Diferenças Culturais em Relacionamentos Lésbicos

Por esses meses, uma leitora me enviou uma sugestão para um post sobre “relacionamentos entre pessoas com níveis culturais diferentes”. Mas existem lésbicas que se relacionam com alguém de nível cultural diferente? É possível isso?

Lendo Livro

“Nush, amô! Cumu essi livru ki vx mim paço do Herry Poter é dificiu di le!!!”

Esse na verdade é um assunto bem pouco debatido entre lésbicas. Claro que sempre tem uma ou outra reclamando de erros de português da lady-fancha que conheceu na balada, mas nunca vi alguém terminando relacionamento porque a parceira é muito burra de um outro nível cultural. Mas também nunca vi casais assim juntos, EVER.

De fato, em minha vida lésbica só tive dois momentos em que fiquei consciente de que haviam diferenças culturais entre lésbicas:

Sentados

“Senta que lá vem a história…”

  • O belo dia da minha vida (quando eu ainda tinha vida) em que eu decidi ir em uma associação LGBTT aqui de Curitiba e conheci um casal de lésbicas que garantidamente não tinham nem perspectiva de fazer uma faculdade um dia (diferente das demais meninas). Discutindo sobre facebook no grupo, uma delas disse em alto e bom tom:

“Eu acho mudar pro facebook uma traição com o Orkut. Eu não abandono o orkut por nada – é a melhor coisa que existe.”

Mulher horrorizada

  • O dia em que fui almoçar em um certo restaurante vegetariano de Curitiba em que a garçonte era lésbica. Super lésbica. Fiquei meio desconfortável de lembrar que há lésbicas em profissões baixa-remuneração-baixa-escolaridade (não que ela devesse ganhar muito menos que eu, não). Hoje em dia ela não trabalha mais lá e, de acordo com a fofoca engenharia social que eu fiz, ela foi para um “estágio na área dela”, ou seja, ela deve ser universitária.
Treinadora

“Muito bem! Não podemos deixar o tempo passar assim e levar sua vida profissional pro buraco. As eliminatórias para Power Lesbian Cup já estão chegando…”

Pelas minhas mini-histórias, vocês já devem ter identificado nosso primeiro problema:

Como Diferenciar Níveis Culturais

Se eu não escrevesse essa seção, provavelmente alguma encrequeira ia aparecer nos comentários falando algo do tipo:

“Estou decepcionada com você! Só porque a garota é garçonete não quer dizer que ela não assiste Kieslowski, não lê Dostoiévski e não escuta Tchaikovsky. Nem quer dizer que ela não tenha uma pos-doc em física quântica por Harvard. Sua preconceituosa!”

Utopias a parte, eu realmente considero alguns aspectos para indicar o “nível cultural” de uma pessoa, mesmo que não seja determinante. Eles são:

  • Situação econômica. 

Não é politicamente correto, mas você não vai conseguir me convencer que a pessoa que tira foto com o muro sem reboco é, na verdade, uma pessoa super culta. E também não precisa me dizer que tem gente rica que não tem cultura porque eu não sou idiota e sei disso. Basicamente, minha percepção é essa:

Nivel Economico vs Cultura

  • Escolaridade.

A maioria das lésbicas com quem eu convivo são universitárias ou graduadas – que, não por um acaso, é o grupo do qual faço parte. Não convivo com nenhuma lésbica que parou no nivél médio (ou abaixo) e sou amiga de apenas uma mestranda.

  • Filmes.

Como esse é um dos meus poucos hobbies, quem estiver comigo tem que ter um gosto no mínimo semelhante. Eu não suportaria nem ver filmes estúpidos o tempo todo (A Casa no Lago, Transformers, etc.), nem ver só filmes iranianos.

Assistindo filmes

“Uau! Quem poderia imaginar que o super-herói protagonista poderia se apaixonar pela única mulher no filme que tem mais do que duas falas!”

  • Livros.

Esse não é bem um quesito meu, mas lésbicas são bem mais ligadas a literatura do que o resto da população. No meu caso, eu não julgo alguém por esse quesito porque…

1- Leio pouquíssimos livros atualmente (o que não quer dizer que eu não leio nada);

2- Odeio essa moda de se gabar por ler livros;

3- Geralmente, quando eu vou atrás para ver que tipos de livros a pessoa que se gaba lê, vejo pérolas da literatura mundial como O Código Da Vinci, Anjos e Demônios, Crepúsculo, O Caçador de Pipas e A Menina que Roubava Livros.

Bitch Please

“Bitch, please! Leia Guerra e Paz, Os Irmãos Karamazov, Ulysses e O Morro dos Ventos Uivantes se quiser gritar para todo mundo que você lê livros como se fosse um grande mérito seu.”

(Fãs de O Caçador de Pipas e A Menina que Roubava Livros furiosos nos comentários em 5… 4… 3…)

  • Música.

Outro quesito que lésbicas se importam horrores – e eu não estou nem aí. Tente conquistar uma garota-bom-nível-cultural dizendo que gosta de funk, pagode, axé e/ou sertanejo. Se dance e pop são top preferência entre gays, rock é totalmente lésbico.

Mesmo falando que é fã de MPB, você corre o risco de sofrer alguma discriminação por ser “muito clichê de lésbica”. Rock é a zona de conforto no mundo lésbico (ou pelo menos na minha rodinha de lésbicas universitárias-sulistas-da-capital-classe-média).

Explicando

“Mas veja, aparentemente em outras regiões do Brasil isso muda um pouco. Por exemplo, no Rio de Janeiro o funk é bem mais aceito e bem menos estereotipado de coisa de gente favelada e burra,”

  • Movimentos Sociais.

Esse é um quesito big deal para mim. Não que para me namorar você precisa ter lido Simone de Beauvoir, mas se você acha que feminismo é um machismo praticado por mulheres, certamente não vou querer conversar com você por mais de 5 minutos.

Revoltada

“Ah, você é uma mulher… e não sabe o que é feminismo… Foi bom te conhecer, mas tenho um compromisso inadiável agora.”

E isso se estende para um “conhecimento geral” para qualquer outro “movimento social” mais conhecido. Por exemplo, a pessoa precisa saber ao menos que não é okay fazer piadas sobre estupro, não é okay falar que cabelo crespo é “cabelo ruim”, não é okay você não castrar seu cão/gato, não é okay fazer pressão para uma pessoa emagrecer, etc, etc, etc.

Esses são quesitos que eu acredito que contam muito para avaliar o “nível cultural” de uma lésbica. Claro que cada um tem uma definição diferente de cultura e blablabla, mas existe ainda mais um quesito. Um quesito muito mais poderoso que os anteriores e que deve se aproximar da unanimidade entre lésbicas:

Ameaça

Gurl, don’t fuck it up… Or you’ll be fucked up.

  • Português.

Não existe nada mais irritante do que gente que escreve horrivelmente mal e errado. Se nos meus textos eu trocasse “mas” por “mais”, “me” por “mim” (juro que já vi isso acontecer), colocasse K no lugar de todo C que eu visse na minha frente, confundisse loucamente C/SC/Ç/SS e fizesse textos imensos sem pontuação, meu blog não teria nem 5% das leitoras que tem.

Explicando

“Você pode anotar o que eu digo!”

Não que meus textos não tenham um ou outro erro, mas eu me esforço para deixar o mais correto possível. E por correto, leia-se legível (you know, gramática existe não para tornar sua vida um inferno, ela tem um propósito maior!).

Já algumas ooouutras pessoas… [/momento indireta] (mentira, a indireta maior vem no final do post) … algumas outras pessoas não percebem que escrever corretamente é um ótimo sinal de cultura e educação e que isso é um baita ponto positivo na hora de conquistar uma mulher.

Mature businesswoman pointing, close-up, portrait

“Em outras palavras mais diretas, aprenda a escrever direito nem que seja só para pegar mulher.”

Mas voltando ao assunto principal…

É Possível  Duas Lésbcas Com Níveis Culturais Distintos Formarem Um Casal?

Como eu já havia falado, nunca vi um casal desse tipo. Também nunca vi lésbicas com situações econômicas muito diferente juntas. E tampouco eu sinto que me envolveria com uma pessoa muito menos culta e, caso ela fosse muito mais culta, eu teria que ver até que ponto ela estaria disposta a me deixar com meus gostos incultos.

Mulher irritada

“O que você quis dizer com ‘Toureador de Bizet é muito mais animado do que qualquer música do Sidney Magal’? Bitch, é melhor você largar esse livro e vir assistir o filme das Spice Girls comigo que tua batata tá assando!”

Os poucos casos que volta e meia a gente vê sobre paixão entre aluna e professora ou entre empregada e patroa (juro que já “vi”)  raramente passam para algo além de paixão não-correspondida, logo, não servem como exemplo.

Enfim, estou perdida nesse assunto. Então passo a bola para você, leitora amiga:

  • Cultura já foi um problema em algum relacionamento seu?
  • Você conhece alguma prima da vizinha da amiga que passou por isso?
  • Você namoraria alguém com um nível cultural diferente?
  • Você acha que a obra de Bizet representa muito mais fielmente a latinidade que Sidney Magal?

Conte para a gente nos comentários!

Dor de Cabeça

Mas, pelo amooooor de deus, escreva sem assassinar com requintes de crueldade o bom português.

