndo falam “você que é morena” e depois todo mundo diz q nao tem preconceito.
    É fodis.

  28. Nanni de Moraes disse:

    flou td ^^

  29. Aline disse:

    “Arco-íris, unicórnios, rosa, drag queens, Madonna, saunas não fazem parte de nossa identidade”

    Sou lésbica, mas tirando as saunas, adoooooooro isso tudo e compóe minha identidade, rsrsrs. Mas das minhas amigas lésbicas não. Dizem que mora uma diva em mim.Então sou a exceção.

    Acho a palavra lésbica, sonoramente falando, um horror. E quando é carioca falando, então, rsrsrs (minha ex) Mas se é a palavra, tem que ser usada! Sou LÉSBICA e pronto!

  30. Gabby disse:

    Nunca tive nenhum problema com a palavra lésbica. Aliás, eu adoro essa palavra, e sempre a uso, e se alguém vem me perguntar eu digo que sou LÉSBICA. E adoro tb dize-la em inglês, lesbian, pq é muito sexy. E brinco com a palavra , e mudo, e chamo lez, lezzie tb. Se o problema é a palavra em si, é pq em português ela tem uma sonoridade engraçada pra mim hahaha

    Agora ,termos como sapatão, sapatona entre outros eu acho uó, até pq sou lesbfemme ao extremo e detesto qualquer coisa que associe esse jeito diferente de amar a sensações e percepções masculinas. Afinal se eu gostasse de homem eu não seria LÉSBICA e por isso amo tudo que é FEMININO. Amo mulheres femininas, lindas e sensuais. Não curto nada em uma mulher que possa me lembrar minimamente que homem existe. Não sinto atração por eles, e sobretudo eu não quero ser igual a eles na minha maneira de me vestir e nem de agir. Tá, já podem me chamar de fresca hahahahaha

  31. D. disse:

    nunca tinha refletido tanto sobre isso, amei seu texto.

  32. Ana Raquel disse:

    Putz….é verdade, Jac. Gentem, no início quando eu estava me descobrindo (19 anos, é eu demorei pra cair na real) eu tambem tinha receio com a palavra lésbica. Sempre desgostei da palavra “sapatão” acho meio grotesca ainda mais porque sou femme (tá bom, às vezes estou numa vibe meio tomboy, mas aí e só no modo de me vestir). Por isso meus amigos me chamam carinhosamente de melissa ou de lésbica mesmo. Fui criada num lar cristão, ambiente perfeito pra cultivar preconceitos. Nossa, não podiamos sonhar em pensar em pronunciar a palavra “gay”…sapatão então…lésbica?..vish. Boa parte de meus amigos sabem de minha sexualidade, minhas irmãs e minha sobrinha, mas nunca falei com meus pais. Sei lá acho que eu conto quando eu conhecer alguem que eu queira trazer pra casa ou quando eu sentir que quero/ preciso. Vai ser um desastre, normal neh..??Hoje em dia não me incomoda falar lésbica e admitir que sou uma…num é que eu tomei gosto pra coisa 😀

    Ahhh e quanto ao seriado The L Word, eu tava super em inicio de carreira (ainda estou pq me descobri aos 19 mas só dei meu primeiro lesbian kiss aos 22, ou seja, este ano pq continuo com essa idade rsrs) e tava procurando uns seriados, filmes com tema lésbico quando eu vi o título do video no youtube. De cara eu já saquei que se o nome era The L Word então é pq teria uma boa dose de lésbicas! Fiquei suer feliz em char temporadas inteiras no youtube, foi meu jackpot, pois nunca tinha visto cenas lésbicas tão quentes. Wow reparem quantas vezes eu falei “lésbica” nesse comentário…

    I’LL SAY IT ONCE AND I’LL SAY IT LOUD:
    I’M A >>>LESBIAN<<< AND I'M PROUD 😉

  33. AVISO: meu comentário vai ser grande, espero que isso não seja um problema.

    A primeira coisa que fiquei pensando foi se devia escrever aqui ou mandar e-mail, mas achei por bem colocar aqui mesmo nos comentários, pra que outras pessoas possam ver e dar seu pitado.