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ps. Um beijo para minhas amigas Luísa e Emanuele que, com uma pequena ajuda minha, se encontraram na vida e estão se pegando loucamente esse fim de semana porque obviamente já estão quase indo morar juntas no 3º encontro, suas lésbicas!

ps2. Outro beijo maior ainda para minha namorada que foi piriguetiar com as primas gaúchas bem longe da minha vista e me abandonou no Paraná com amostras grátis das dores do parto cólicas e trabalhos para fazer. Mhuuuaaa, sua linda!

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157 respostas para Diferenças Culturais em Relacionamentos Lésbicos

  1. emanuele disse:

    jac e flexoes eternamente em nossos corações <3

    a menina que roubava livros eh lindo, k? 😛

    Eu concordo contigo. É muito difícil, não impossível, o relacionamento dar certo quando os níveis culturais são diferentes. E mesmo quando eles são parecidos, mas as concepções sobre o mundo, o universo e tudo o mais são diferentes pode não dar certo.
    No fim, vai muito de quanto as pessoas estão dispostas a ceder.

    beijo, sua linda! 🙂

    • Carolina disse:

      Exatamente. Às vezes não é só questão de cultura, mas de visão de mundo mesmo (claro que um influencia o outro…).

      Acabei de terminar um relacionamento com uma mestranda, cuja família tem um bom nível financeiro e de educação, mas que não consegue me entender e acha qualquer dificuldade minha resultante da minha criação que ela entende ser de patricinha burguesa.

      Fora que estar com alguém que não tem paciência de ver um filme, ler um livro ou entrar num museu dificulta as coisas também

  2. Shaki disse:

    Minha primeira reação foi ficar feliz por um post novo aqui, que aliás foi ótimo como todos os outros xD
    Então, minha namorada é mais culta do que eu, mas nada muito diferente. Cultura nunca foi um problema para nós.
    E eu provavelmente não namoraria alguém que escreva “oiiieh !11 tuduu beiiin ????”, que não lesse absolutamente nada e pretendesse ser sustentada pelos familiares pelo resto da vida. Quanto a garotas muito mais cultas eu provavelmente ficaria sem entender nada e ela teria que me explicar. Até minha namorada tem que me explicar algumas coisas às vezes, não quero nem imaginar com uma super-culta. Ou seja, não rolaria.

  3. Milena disse:

    Hum… Esse assunto dá polêmica mesmo!
    Bem, diferença cultura é problema maior pra quem tem preconceitos sobre isso. Mas… Contos de fadas podem acontecer rsrs.
    Claro, que o modo de falar influencia bastante, pois namorar alguém que fala a mesma língua que você, mas precisar de um intérprete para lhe entender deve ser broxante! rsrs
    Já tive problemas duas vezes. A primeira foi com uma “ficante” que cursava mestrado. A forma de falar dela era totalmente técnica, hábitos diferentes dos meus, ela frequentava lugares que eu nem sabia da existência e os amigos dela não foram com a minha cara. Primeira coisa que me perguntou sobre vida pessoal foi a minha formação acadêmica, emprego, tipos de leitura que fazia, meus hobbies, família etc. Eu me senti dentro de um interrogatório militar. Eu tenho problemas de dislexia, falava algumas coisas e quando ela não entendia começava a rir de mim freneticamente e vivia tentando me corrigir. Fora isso, de vez em quando ela adorava dar umas indiretas no sentido de “sou melhor do que você baby!”. Terminei com ela, antes das coisas ficarem piores, pois nos víamos todos os dias. Foram 3 semanas bem tensas!
    O segundo caso foi com uma menina que havia terminado o Ensino Médio, tinha uns 19 anos na época. Ela era tão simples que aquilo me deixava encantada. Eu fiz de tudo pra ela se sentir confortável, tanto que não falava sobre meus estudos etc. Chegou num ponto que ela se sentiu tão desparafusada que senti dó dela. Ela via que não iria me agradar, mesmo eu dizendo que adorava tudo aquilo. Ela sentia como se não fosse o suficiente e terminou comigo.
    Níveis sociais podem influenciar muito um relacionamento. Geralmente, nós procuramos namorar pessoas parecidas com a gente em quase todos os aspectos. Aquele papinho de “crescer juntas”.

    • Sofia disse:

      Nossa, duas historias opostas e ao mesmo tempo ruins no final, digamos assim. Me senti em uma delas, mas no meu caso, bem, eu me sinto bem perdida as vezes com minha namorada que é 6 anos mais velha e entende de mil coisas a mais do que eu. A diferença é que gostamos de algumas coisas em comum, só que em nível diferente. Mas ela, me vendo desconfortável, me ajuda demaaais. Por isso, ficamos um ano e temos mais dois meses de namoro.

  4. Deise disse:

    As vezes e chato, vc ter que explicar tudo, para uma pessoa que nao sabe nada, parece que vivi em outro planeta,mas acho que quando se ama, isso nao me empedi de namorar ate gosto de poder ajudar.muito bom o post…

  5. Lisa disse:

    Não acho que diferenças de nível cultural possa ser motivo gerador de problemas em relacionamentos. Apenas em casos discrepantes não é saudável para uma relação manter um diálogo com muitas diferenças de entendimento.
    Os aspectos citados para comparar a diferença cultural entre um casal são válidos, servem como perfil de aproximação, pois com certeza buscamos o que há em comum. Mas corremos o risco de entrarmos em uma relação com muita calmaria, entediante! Não acredito em uma relação às mil maravilhas, tudo combinando, sem algo que apimente o dia a dia! Afinal os opostos se atraem! Mas é necessário maturidade, pois em um relacionamento ambas têm que fazer concessões!
    Tive relacionamentos que nunca seria combinado ao meu perfil! Às vezes me pergunto como consigo me relacionar com pessoas tão diferentes em certos aspectos? Mas é uma questão de aceitação e respeito da individualidade de cada uma.
    Bjos

    P.S.: QUANTO A ESCRITA! Concordo plenamente que é a sua carta de apresentação para um relacionamento! Há certos comentários que desisto de ler por este motivo! Meninas, vocês estão diante de um computador, com internet, com site de busca, não precisam nem ir até sua coleção de livros, não precisam possuir ou terem lido os grandes autores, enfim se há uma palavra que não tem certeza como escreve, consulte! Se há uma citação que desconhece, consulte! Outro idioma consulte! È rápido e indolor! Abreviação também pode ser usada, mas com moderação! E tenha certeza que você com o tempo, não fará tantas consultas!
    P.S.: Se você domina a linguagem, você conquista uma mulher! Você conquista seu espaço! E se você souber utilizar as entrelinhas! Nossa!!!!!!!!

  6. Olá!

    Esse post me pareceu um pouco elitista.

    Minha mulher e eu somos a prova viva de que lésbicas de níveis culturais diferentes se relacionam bem e longamente.
    Eu escrevo bem, sou feminista, milito pelos movimentos negro e LGBT, curto indie e MPB e conheço minimamente estilos de músicas dos mais variados, estou terminando a graduação, leio em média um livro por mês de gêneros dos mais variados e gosto de filmes ‘cabeça’.

    Minha mulher não terminou o EM por conta de uma gravidez indesejada e depois nunca mais teve vontade de continuar, gosta de filmes blockbuster dublados, ouve funk, sertanejo, pagode, escreve mal, com todos os erros mais gritantes que vc citou e tb uns que vc não citou, não é muito afeita à leitura e pouco ou nada conhece de movimentos sociais.

    Somos próximas apenas no nível econômico, pq venho de uma família pobre e ela tb, e como moramos sozinhas, nossa grana é curta e moramos de aluguel numa casa simples, com ‘muro sem reboco’.

    Mas essa diferença nunca nos fez ter problemas. Ela é uma pessoa linda, simples, com um coração imenso, gosta de aprender coisas novas e me ensina coisas novas tb – pq a sabedoria não está diretamente ligada ao tamanho do seu lattes. Ela faz eu me sentir amada, protegida, e topa assistir Von Trier, Tarantino, Almodóvar e Wood Allen cmg.

    Mas tudo isso acontece pq eu vou com ela ao cinema assistir Os Vingadores, vou ao baile funk na sexta a noite, me abro para o que é diferente de mim, pq isso é amor e tolerância.

    Sou hj uma pessoa muito melhor do que eu fui antes de conhecê-la, com conhecimentos muito mais vastos, pq assisto novela das 8 com ela, e depois ela assiste filmes no Telecine Cult cmg.
    Nossa cumplicidade é mais profunda e sincera do que os hobbies que tivemos na adolescência.

    • Ana disse:

      Admirável! É necessária muita coragem e amor para não deixar que as diferenças culturais afetem o relacionamento. Às vezes é a própria sociedade quem se encarrega de fazer dessas diferenças um abismo.

    • Marcela disse:

      Concordo plenamente com você, a postagem foi bem elitista e me espanta ver que a autora disse admirar quem participa de movimentos sociais e ainda assim foi capaz de escrever algo tão preconceituoso.

    • Mara disse:

      Lendo este comentário, penso que o importante não é a diferença cultural, mas a disponibilidade em compartilhar gostos, em dividir a vida.
      Não adianta duas pessoas mega cultas que não querem compartilhar do universo uma da outra.

      • S. disse:

        Que coisa mais linda de se ler ! Parabéns a vocês duas, desejo toda felicidade do mundo, sem dúvidas 😉

    • carla disse:

      que lindo!

    • Priscila disse:

      Obrigada pelo seu comentário, me representa. Amo esse blog, mas infelizmente as amarras do dinheiro e da “meritocracia”, por vezes, nos cegam. Por mais difícil que possamos acreditar, ninguém gosta de falar errado, ninguém gosta de escrever errado, não possuímos os mesmos recursos financeiros e intelectuais (educacionais) capazes de nos tornar “cultos” (se é que esse conceito está sendo utilizado da forma correta, aqui).

  7. Isa disse:

    A Zaíra escreveu justamente o que eu pensei: esse foi um post um pouco elitista, mas realista para o meio lésbico. Várias lésbicas não se sentem à vontade entre outras lésbicas por causa da arrogância que impera no meio. Estou falando não somente de elitismo cultural, mas também financeiro e mesmo estético, como se todas as lésbicas tivessem Ph. D. e fossem ricas e lindas. Se você, queridinha, não tiver uma pós, não ganhar um salário de cinco dígitos e não for bonita, esqueça seu sucesso no meio lésbico.
    Para me credenciar, sem achar que isso signifique algo, sou mestranda, professora universitária (ainda voluntária) e servidora pública. Durante a universidade, frequentei o circuito indie underground de Brasília, ia aos festivais de cinema alternativo, a muitas exposições nos espaços culturais da cidade e aos espetáculos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional… apesar de toda essa “cultura”, nunca me senti à vontade no meio lésbico.
    Acho que predominam mesmo uma arrogância e uma prepotência que eu atribuo à necessidade de autoafirmação de muitas lésbicas. Além de apelarem para um nível cultural melhor, muitas também juram que são mais bonitas e que, por isso, não pegariam você, que está acima do peso. Acho que as lésbicas magyas até podem se dar o luxo da seletividade, mas deveria haver um movimento de conscientização das baiacus para elas entenderem que a Liv Tyler não é pra elas.
    A Jac pediu para completarmos o post com comentários e sugeriu algumas perguntas, entre as quais vou escolher “Você conhece alguma prima da vizinha da amiga que passou por isso?”.
    Resposta: Sim, eu conheço um relacionamento lésbico entre pessoas totalmente díspares.
    Trata-se de uma mulher de 35 anos que só recentemente se formou em Psicologia, nunca trabalhou porque se acha genial demais para bater ponto e é insuportável. Para ela, todos estão abaixo de si.
    Depois de ser abandonada pela companheira com quem viveu por cinco anos, ela passou a se relacionar com uma garota html a quem vivia tachando (neste caso é com CH mesmo) de burra, pornstar etc. Apesar de desprezar esta criatura hétero, para a lés., ela era o body-call disponível, então era preciso ir levando.
    A julgar pelo exemplo da minha conhecida, seria possível, sim, against all odds (apesar de tudo),um relacionamento entre pessoas de níveis culturais distintos, desde que fosse com a mera finalidade de satisfação física. Na história, a minha colega era a boazona, e a peguete dela, só um pedaço de carne descartável.
    Eu fiquei intrigada por essa história de amor utilitarista entre uma hipster e uma html pornstar, duas pessoas tão distintas, e fui averiguar mais a fundo.
    Além dessa peguete, minha conhecida se vangloriava muito de outras pretendentes lindas, maravilhosas e até inteligentes. Eu ficava boquiaberta com o sucesso dela e pensava “Uau, que lábia minha colega baiacu deve ter!”
    Um dia, porém, fomos a uma noite lésbica em uma boîte da cidade e eu pude constatar o fiasco que ela era no meio lésbico: passou a noite toda azarando geral e não pegou ninguém, foi ultrajantemente desprezada pelo alvo principal de suas investidas e voltamos para casa com ela se sentindo péssima por ter que se justificar comigo. Na verdade, eu nem queria explicações, mas ela estava envergonhada por eu ter descoberto sem querer que ela não tava com essa bola toda. O fiasco aconteceu porque ela saiu de casa jurando que ia pegar a fulana de tal em vez de simplesmente curtir a pescaria, que aí, quem sabe, o peixe viria sem esforço.
    Histórias com moral no final são meio rasas, mas não podia deixar de ser neste caso, então, lá vai. Moral da história:
    Queridinha, se você se acha melhor do que os outros, tem muita gente que se acha melhor do que você.
    E pra arrematar respondendo a mais uma pergunta, acho que Sidney Magal representa mais a latinidade do que Bizet. Beijo pra Sandra Rosa Madalena. Quero vê-la sorrir e quero ver a Carmen chorar.

    • Isa disse:

      Jac, seu blog é o máximo. Depois que o descobri, venho quase todos os dias procurar uma atualização. O “queridinha” foi um vocativo genérico, força de expressão.
      Continue sendo um alento para as lésbicas lusófonas.

    • Ana disse:

      Onde rola a tal noite lésbica de Brasília?

      • Bruh disse:

        Por mim, poderia ter uma casa noturna só para elas, maaaas, como não tem, existem algumas festas que acontecem tipo, uma vez por ano, que são (quase) exclusivas. Tem a festa da Canoa, e a festa Dhelas também!

  8. kah. disse:

    É como eu sempre digo: pra que procurar alguém que tem tudo a ver contigo, que gosta das mesmas coisas que você etc.. Se bom mesmo é encontrar uma pessoa que te apresente coisas, lugares e gente diferente do que tu tá acostumado? Não tô dizendo que duas pessoas que não têm nada a ver uma com a outra vão obrigatoriamente ficar juntas pro resto da vida, e nem que duas pessoas iguais não podem dar certo.. Só acho que experimentar algo novo é bom. Pode ser que essa minha ideia seja romântica demais (e é), mas pode funcionar.. Eu conheço bem os dois lados da coisa: metade da minha família é rica, e a outra mora numa casa de madeira menor que a minha sala. Então, posso afirmar com certeza: todos eles têm coisas boas pra mostrar.

    Obs.: o caçador de pipas é bom. o filme é que é uma merda.

    • B. disse:

      Ter cultura não significa conhecer as mesmas coisas, mas conhecer as coisas! Se as pessoas têm cultura numa vertente diferente, isso é maravilhoso sim, porque são dois mundos se unindo.

    • K . disse:

      Kah, você mora aonde ??? 😉

  9. Mahh disse:

    Achei muito interessante o tópico! e aproveito e parabenizo o blog! é demais! nunca havia comentado aqui, mas veio tanto a calhar esse tema de hoje que resolvi escrever! Sou recém saída do armário – (nao saí completamente pois meus familiares não sabem, só alguns amigos).. mas já assumi pra mim mesma – e por isso somente agora tenho maior contato com outras garotas lésbicas. Tem uma boate aqui na minha cidade mas ando conhecendo umas garotas mais novas (18/19) e muitas delas sem perspectivas profissionais… e de uns tempos pra cá fiquei me perguntando se isso poderia dar certo. Terminei a faculdade no ano passado e sempre considerei essencial uma pessoa que no mínimo soubesse se expressar claramente…mas agora me deparei com uma realidade um pouco diferente dos meus planos. Já estou com essa dúvida do post faz alguns meses.. mas juro que ainda não consigo ter uma opinião formada, pois eu -particularmente- broxo um pouco quando vejo que a menina fala e escreve errado e é muito senso comum. Mas posso mudar de ideia se conhecer alguém que me cative, assim como as meninas falaram nos comentários acima. Mas é reconfortante saber que mais lésbicas também pensam nisso.

  10. bella c.b. disse:

    Olha, esse assunto é bem complicado mesmo. Já perdi a vontade de conversar com muitas garotas (que conheci pela internet) por elas escreverem errado. O que custa escrever de maneira correta né? Passa uma imagem tão legal, é lindo ver uma mulher escrevendo direitinho 🙂 Quanto a nível social etc, bom… É complicado também. Estudo em universidade particular, diria que tenho ótimas condições, me cuido e tal. Tenho amigos de todas as classes sociais, não tenho frescura alguma sabe? Mas pra me relacionar, eu queria alguém do meu nível e com gostos semelhantes (acho essencial). Alguém que estude, faça uma faculdade, planeje um futuro, esse tipo de coisa que eu também faço… (Achar alguém assim tá complicado, viu? KKKKKKKK). Não sei se estou errada por querer alguém com determinadas qualidades, mas eu também tenho coisas boas a oferecer, acho que posso ser um pouco exigente, né? 😡 Complicadíssimo…

  11. disse:

    Gostei muito das questões levantadas nesse texto, sempre pensei a respeito disso, mas nunca tinha visto alguém falando disso de forma clara e objetiva.

    Minha última namorada era universitária que nem eu, mas gostava de músicas diferentes, lia livros diferentes, fumava coisas que eu não curtia e, principalmente, tinha menos grana que eu. Nossos mundos eram opostos e o dinheiro fazia diferença, essencialmente em relação à formação que tivemos. A principal divergência era a forma que cada uma encarava a vida, então o “desnível cultural” não era cultural, era de formação/educação mesmo. E quando falo educação não é de escola, mas daquelas coisas que a gente aprende sobre e na vida desde criança, me refiro às experiências.

    O desnível cultural é muito mais uma questão de experiência. Já dispensei pessoas que tinham mesma escolaridade que eu e mesmo gosto pra várias coisas, mas eram completamente desinteressantes e, ao mesmo tempo, eu era afim de alguém que tinha acabado de sair da escola e tinha muito mais a ver comigo.

    Quando eu namorei essa mulher que não tinha nada a ver com meu universo, aproveitei pra aprender e trocar idéias, experiências, pontos de vista. Se não tivesse dado uma chance pra ela teria perdido a oportunidade de conhecer a melhor namorada que já tive.