    Bom, oi, com licença pra me meter aqui nas suas coisas.
    Sou lésbica, negra, tenho 25, sou de BH/MG e moro em SP (ao contrário da sua cidade, aqui tem 30 lésbicas por metro quadrado). Jornalista em formação, casada com uma mulher que tem uma filha de 5 anos, que é quase minha filha agora, já que estamos, a duras penas, tentando juntar nossos três corações e formar uma família de verdade.
    É muito difícil se estabelecer como família homoparental, jovem e pobre. Mas estamos na nossa luta todos os dias.

    Conheci seu blog ontem através de uma indicação na lista de discussões das Blogueiras Feministas e já li uns 15 posts pra me inteirar e ~começar~ a ter opiniões a respeito do que vc escreve.

    Em geral gostei bastante, mas uma coisa me incomodou, que aliás vc avisa isso na página ‘blog’: as generalizações ou rótulos, não sei o melhor nome.
    Tenho a impressão de que isso mais atrapalha do que ajuda, pq acaba limitando as coisas e restringindo a natureza humana, que é tão diversa e plural.
    A linguagem é muito poderosa e as palavras constroem realidade, e principalmente pra um blog, que trabalha tanto com palavras, EU acho que esse cuidado deve ser tomado.

    Outra coisa, específica para esse post aqui, é a sua fala “Mas a palavra lésbica ainda tem uma barreira muito maior a romper do que negro.”
    Como eu observo e dou meus pitacos nos movimentos negro, feminista e LGBT, eu tenho notado que existe uma rixa entre os dois pq já existe uma lei que criminaliza o racismo, existem cotas para afrodescendentes em algumas universidades e o movimento negro brasileiro é organizado há muito mais tempo que o LGBT.
    E essa rixa só atrapalha a militância, pq poderíamos ser mais unidos e gritar em uníssono, mas acabamos nos dividindo e perdendo força e voz.
    Acredito que essa sua colocação, de que a palavra negro tem uma barreira menor que a palavra lésbica, vem dessa cultura de rivalizar esses dois movimentos. É como se os gays precisassem mais de atenção e os negros devessem se recolher um pouco, já que conquistaram algumas coisas e podem sair dos holofotes por hora.
    Não sei se é possível medir sofrimento, opressão, dor e tristeza. A história de opressão dos negros no Brasil é tão cruel e ostensiva quanto a opressão de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis, mas elas se dão de formas diferentes e com mais ou menos força em determinados momentos da história.
    Enfim, não to querendo ser chata, são só reflexões e impressões que eu tenho.

    Sobre os elogios que eu tenho: gostei muito da sua linguagem e da forma que vc escreve, bem humorada e leve, fácil de entender.
    Gostei dos temas e da sua sinceridade nos posts.

    Enfim, já me alonguei demais.
    Apesar das ressalvas, curti seu blog, como há muito não tenho curtido nada pela web.
    As coisas por aí parecem tão massantes que eu começo a ler e logo mudo de página.
    Mas no caso do seu blog eu consegui ler alguns posts seguidos sem ficar entediada, e isso é bom.
    Acho que isso é coisa da nossa geração, a geração Y, e qualquer coisa que consegue prender a atenção mais que outras tem grandes chances de ter muito sucesso.
    Parabéns, continue com seu trabalho que eu vou continuar acompanhando de perto.

    Abraços.

    • Jac disse:

      Respondendo um tópico por vez:

      “Em geral gostei bastante, mas uma coisa me incomodou, que aliás vc avisa isso na página ‘blog’: as generalizações ou rótulos, não sei o melhor nome.
      Tenho a impressão de que isso mais atrapalha do que ajuda, pq acaba limitando as coisas e restringindo a natureza humana, que é tão diversa e plural.”

      Se eu não “rotular” eu fecho o blog. Eu vou escrever sobre o que? Lésbicas? Rótulo. Feministas? Rótulo. Pessoas? Rótulo. Seres vivos? Rótulo. Terráqueos? Rótulo.

      E tampouco vou ficar na lenga-lenga, nesse vai-e-volta, fala-mas-não-fala de “tem algumas lésbicas que são assim, mas nem todas – não quero generalizar”. Odeio fazer isso.