    O que cada pessoa escuta, lê, consome e etc, molda uma certa imagem que vai passar pros outros, mas isso não pode ser levado ao pé da letra na hora de se relacionar. O que as pessoas são pesa muito mais, pq é o que vai direcionar suas atitudes. Gostos não definem tanto assim um ser humano o quanto as pessoas acham que é.

  12. B. disse:

    Demorou, mas postou! Foi um dos posts mais interessantes que já vi por aqui! Diferenças culturais podem fazer relacionamentos cairem por terra, sim, mas só quando são muito discrepantes. Por exemplo, eu ficava com uma menina, um dia ela entrou no meu quarto, pegou um livro em cima da cama e perguntou: “Quem te obriga a ler isso aqui?”. Paciência…

  13. Caroline P. disse:

    Diferença cultural já foi sim um problema. A cada mensagem de texto que eu recebia da minha ex, meu coração sentia uma fisgada. Sem falar nos gostos beeem diferentes de nós duas. Não que eu seja muito exigente mãaas, é sempre bom ter uma mulher “culta”.

  14. Liz disse:

    Descordo bastante com algumas partes…
    Me fez lembrar de um texto da Martha Medeiros. Segue:

    Por que você ama quem você ama?

    Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.

    O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo.

    Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

    Então que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

    Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não tem a maior vocação para príncipe encantado, e ainda assim você não consegue despachá-lo. Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita de boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara? Não pergunte para mim.

    Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor. É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar (ou quase). Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível. Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém. Com um currículo desse, criatura, por que diabo está sem um amor?

    Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim. Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

    Mas ninguém consegue ser do jeito do amor da sua vida!
    Martha Medeiros

    • Daniela disse:

      Eu concordo que não é determinante, mas que é uma seletiva, é sim… se uma mulher chegar com papos do tipo “quero que todos os animais de estimação morram”, eu já corto… (só um exemplo… afinal cada um sabe onde seu calo dói, né?). Então ela poderia até ser a mulher da minha vida, mas não vai existir nenhuma chance de eu perceber isso… acaba que em qualquer relação, até de amizade, nós buscamos pelo menos um idealzinho igual ao do outro… se não fosse assim, todos se relacionariam igualitariamente e não existiriam afinidades maiores ou menores entre as pessoas…
      Até concordo que tenha gente que busque o perfil cafajeste pra se relacionar (ou alguém que não tenha as mesmas opiniões mesmo) mas aí já é uma coisa pra psicologia… alguma coisa no ser “cafajeste” acabou “prendendo” a outra pessoa… houve alguma afinidade… cada um valoriza o que lhe convém… sei lá…

    • B. disse:

      Isso que você tá falando é paixão. Onde nenhuma dessas coisas interessa, de fato. E quando ela acaba – embora alguns casais pareçam ter a habilidade de renová-la – ou acaba-se também o relacionamento, ou fica o amor. Daí entra tudo que já foi dito.

    • K . disse:

      Lembrou bem Liz, esse texto diz tu-do !!!! Você mora aonde? Quero conhecer todas ! hahahaha bjs

  15. Liz disse:

    Discordo*

  16. july disse:

    Gente,achar que se for garçonete é dizer que ela não tem nenhum nivel cultural,isso sim é ignorância!
    Com a crise muitas pessoas com bacharelado e pós graduação estão por “aew” sem empregos,ou , obrigada a trabalhar bem distante de seu nivel academico…tenho vários amigos e amigas nessa situação.
    Situação financeira não é empecilio para se relacionar.
    Não vou ser hipocrita pra dizer que existe gente burra mesmo!E isso é insuportavel!

    xoxo july!

  17. Ivone Lima disse:

    Já aconteceu comigo, pelo menos um desencantamento. Andava muito “impressionada” com uma colega, quando ela disse: “li Machado de Assis porque fui obrigada”, e que achava literatura um saco e qualquer coisa que lembre cultura ou o que entendemos como tal. Ela não deixou de ser linda por isso, mas ali eu percebi que não valia a pena. Acho importante o “livre fluxo” quando você não precisa fazer tantas concessões. Valeu pelo post.

  18. Andhy disse:

    Bom, eu particularmente não gosto da onda modinha, sejam livros/músicas/filmes e etc, mas eu já namorei uma garota que era bem diferente de mim, em todos os quesitos mas era mega fofa, rs. Mas com o passar do tempo fui apresentando à ela outros estilos musicais como rock/indie/metal/MPB (que são os estilos que eu mais ouço), e também incentivando-a a ler, falando sobre vários livros bacanas e tal, não que eu tenha dito à ela: “olha, mude seu jeito, seja “cult” ou então a gente não namora.” Naaada disso, só fui mostrando “meu mundo” pra ela.

  19. Isa disse:

    O post perguntou se nós conhecíamos relacionamentos bem sucedidos entre pessoas bem diferentes.
    Nós até podemos ter nossos ideais (Ah, a tolerância, ah, a diversidade!!), mas, no dia-a-dia, pesa, sim, as pessoas serem parecidas. As lésbicas são conhecidas por serem seletivas, elitistas etc. – pelo menos as lésbicas que eu conheço são assim – e, quanto mais a pessoa é voltada pra intelectualidade, mais ela precisa de pessoas que saibam conversar com ela sobre as coisas de que ela gosta. É até interessante esse negócio de namorada exótica – eu gosto de heavy metal, e ela, de axé – mas isso só dura uns poucos carnavais (se é que dura um carnaval inteiro).

    • Jac disse:

      Bem isso que eu penso =)

    • Carol disse:

      as lésbicas são conhecidas como seletivas e elitistas? ser lésbica é sua orientação sexual, não significa automaticamente ser “culta”, ou ter um poder aquisitivo gigantesco, ou ter um lattes de abrir a boca. lésbicas, por serem seres sociais, estão em todos os níveis.. desde a da família que tem renda de R$625 por mês à aquelas que tiveram a grande sorte de ter uma renda de R$30.000. isso não é nível “cultural” distante, isso é nível SOCIAL, é questão de oportunidade, de ter condições. ninguém escolheria não ter lido Dostoiévski na adolescência, ou não ter aprendido gramática porque estudou numa péssima escola pública, ou porque teve que trabalhar de garçonete desde os 14 anos de idade.

      ao contrário do que vcs podem observar dentro de sua própria realidade (e quanto a isso não é uma crítica, somente uma visão diferente), existem lésbicas pobres e desprivilegiadas, e elas se relacionam sim entres elas mesmas e com quem pra elas seriam “exóticas”. afinal, o exótico nada mais é que um conceito etnocêntrico, exatamente como esse post.

  20. Caroline P. disse:

    Eu sou uma pessoa mais tranquila, minha ex era meio punk/rockeira/louca. Até que nosso relacionamento não era ruim mas as diferenças culturais eram gritantes. Minha atual namorada é do tipo que gosta de filmes, teatro, cinema e é bem mais fácil de conciliarmos os programas que gostamos. Não digo que essas diferenças são empecilhos, mas é mais fácil de conciliar quando se tem alguém que compartilha dos mesmos gostos que o seu.

  21. Valéria disse:

    Essa história de “os opostos se atraem” só dá certo na física. Acredito que coisas e gostos mais aproximam que afastam.

    Não dá pra namorar uma pessoa que mal sabe escrever ou falar. Um exemplo disso aconteceu comigo mesmo. Conheci uma garota mais nova – tenho 33, professora; ela 25, estudante – marcamos de nos encontrar. A primeira frase que a criatura fala: ” e aí, a gente vamos pra onde mesmo??” Respondi: “pra canto nenhum, pessoa. Boa noite e tchau”.

    Fui grossa, indelicada? Não, fui realista. Não tinha como haver comunicação dessa maneira. Música, filmes, conversas precisam ser entre iguais, a diversidade é agradável, é preciso termos amigos diferentes, mas para relacionamento, o cotidiano sem dúvida é preciso haver comunhão de ideias e pensamentos.

  22. Lisa disse:

    Este aspecto elitista entre as lésbicas mencionado é uma realidade que reflete as diferenças econômicas no Brasil, especificamente as regiões sul e sudeste (nesta nem tanto, devido ao número populacional) o nível cultural é maior. Quem já teve a experiência de conhecer o Brasil (sou do sul, mas já morei no NE, CO e SE), sabe que isto é bem visível! Não é possível generalizar que as lésbicas são elitistas! Elas não estão restritas a classe média e alta. E o acesso a educação também não.
    Tudo em uma relação deve tender ao equilíbrio, se há muitas coisas em comum, ótimo! O caminho é menos tortuoso. Agora se há diferenças, ambas terão que agir para chegar ao equilíbrio. Se você gosta de balada e ela não, evidentemente que ela terá que te acompanhar nas baladas. Sempre? Não! Ficar em casa, grudada na tua namorada, curtindo um filme, jantar romântico, dançar, longas conversas, e tudo o que se segue… Você pode? Sim! Sempre? Não! Fazer outros programas juntas, alternando as preferências, ótimo! O que ela gosta é um saco? Por que você começou este namoro? Para chegar até aí, no mínimo houve algumas ficadas. Só rolou amasso? Você ouviu a voz dela, vocês conversaram? O relacionamento onde há muito em comum também pode acabar!
    Fico imaginando como seria para nós, lésbicas, se todos os nossos amores platônicos, que não conhecíamos, apenas nos apaixonávamos loucamente e tudo que elas faziam, era sinal de que gostavam da gente, tivesse virado namoro! Quantas talvez não tivessem sido apenas por uma noite?
    Se observarmos os comentários, a grande maioria são lésbicas universitárias ou já graduadas. Já elitizamos intelectualmente o post! Ter feito faculdade também não é um indicativo exclusivo de cultura! Há verdadeiras sumidades graduadas mergulhadas na ignorância!

    Bjos

  23. Anny disse:

    Olá Jac,seu post caiu do céu!!Namoro uma menina a alguns meses,nos conhecemosem uma boate e a minha primeira pergunta foi se ela trabalhava.Ela disse que não,e que não gostava!!Com orgulho se declarava desocupada assumida.Isso vem me incomodando demais pois eu gostaria de ter uma namorada com os mesmos interesses como:Estudar,trabalhar,crescer e ser alguém…Ela mora “sozinha” mas não se mantem pois a mãe a ajuda todo mês!!Ela é mais velha do que eu,ela com 24 ,eu com 18 trabalho,estou na faculdade,ajudo minha mãe em casa e ajudo ela ,na verdade por mais que eu goste dela,e fisicamente nos completarmos, nao vejo tanto futuro em uma relação onde uma cresce e a outra está estagnada,não estuda,não gosta de trabalhar,estou descontente com a relação apesar de não querer perder o carinho,afeto e todo que já foi construido sentimentalmente entre nós!!Não sei o que fazer, se termino e digo “O grande fator é que você nao trabalha e não quer nada na vida”.Ou deixo a situação do jeito que está porém me mantendo irritada e triste com essa falta de interesse dela…
    Jac, Help me please!!!

    • Jac disse:

      Uhm…

      Ela já tem idade para estar trabalhando, hein? Ou você põe na sua cabeça que o relacionamento é “aqui e agora” e não espera muito futuro com ela (para não se magoar) ou termina com ela e procura alguém com mais potencial de futuro.

    • Daniela disse:

      Mas vem cá… ela já trabalhou? Se formou em alguma coisa? Será que ela só não está perdida profissionalmente não? As vezes ela só falou isso pra fazer tipo… sei lá… Antes de terminar, conversa com ela sobre isso! Se o relacionamento é legal assim, as vezes você ajuda a menina a se encontrar. Você pode acabar se surpreendendo…

      • Letícia disse:

        Que bobagem esse trem de que trabalho é sinônimo de crescimento pessoal. Se a pessoa não precisa trabalhar, porque os pais tem condições de lhe sustentar durante sua graduação ou enquanto pensa na vida e consequentemente, pode aproveitar a vida como lhe convêm, qual o problema? Deixa a menina ocupar o tempo vago dela como ela quiser, a não ser que vocês sejam casadas, pra que criar problema pra quem não procurou? Vejo muita gente que trabalha sem precisar, pra ganhar salario fome (mínimo) para no final do mês bater no peito e dizer: ” pago minhas contas, não preciso do dim dim do papai nem da mamãe” MAS, não tenho dinheiro pra porcaria nenhuma, meu rendimento na facu é uma droga porque não sobra tempo pra estudar, e ando de bus lotado porque vou comprar um carro com MEU próprio dinheiro. Grande bosta! Não tire da mordomia quem não quer e não precisa. Poder estudar sem ter que trabalhar é um privilégio pra poucos neste país.

        • Daniela disse:

          Pra mim uma coisa é uma coisa e outra é outra… Você não trabalhar para se aperfeiçoar em alguma coisa ou não trabalhar porque não se encontrou (mas continua buscando) é bem diferente de não trabalhar por opção de vida… a menos que essa menina seja podre de rica pra nunca ter que trabalhar, recolher INSS, previdência privada, formar currículo e etc, a namorada dela vai passar muito aperto, afinal, vai que o namoro dura, as duas casam etc… e aí? Quem vai sustentar as mordomias ou mesmo uma vida simples sozinha porque a companheira não gosta de trabalhar? Eu não gosto de trabalhar… prefiro mil vezes ficar atoa atoa huehueueuhe e meus pais tem condição de me manter atoa também… mas e aí? Vou deixar de buscar as minhas coisas pra montar na grana da família? Até quando? Quando tiver mais velha, sem experiência em nada e sem perspectiva nenhuma? Eu hem…

          • Izabela disse:

            Sapatão mal termina o primeiro beijo e já fala em casamento. Namoro a 5 anos uma professora que nesse mês recebeu seu título de doutorado. Ela quase 30 e eu 24. Iniciei minha graduação a 1 ano e meio. Antes não fiz nada da vida, literalmente porra nenhuma. Vagabundagem? Sim. Falta de perspectiva? Também, afinal quando pegava a maldita lista de cursos, não me via trabalhando em nenhum deles. E nem por isso ela me encarou como uma idiota ou pior candidata a um relacionamento. Ela tá com futuro garantido, promissor, pesquisadora de universidade federal, mas nem por isso arrogante o suficiente pra se julgar superior a mim ou a outra pessoa. E ela é bastante culta, fina e elegante. Antes de mim, ela namorava um engenheiro. Largou ele pra ficar com a sem futuro aqui. Hoje não tem como eu trabalhar, faço medicina, mas mesmo se fizesse um curso que não fosse integral e me sobrasse tempo, confesso que não trabalharia. Meus pais não são podres de rico, mas vivemos bem, mesmo com os porcos e seus ideais de trabalho mimimi, jogando praga pros meus pais ficarem pobres ou morrerem e assim a vida provar pra mim o quanto ela pode ser dura. Ela me chama direto pra ir morar com ela, mas quero continuar gastando integralmente minha MESADA com ela, nossos programas e viagens. Não me vejo pagando conta de água ou luz no fim do mês. Sei que um dia o farei mas agora tô fora!!!!!!!

  24. Dry disse:

    Acredito que os opostos se atraem,mas os semelhantes se procuram.

  25. Cris disse:

    Eu acredito que essa questão tem sim um grande peso. Posso dizer que é o entrave do meu tão sonhado relacionamento. Sou pós graduanda e ela também é, mas ela é completamente culta, lê muitos livros, escreve textos lindos e dá palestras, fala muito bem em público, enquanto eu sou tímida demais, quase um bicho do mato…rs. Acho que este namoro nunca vá rolar por isso. É aquela questão de pensar que ela é muita areia pro meu pobre caminhãozinho também…rs. Espero não ter fugido ao tema com um certo desabafo! rs. Otimo texto Jac. Como todos os outros. Abraço.

  26. Lisa disse:

    Vamos inverter a situação, ser a menos culta na relação! O post cita esta hipótese, mas sugere que apenas a mais culta teria que fazer concessões tolerando seus gostos “incultos”! Na realidade as duas terão que fazer concessões! A menos culta também terá que conviver com alguém com gostos diferentes, não significa que terá que mudar, é um aprendizado mútuo! Isso que estamos falando apenas do lado bom da vida! Atravessar um problema pessoal pode ser mais suportável com o apoio da outra. Por exemplo, a menos culta pode ser alguém com mais garra para enfrentar os desafios da vida! A nossa bagagem de vida e a forma com que emocionalmente reagimos nos molda como somos verdadeiramente.
    É neste aspecto que uma relação fica comprometida. Como reajo ao mundo! Em comentário anterior, não é a diferença cultural que está pegando! O fato de a garota ser acomodada com certeza com o tempo leva a outra a exaustão! Só vivendo o momento ou partindo para outra.
    Os relacionamentos hoje em dia não duram por este motivo! Inclusive entre os heteros!

  27. M. disse:

    Defina “cultura”.

  28. Lua disse:

    Gostei muito do post.
    Terminei a pouco um relacionamento de quase seus dois anos porque somos muito diferentes. (virginiana vs pisciana).
    Temos modos e pensamentos diferentes de como viver a vida. Infelizmente não conseguimos conciliar essas diferenças, mesmo havendo amor.
    Alem de ambas extremistas, gostamos de tudo ao inverso.
    Ela caseira, eu baladeira. Ela gosta de filmes de suspense e eu de romance.
    Gosto de viajar, conhecer gente nova, sou comunicativa e emotiva.
    Ela gosta de passar o final de semana em casa com a família, é introvertida e racional.
    Sou uma pessoal muito flexivel, viciada em redes sociais, formada em diversos cursos, graduada… E ela o oposto. Não gosta de passar muito tempo na internet, ainda não é graduada (apesar de ter intenção), e detesta mudanças.
    Somos literalmente o oposto. Gosto de “estar na moda”, raspo o cabelo, estou fechando meu braço com tatuagens, não vivo sem meus esmaltes e maquiagens, gosto de chamar atenção. E ela sempre com seu jeans básico, sua regata branca e sua jaqueta de couro e seu mesmo corte de cabelo e cara lavada.
    Referente ao status bancário… ela tem um bom cargo em uma empresa multinacional (ADM), e eu sou chefe de uma conta em uma agencia de Publicidade.
    Particularmente o que me encantava nela, era tudo o que eu não sou, suas diferenças. Mas o ‘comodismo’ e seu incomodo em ter que mudar para dar certo, só nos levou a ficarmos apenas 1 ano e pouco juntas. Nossa cumplicidade e amizade não era o suficiente.
    Acredito que eu não tenha muitos problemas com as diferenças, porém ambas precisam estar muito dispostas a ceder para dar certo.

  29. Gabriela disse:

    Acho que a diferença entre modos de vida pode atrapalhar sim o relacionamento. Já passei por uma experiência bem longa em que o problema não era situação financeira nem nada… até nos dávamos muito bem. O problema mesmo era o modo de ver a vida, de agir perante as situações. Para dar certo é necessário haver determinados pontos pacíficos ou pelo menos, que sejam próximos. Por exemplo: nunca vi dar certo um relacionamento em que uma fosse super baladeira e a outra não.