      Fora que é muito curioso que as pessoas só falam em “não rotular” quando é para coisas que elas julgam (mesmo inconscientemente) negativas – tipo lésbicas. Ninguém se recusa a ser rotulado como ser-humano, como jornalista, como palmeirense ou qualquer coisa assim. Enfim, fiz um post inteiro sobre Rótulos.

      “Acredito que essa sua colocação, de que a palavra negro tem uma barreira menor que a palavra lésbica, vem dessa cultura de rivalizar esses dois movimentos.”

      Rivalizar? De jeito nenhum. Mas acho bom comparações, porque o movimento LGBTT tem muito a caminhar para alcançar o patamar do movimento negro e feminista (e considero esse dois em patamares diferentes). Cada patamar tem suas próprias dificuldades e seus benefícios. E eu realmente acho que no quesito “palavra” ainda temos mais dificuldade – é uma impressão de vivência minha.

      Só que eu não incluo aí uma comparação “é mais dificil ser lésbica do que negro”. Existem um bilhão de outros aspectos para serem analisados como aparência, representação na mídia, histórico de opressão, formas de violência física, acesso a educação, etc, etc, etc A “palavra” para descrever o grupo (veja, um rótulo) é só um aspecto desses (longe de ser um dos mais importantes).

      Eu confesso que tenho pouco conhecimento sobre o movimento negro e sobre como é ser negro, então jamais me arriscaria a fazer alguma comparação de “qual o grupo em pior estado”. Prefiro me focar em quais os pontos em comum (tanto que comecei o post falando sobre a palavra “negro”) e nas experiencias que poderíamos aplicar ou evitar.

      “Sobre os elogios que eu tenho: gostei muito da sua linguagem e da forma que vc escreve, bem humorada e leve, fácil de entender.
      Gostei dos temas e da sua sinceridade nos posts.”

      Que bom que teve um elogio no final :p

      “Apesar das ressalvas, curti seu blog, como há muito não tenho curtido nada pela web.”

      Que bom! Volte sempre (e comente)! o/

      • Não leve a mal meus comentários, por favor.
        Sou mais habilidosa em observar os pontos negativos que os positivos, e só me dou ao trabalho de fazer isso no que acho que vale a pena.
        Isso é meio “advogado do diabo”, mas juro que não tem nenhuma intenção destrutiva.

        Ainda não li o post sobre rótulos, vou caçá-lo por aqui e talvez eu comente mais por lá se sobrar algo que eu ainda não disse rsrs.
        Mas a coisa dos rótulos eu acho arriscada pq escrever e publicar conteúdo carrega uma responsabilidade imensa.
        Para quem lê, muitas vezes, uma opinião é tomada como verdade. O peso do que vc diz é imenso.
        Não que vc tenha obrigatoriamente que aceitar essa responsabilidade, mas não dá pra negar que esse fardo está aí, mesmo que vc o rechace.

        Tomar o cuidado de ser mais universal, de abranger mais pessoas, de alcançar identificação com uma quantidade maior de pessoas garante a longevidade e a audiência do seu blog.
        Ou de, no caso de vc escolher um nicho para se referir, tomar o cuidado de dizer: estou falando dessas pessoas Y, apenas, lembrando que existem a X e as Z, a que não vou me referir.

        Dizer que ~todas as lésbicas são assim~ é arriscado, pq existem as que não são. E nesse caso, não é apenas com coisas negativas.

        Uma menina lésbica ou bissexual que acesse algum conteúdo seu e discorde do que vc diz não vai mais voltar, pq aquilo não faz parte da realidade dela.
        Uma menina hétero que não tenha contato algum com o mundo L vai ter ideias que não são 100% reais e isso só reforça estereótipos negativos.

        Complica mais ainda se vc for pensar em uma transmulher lésbica, para a qual quase nada das experiências de uma mulher biológica faz sentido?

        Mas isso são apenas provocações, não vou vir aqui e começar a cagar regra sobre o que vc deve ou não fazer com o SEU blog.

        Curti e vou me tornar freguesa assídua, e comentarei quando achar que tenho alguma coisa relevante pra acrescentar.

        Sucesso!