    O interessante é que não se concorde com absolutamente tudo. Nunca me relacionaria com uma pessoa que sempre concordasse comigo.

    Acho que diferença cultural é relativo… todo mundo tem cultura. Um colono da roça tem mais “cultura” do que eu, no meio dele. Então, depende do referencial. Ser chique e ser culto, na minha opinião, resume-se a conseguir conversar sobre qualquer coisa, com qualquer pessoa (se for pela internet, com o mínimo de erros de português e sem emoticons para cada letra, pelamor).

    Como diz minha mãe, tem que procurar alguém que, no mínimo, tenha vontade de crescer com vc, que acrescente.

    Eu fui só passear nas primas, meu amor! Mas agora tô de volta \o/ Pensei em vc todos os dias e todos os momentos e blahblah melosidades pra vc rir hihi Muah!

  30. Rachel disse:

    Como algumas mulheres/meninas já escreveram acima, acredito que este seja um assunto polêmico. É difícil tentar manter um relacionamento com alguém que não consiga “acompanhar” o seu raciocínio e daí ter que ficar explicando a todo instante. Também tem a opção de conversar coisas mais “banais”, mas fazer isso constantemente deve servir como um “suicídio intelectual”.
    Sobre o relacionamento entre PATROA x EMPREGADA eu sempre me lembro da primeira vez que li “A Paixão Segundo G.H.”. A metáfora de comer a barata no quarto da empregada, para mim, insinua o sexo entre as duas personagens…
    É isso!
    Parabéns pelo blog! Acompanho sempre! Adoro!
    Beijos!

  31. Marcela disse:

    Achei a postagem extremamente elitista. Lamentável, pois é um preconceito de classe dentro de um grupo que é minoria. Digno de ser printado e mandado ao Classe Mádia Sofre. Para quem não conhece http://classemediasofre.tumblr.com/

    Enfim, admirava muito a autora desse blog até ler a enxurrada de preconceitos descritos aqui.

    • Lisa disse:

      Você leu na íntegra o post? (trecho: Enfim, estou perdida nesse assunto. Então passo a bola para você, leitora amiga:). E os comentários? Em algum momento a autora defendeu fervorosamente uma determinada posição? O que me parece é que todas as leitoras estão expondo sua posição conforme sua experiência de vida! Qual sua argumentação?

  32. Piripiripiripiriri disse:

    Haha achei engraçado vc estar surpresa qt a este assunto.
    Também nunca vi acontecer entre lésbicas, mas quando
    pensamos em um casal heterossexual parece menos incomum, não?

    Às vezes rola uma atração e, se houver respeito e paciência pode funcionar, por que não?

    Não é impossível, só é improvável.

  33. Thaís disse:

    Estou passando por isso agora…
    Não consigo definir o que é cultura…
    Mas não gostamos do mesmo tipo de comida, nem do mesmo tipo de filme, nem de beber a mesma marca de cerveja, nem do mesmo livro… Chegamos num estagio no qual não temos mais assunto…
    A convivência está insuportável… Só nos entendemos na cama…
    Nós temos nivel superior completo, somos de familia de classe média… Sei lá… Sei que não tá dando certo!

    • Dry disse:

      Que tal uma querer conhecer mais do “mundo” da outra?e acharão um ponto em comum.

      • Thaís disse:

        O problema é que nosso mundo é completamente diferente… Nas horas vagas ela é cantora de bossa nova, bebe cerveja quente e não gosta muito de socializar… E eu sou do tipo que não liga a mínima pra trilhas sonoras, adora cervejas trincando de gelada, e converso até com minha sombra… Enquanto eu tô no bar socializando ela tá no youtube decorando música, enquanto eu tô no restaurante japones ela tá na casa dela assistindo novela…
        Difícil…

  34. camila disse:

    Bem, pensei várias vezes em o que comentar sobre esse post, e confesso que estou meio insegura de comentar e parecer para as lésbicas extremamente cultas que lêem este blogger uma pessoa inculta vinda da classe baixa.
    Tenho 23 anos, trabalho e moro sozinha.
    Sem dúvida alguma não me encaixo no grupo de lésbicas universitárias ou graduadas com quem vocês estão acostumadas a conviver. Sou vendedora de uma loja de esportes, leio livros que agrada a massa, do tipo crepusculo e harry potter. E pra falar a verdade não vejo as lésbicas formadas, classe média ou média alta, e ativistas do movimento feminista como maioria, até porque, grande parte das lésbicas que eu conheço são gente de verdade, que estudam, trabalham, e lutam pelo pão de cada dia.
    Acredito sim, que pessoas com diferentes classes culturais possam dar certo, mas acho que para isso as duas tem que estar muito abertas a viver e conhecer coisas novas. Tanto a pessoa mais culta estar disposta a ir pra uma balada e escutar funk, pagode e coisas do gênero povão, quanto a pessoa menos culta assistir telecine cult e ir a exposição de artes. Tudo é uma questão de adaptação. Eu pelo menos vejo assim.
    Como já falei tenho 23 anos e não faço faculdade, na verdade comecei a fazer arquitetura, mas infelizmente não tive oportunidade de continuar, mas sinceramente me julgo muito capaz de sentar e conversar com qualquer graduada sobre qualquer tipo de assunto.
    Sou lésbica e faço parte do grupo de lésbicas em profissões baixa-remuneração-baixa-escolaridade com muito orgulho.
    Desculpe se cometi algum erro de português ou de concordância, ou se meu comentário foi totalmente sem sentido. Não foi essa minha intenção.

    • camila disse:

      Só pra complementar me comentário, minha melhor amiga é lésbica, faz duas faculdades, uma de psicologia na ufrj e a outra de gestão de rh na estácio de sá, trabalha, faz curso de línguas nos finais de semana, e essa nossa grande diferença cultural nunca atrapalhou em nada nossa amizade.
      Eu sei que estamos falando de relacionamentos afetivos e íntimos, mas pra mim es minha amizade já conta como um exemplo pra mim.

    • Jac disse:

      Não me leve a mal =)

      Sei que não é tipo “não tenho graduação pufff caí um nível cultural automaticamente”, apenas dei esse indicativo porque NA MINHA EXPERIÊNCIA isso é uma regra (e claro que conheci exceções também, mas em menor número, claro).

      E você escreve bem, don’t worry =)

      • camila disse:

        A claro. Eu que peço desculpa por ter sido ou ter parecido ser meio ignorante no meu comentário.

        E obrigado pelo elogio.

    • M. disse:

      “as lesbicas que eu conheço sao gente de verdade”

      Esse foi o argumento mais preconceituoso que eu li até agora.

  35. Evelin disse:

    Bem, não acho que a diferença cultural ou econômica em si seja um problema. O problema é relacionar-se com alguém que não tenha objetivos, quando você os tem, ou com alguém que não deseja aprimorar o próprio conhecimento, que não questiona a realidade que o cerca, enfim, uma pessoa que não está disposta a amadurecer e tornar-se responsável pela própria felicidade.
    Essa diferença pesou sim nos meus últimos relacionamentos, pois perdi a admiração pela garota, eu procurando crescer e ela sempre igual, sentia-me como a provedora (enquanto sempre desejei um relacionamento em que a ajuda mútua estivesse presente), ela não compreendia meus conflitos (pois não os havia vivenciado), nossos interesses nunca coincidiam, enfim, sentia-me solitária mesmo estando acompanhada e, então, resolvi ficar só de verdade, até que apareça alguém que realmente tenha a ver comigo… É isso!

  36. Roberta disse:

    A cultura ou a falta dela não determina se você vai gostar ou não de
    alguém, mas você conhece uma garota e ela diz gostar de sertanejo, funk e
    derivados ou gostar de assistir reality shows , filmes dublados e não
    suportar ler, certamente você vai perder o interesse.

  37. Maria Fernanda disse:

    Nossa, q tema mais polêmico! rs
    Primeiro, não acredito que nível universitário seja garantia de cultura. Minha mãe estudou até a 4ª série do primário e é bem mais culta q algumas pessoas q se formaram comigo na faculdade.
    Segundo, acredito que as diferenças culturais – sejam elas de ordem econômica ou social – não são o principal empecilho para q um relacionamento dê certo; na verdade acho q o fato de uma pessoa não conseguir se abrir para o novo é sim o verdadeiro abismo q pode vir a separar as pessoas.
    E para finalizar, Jac, no Rio de Janeiro o funk também é estereótipo de favelado. Desculpe-me quem gosta de funk, mas quem anda de transporte público no Rio sabe q quem coloca som alto e atrapalha o silêncio da viagem é funkeiro, e não rockeiro.
    Abs,

  38. izabela disse:

    Afinal, ser lésbica é ser mulher e sentir atração por mulheres ou ser universitária e ter o mesmo gosto comum por livros, músicas e filmes. Esse post fala mais sobre um perfil “da lésbica perfeita” do que sobre cultura?
    Então se eu não gostar do mesmo tipo de livros/música/filmes que você eu não sou uma pessoa culta?

  39. Gabriela disse:

    Muito bom o post! Esse tema além de interessante, é muito polêmico.
    Acho imprescindível uma mulher que saiba conversar e escrever corretamente. Se alguém aqui já passou um por chat (todas?!) entenderá perfeitamente a minha indignação. Tem coisa mais broxante do que visualizar erros gramaticais? Em um bp, encontrar alguém “culto” é sorte (quando têm, são mulheres mais velhas). Na balada você encontra aquela super, mega, linda menina, trocam telefones, e-mails e.. e? Decepção.
    Bom, acho necessário níveis culturais parecidos para um relacionamento dar certo, do contrário, sempre haverá um ponto a menos.

    • Lisa disse:

      Qual o preconceito com mulheres mais velhas? Cuidado, pois percebo que a maioria das mulheres lésbicas nestes blogs são realmente mais jovens, inclusive as blogueira ( 20 a 25 anos) e para os padrões de vocês, passou dos 30, já estão enquadradas! Não se esqueçam que de 25 para 30 anos é um pulo! A longevidade humana aumentou muito! Quando você chegar lá, você não se achará uma velha! Você estará justamente neste momento, realizando seus sonhos profissionais, adquirindo pelo próprio esforço, seu carro, seu casa, viagens, etc. Quanto aos relacionamentos é sempre uma incógnita para todas! Sua libido é a mesma!
      A maturidade te dará mais equilíbrio! E o principal, a nossa cabeça, nunca, nunca deve envelhecer! Sinto-me perfeitamente à vontade circulando no meio de vocês todas! Evidentemente que o Flexões representa um dos poucos blogs essencialmente inteligente e envolvente, disponíveis! Já é uma seletividade, mas bom gosto qualquer um pode ter e o simples fato de trocar idéias com pessoas inteligentes já faz qualquer pessoa crescer e buscar crescimento!
      Acho até que as lésbicas mais maduras deveriam participar mais nos comentários, não apenas em certos tópicos. Nós também aprendemos com vocês mais jovens!

      P.S: Gabriela não receba meu comentário como algo negativo, não acho você preconceituosa! Só foi oportuno para expor o que penso!

  40. july disse:

    Uóti is de póbrim??? Ainda bem que cultura não é pré requisito quando se parece com a Shane do The L world.
    😀 brinks.
    Tô acompanhado os comentarios…tantas meninas revoltadas por aqui!

  41. Gisele disse:

    Acho que o problema maior não é diferença econômica ou nível cultural,mas sim educação e meio social. Namorei uma menina que tinha o mesmo nível acadêmico que eu, situação financeira parecida, ela era um pouco mais velha que eu, mas, mesmo assim o namoro não deu certo. Exatamente pela diferença de educação e meio social.
    Havia certos comportamentos dela que me incomodavam bastante e ela parecia ter parado nos 15 anos, morava sozinha, sustentada pela mãe e mesmo com “problemas financeiros” só falava em trabalhar mas não fazia nada pra isso acontecer.
    Ou seja, na minha opinião para um relacionamento dar certo as pessoas envolvidas tem de estar numa mesma sintonia/fase da vida e ter uma educação, no mínimo, parecida. Por exemplo, uma amiga minha namora com uma menina que antes delas namorarem, não fazia faculdade, não trabalhava, vivia sem dinheiro, morando na casa dos pais, 4 anos após terminar o ensino médio, hoje, as duas fazem faculdade e trabalham. As pessoas num relacionamento tem de estar com o mesmo interesse.
    Cultura e preferencias não são pilares de um relacionamento, minha namorada odeia os filmes que eu assisto, não tem a mesma preferencia musical que eu e mesmo assim estamos juntas.

  42. Carol disse:

    Galera, diferença cultural seria se eu morasse aqui, e minha namorada fosse chinesa! Se eu fosse americana protestante e ela iraniana muçulmana! Diferenças de gosto pessoal NÃO É cultura!

  43. Gabriela disse:

    Lisa, só pra constar: adoro mulheres mais velhas. Tenho 24 anos e nunca namorei ngm menos de 30 exatamente por estarem estalizadas e, consequentemente já terem conseguido o que buscavam, logo, a tornavam tão somente interessantes. Além de mais maduras, são mais inteligentes, cultas e centradas. No entanto, há um certo preconceito em relação às mulheres mais velhas sob as mais novas SIM. Mas não critico, entendo perfeitamente.
    A verdade é que as duas, antes de formarem um casal, devem se gostar considerando as qualidades e pré-requisito que cada uma têm/busca.

    • Lisa disse:

      Não creio que haja preconceito com as mais novas! Ambos os lados têm receios quanto à possibilidade de um relacionamento onde haja diferença de idade. Provavelmente até mesmo por todos estes motivos citados nos comentários deste post. A tal diferença cultural! Até o momento foi citado inúmeras razões que motivam o fim de uma relação por falta de afinidades e um dos aspectos que intensifica estas diferenças é a idade.
      Acho um absurdo uma mulher lésbica se privar de tentar uma relação, só por supor que não dará certo! Tanto para a mais jovem, quanto para a mais velha! Entre a “mais culta” e a “menos culta”! A única coisa que não aceito em alguém é o desvio de caráter. Defeitos todas nós temos, qualidades também, basta procurar o encaixe!
      Há comentários de mulheres com companheiras acomodadas; mulheres desejadas, mas que são consideradas inatingíveis por serem mais cultas; diferenças de gostos; enfim, acho que em uma relação, quando algo não vai bem, devo observar o que está acontecendo, me colocar no lugar da outra para tentar descobrir o que está havendo! A falta de perspectiva de alguém pode ter um motivo! Claro que deixar o marasmo rolar, o fim será inevitável. Não tentar conquistar alguém por achá-la melhor que você é por que está faltando autoestima! Por que diferenças em gostos musicais, comida, bebida, etc., podem separar um casal? Sou carnívora e não tenho restrições com vegetarianas (Perfil de lésbicas! Nesta eu não me enquadro!)! Topo um restaurante vegetariano e se levá-la a uma churrascaria as opções de saladas são enormes! Será que estas pequenas coisas não estão ocultando algo maior?
      Bjos

  44. Gabriela disse:

    Lisa, casa comigo?!

    =D

    Bjos

  45. Gabriela disse:

    Então tudo certo!! rs

    Como pego seu contato?E-mail?

    Beijos

  46. 4tetas disse:

    Acho as semelhanças bem mais gostosas que as diferenças. Ainda mais pra um relacionamento que eu queira que seja sério e duradouro.

  47. Isabela disse:

    Eu sou universitária e tive o prazer de conhecer moradores de rua em uma disciplina do semestre passado. Alguns deles, com baixa escolaridade, tinham perspectivas de vida, percepções do funcionamento da sociedade e filosofias de vida que condiziam com nomes bastante conhecidos da antropologia, educação, ética e mimimi. Foi um belo de um tapa na minha cara, e serviu pra desmistificar bastante muitas coisas na minha vida.
    Então, não acho que cultura atrapalhe, pelo que pude perceber pelos comentários não são as diferenças sociais e/ou monetárias o impedimento maior para que essas relações sejam possíveis e sim, o fato de cada uma ter uma perspectiva diferente na vida. E isso não leva em consideração, necessariamente, cultura, gosto, classe social ou poder aquisitivo.

    • Isabela disse:

      A essa hora da madrugada, eu espero que meu comentário tenha alguma coerência! hahahahahahha

      • Priscila disse:

        That’s true.

        As pessoas associam visões de vida à valores culturais, mas, apesar de relacionarem-se, não são intimamente ligados.

        Os Zés e as Marias analfabetos e desprezados são muito mais sábios que muito doutorzinho por aí. Sapiência é muito mais do que agregar informação.

        Relacionamentos com essas diferenças não dão certo por não haver AMOR. E muitas vezes o que relaciona relacionamentos assim são as coisas em comum e o sexo.

        Mas sem ele nada se sustenta.

      • Paula disse:

        Seu comentário não só foi coerente, como foi também objetivo e realista. A maneira de encarar a vida e de compreender o outro tem mais força que vários aspectos culturais juntos, desta forma, concordo com você 🙂

  48. Fabi disse:

    Oi! como sempre seu post está interessantíssimo e bem divertido… realmente diferenças culturais devem ser difíceis de lidar em um relacionamento…
    Só uma coisa achei meio estranha: o fato de você ficar espantada com diferenças culturais entre lésbicas, se a homossexualidade é uma característica inerente de uma porcentagem da população em geral isso inclui desde pessoas abaixo da linha da pobreza até as da mais “alta sociedade”.
    Meu grupo social é relativamente homogêneo como o seu, (lésbicas unviersitárias-sulistas-da-capital-classe-média) mas o mundo é maior do que isso, ja conheci lésbicas que nem pensam em terminar o ensino fundamental.
    Não concordo com nenhuma característica agregada aos homossexuais, a unica característica em comum é o fato de sentirem atração por pessoas do mesmo sexo…

  49. rita disse:

    Você não se equivocou ao intitular diferenças culturais? Pra quem se diz universitária/letrada/inteligente/e por ae vai, não saber nem o que é diferença cultural é de lascar.

    • Jac disse:

      Apesar do título do post (que não podia ser muito grande), eu tentei tratar a questão com base em NÍVEIS.

      Mas claro, por favor, ilumine minha mente ignorante com a definição inquestionável de cultura – aquela que é consenso absoluto entre sociólogos, filósofos, atropólogos, historiadores e afins. A partir disso, você talvez possa me dar a definição correta de “diferenças culturais”.

      Sei que sua modéstia deve ter te impedido de já explicar esses conceitos no seu primeiro comentário, mas eu peço que compartilhe seu conhecimento comigo, uma vez que deixei claro no post que “considero alguns aspectos para indicar o “nível cultural” de uma pessoa, mesmo que não seja determinante” baseado em meras experiências pessoais e não em anos de estudos sociológicos e filosóficos sobre cultura.