        • Lisa disse:

          Não acredito que a Jac tenha tido a intenção de rivalizar os movimento negro, feminista e LGBTT, com comparações negativas, até porque como lésbicas também fazemos parte do universo feminino e dentre as lésbicas estão inseridas as negras, portanto fazemos parte do todo. Ela analisou a forma com que as pessoas se referem às lésbicas e aos negros. E certamente há um diferencial por consequência das conquistas alcançadas pelos próprios movimentos. Recentemente eu observei um exemplo disto: quando falamos sobre racismo, todos são unânimes em dizer que não é racista, isto é ser politicamente correto! Mas mencionar homossexualidade, as pessoas dizem que respeitam, mas orientam seus filhos dizendo: que não é normal, mas temos que respeitar! Não são a favor da adoção, pois podem influenciar a criança!
          Os movimentos estão em momentos distintos, eu sou de uma geração que como mulher a minha principal luta foi conquistar uma profissão, ter minha independência, não ter que depender de marido (se tivesse me casado!) e suportar uma submissão até o fim, com um monte de filhos! Se hoje é natural para uma lésbica se descobrir na adolescência, fazer faculdade, ter seu próprio carro,etc., é resultado do movimento feminista (E olha que não sou velha! Esse rótulo também é horrível!)! Até bem pouco tempo o homossexualismo era doença para a medicina! O nosso movimento, se observarmos, tem hoje em dia maior visibilidade, devido à globalização, a internet.
          Eu particularmente admiro muito a Jac, ela é corajosa, ela não faz ressalvas em tocar em assuntos controversos, é o objetivo dela e os comentários existem justamente para as discussões entre os leitores, afinal “Toda unanimidade é burra.” Nelson Rodrigues. Ela também é bastante impetuosa, o que ela pensa, ela fala! Não faz rodeios! Se você não tiver esta percepção, pode ficar até magoada! Acho que as leitoras de maneira geral precisam ter mais sensibilidade em conhecer uma pessoa pelo que ela escreve (não é o seu caso, Zaira! Você é nova neste site.)! Este site é ótimo! É um espaço que criamos vínculos, isto é inevitável! É humano! Temos a liberdade de expressão!
          Peço desculpas por me intrometer no assunto, espero ter colaborado!
          Bjos

  34. Entendi o que vc disse Lisa, e não encarei de forma negativa não, ao contrário.
    E não tem problema se envolver na discussão. Se não quisesse isso teria mandado email para ficar privado.
    =D

    O que eu coloquei sobre rivalizar os movimentos não foi especificamente sobre a Jac, mas de uma forma geral.
    É uma impressão que eu tenho, justamente pq as conquistas do movimento negro até esse momento são maiores que as do movimento LGBT (a criminalização do racismo é a maior delas, em detrimento da criminalização da homofobia), é como se fosse houvesse um certo rancor do Mov LGBT em relação ao Mov Negro, pq mesmo com “todas essas conquistas”, eles não saem dos holofotes e continuam gritando, enquanto quem precisa de maior atenção agora são os LGBTs, entende?

    Não disse que a Jac fez isso, mas quando eu vejo essa afirmação de que a palavra lésbica ainda é mais tabu que a palavra negro, é essa rivalidade que me vem à cabeça, pq, a meu ver, as duas tem a mesma carga pejorativa, e são da mesma forma usadas como afirmação para os próprios negros e lésbicas, como é quase o caso da palavra Queer, que acabou gerando teorias e estudos acadêmicos, e como tem sido feito com a palavra Vadia recentemente com as Marchas das Vadias pelo mundo. Vc assume a pecha e isso deixa de ser negativo e vira motivo de orgulho e afirmação. E no fim das contas, acho que é isso que a Jac está dizendo no seu post, use a palavra lésbica como militância e afirmação.

    Enfim, é uma percepção que eu tenho, e fiz essa provocação exatamente para ver o que a Jac e seus/suas leitores/as teriam a dizer, pq talvez ela nunca tenha pensado nisso e valesse uma reflexão, ou talvez já tivesse pensado e chegado a uma conclusão diferente da minha.
    Como qqr provocação, acho que tem essa função, afinal.

    E to conhecendo aqui, posso ser leviana nos meus comentários, mas prefiro comentar o que vem à minha cabeça pq tive a impressão de que isso é bem vindo aqui, e se depois eu ver que falei uma bobagem sem tamanho, eu me redimo comentando outra vez.

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