  50. Ana disse:

    É Jac, não adianta: inteligência é afrodisíaco!!!

  51. Kah disse:

    Ri demais com o post, pra variar! Rsrsrs. Então… Eu não acho que a diferença “cultural” em si atrapalha. Penso que se as duas pessoas se gostam e, mesmo tendo níveis culturais diferentes, têm objetivos parecidos e vontade de alcançá-los juntas, as chances de dar certo são grandes. E acho, ainda, que isso vale tanto pra namoro quanto pra amizade, família, etc. Parabéns pelo blog! Aguardando ansiosamente por novos posts!

  52. Raquel disse:

    Cruzei com esse post somente agora! hahaha Bom, li os comentários e resolvi falar de mim (sou gemiana com ascendente em touro, sou egocêntrica, me deixa!): eu acho que eu sou a exceção. Engraçado que eu acho que nunca parei pra falar disso assim… na vida.
    Particularmente, eu tenho muitos vícios de linguagem (prolixidade, solecismo, pleonasmo, gírias e por aí vai)… porém eu sou capaz de me transformar totalmente quando é necessário que eu utilize a norma culta.

    E eu só tenho o ensino médio, surtei na hora de escolher uma faculdade quatro anos atrás, mas esse ano resolvi tomar vergonha na cara, haha. Mas eu trabalho, ganho um dinheiro legal, tenho meus luxos. Estudei a minha vida inteira em escola pública, portanto possuo vasto conhecimento da cultura de massa. Minha mãe é uma pessoa simples, meu pai era semi-analfabeto até entrar no Exército, teve um insight e hoje é formado em três (!) faculdades.
    A maior parte dos livros que li na minha adolescência eu pegava emprestado, quem me conhece sabe que eu sei a letra de 70% dos funks, coisa e tal e juro que não é só brinks, eu curto de verdade… deve ser meu sangue carioáca. Mas eu também curto um bom rock, samba de raiz, choro, indie e até música eletrônica eu escuto pra dar aquele gás na academia. E eu também tenho um nível avançado de inglês, aliás, se você só aprendeu o verbo to be você pode ser considerada autodidata, néam?
    Se tiver um Meia-Hora (pra quem não conhece: http://www.naosalvo.com.br/as-25-melhores-capas-do-jornal-meia-hora/) em cima da mesa eu leio tranquilamente, na minha estante tem Dostoievski (juro por Deus e olhe que eu acredito em Deus, hein), tem Graciliano Ramos, tem um monte de coisa, tem até aqueles com capa de “mimimimi bestseller” (“Sybil” é um livro incrível)… aí você me vê, essa figura que transita entre dois mundos, deve ser porque eu sou geminiana, tudo está nos astros, hahahahaha. Na minha vida social e profissional, eu conheço desde mendigos até diretores/presidentes de grande empresas. E a gente se dá bem.
    Putz, tô escrevendo muito… eu disse, né? Prolixidade do carajo. Não sei se eu conseguiria ter um relacionamento (… AT ALL) com alguém que não consegue lidar com meu lado culto and favelado, porque eu (acho) que consigo lidar com qualquer um. Onde eu estava mesmo? Ah, sim… fiquei chocada com alguns relatos de “tínhamos o mesmo nível cultural, mas ela ganhava menos”, ai, gente… não é querendo “fugir da realidade”, mas diferença econômica conta MESMO? Sei lá… imagina se eu encontro o amor da minha vida e ela desiste de mim porque eu sou meio fodida? hahaha Anyway… já vi relacionamentos com enorme diferença econômica dar certo, mas com enorme diferença cultural (extremos no caso), não. Mas acho mó bonito quem sabe conciliar as diferenças como eu li aí por cima.
    Fim.

    • Maria Fernanda disse:

      Raquel, minha namorada é bem parecida com vc. Curte um “funkão”, mas já é mestre e super culta. Deve ser mal de geminianas rsrsrsrs

    • K . disse:

      Me identifiquei muito com você e temos o mesmo nome. E Você é do Rio também? Será que eu que escrevi esse comentário um dia muito louca? hahahaha To brincando. Quero seu email, pode ????? 🙂

  53. Galega disse:

    Não do conta de mulher que escuta funk, sertanejo universitário, machuda e pobre ou ta sempr e como todo pobre é orgulhosa. Pra evitar estresses, passo longe desse tipo. Chô satanás! Resumindo, diferença de classe social pra mim faz toda diferença.

  54. Afonso disse:

    Seus textos são muuuito bons.

  55. Gabi disse:

    História de vida: em uma padaria, pertinho da minha casa, tem uma caixa que é linda de morrer, lésbica, e sempre, eu disse SEMPRE, me dá aquela olhada 43 (ou seria 44?). Eu fico apenas super constrangida. Nem consigo olhar no rosto da guria, pq né, vai que eu olho demais e junto com a notinha fiscal ela me entrega o telefone, ou pior, o Orkut.
    É um preconceito, eu sei, como você mesmo disse, Jac, a guria pode ser alguém com o nível cultural até muito mais alto que o meu (não que o meu seja muita coisa, nunca tive saco para ler O Manifesto Comunista. Agora pergunta algo de Harry Potter… Desculpa, sociedade. Desculpa, Brasil). Porém, utopia, não trabalhamos.

    PS: juro que não fui procurar, mas satanás atenta… aqui, na caixa de comentários, tem um errinho de pontuação (mas que na verdade eu tenho certeza, foi erro de atenção). Após “será publicado” faltou um ponto final.

    Beijocas ;*

  56. Tata disse:

    Eu já passei por uma situação dessas. É um pouco complicado quando eu queria ver um filme legendado e ela não aguentava, ou quando eu queria ir em um show de rock e ela ficava reclamando que dava dor de cabeça. É difícil namorar uma pessoa que gosta de pagode e vê filmes dublados (até filmes bobos ela não suportava legendado). Não foi o motivo pelo qual terminamos, mas que isso ajuda a distanciar as pessoas bastante, é um fato. Acaba cada uma saindo com as migas que gostam das mesmas coisas e só se encontrando pra se pegar (cof cof). Então no final das contas vira um fuck buddy e não um namoro =/. Por isso que é bom você ter gostos parecidos com quem você namora, para poderem compartilhar mais do que sexo D:

  57. Tita disse:

    Jac, li os comentário, me enquadro no campo das antropólogas, sociólogas, literatas, historiadoras e afins, e resumo meu pensamento na fala de um autor chamado Homi Bhabha, dentre vários conceitos possíveis para culturas prefiro acreditar que existem identidades, e que elas são construções, invenções e deslocam-se de acordo com as identificações de cada sujeito. Por isso penso que como toda “verdade” é um simulacro, uma invenção não acredito em níveis culturais, talvez pela forma como nossa sociedade pós-moderna e contemporânea se articula existam níveis econômicos que não inviabilizam o acesso a qualquer sujeito a todos os espaços sociais. Se levarmos em consideração os parâmetros descritos no seu texto, entendo, que reafirmaríamos os velhos conceitos colonialistas europeus onde apenas homens, brancos e cristãos teriam cultura, logo nesse perfil eu e você, que nascemos numa pós-colônia, seríamos apenas indivíduos aculturados e descivilizados. Concordo, porém, que no meio lésbico, assim como em outros meios há sim elitismos e segregações, mas não acredito que devamos acreditar na normalidade desses fatos, pois estaríamos ratificando a justificativa de alguns para a permanência de preconceitos…Vamos pensar; existimos na diferença. E como diria Stuart Hall viva “a celebração móvel das identidades.”

  58. Isa disse:

    JAC!

    Adoooooro o flexões e navegando na net fiquei revoltz com um tumblr que eu vi usando seus texto! Ai vir aqui dedurar mesmo.. o link é esse aqui:
    http://conselhoslesbicos. blogspot. com. br/search?updated-max=2012-07-16T23:12:00-07:00&max-results=7

    • Jac disse:

      Acho que já tinham me mostrado o blog dessa loser aí. Mas anyway deixei um comentário elogiando o ótimo conteúdo do blog =)

      • Will disse:

        Jac, O bom das temáticas abordadas aqui, é que percebe-se o “nível” de opiniões expressas. Mas, a exposição de cada tema é colocada de forma humorada, o que dissipa qualquer sintomatologia de preconceito ou marginalidade. Bom, já opinei em mais um tópico aqui, hehehe. E continuo a ler outros.

  59. Isa disse:

    Ai *tive que*

  60. Lélis disse:

    Gente, que conversa é essa de diferenças culturais?! Se fomos todas criadas e vivemos nesse mesmo país homofóbico e transbordante de atrasos sociais, somos muito mais semelhantes do que diferentes. Viva a diversidade! “Eu te deixo ser, deixa-me ser então” – C. Lispector.

  61. Dani disse:

    Boa tarde meninas e Jac também.. Na última sexta-feira me deparei com seu Blog e fiquei bastante curiosa, já alguns post e achei tanto você como as leitoras meninas inteligentes, sábias e experientes, gosto disso! e é bom encontrar nesse meio virtual pessoas que se preocupam não somente com quem é gostosa ou não é..
    Um beijo a todas e espero poder fazer amizades

    =*

  62. Acredito que significa bastante. Até pra você ter uma aproximação maior com a menina. Se as diferenças culturais forem discrepantes não rola nenhum estimulante pra um relacionamento.

    Entretanto, dependendo da personalidade das mulheres pode rolar uma troca.

    Eu particularmente TENTO me adaptar aos padrões culturais da garota, ou pelo menos conhecer. Apesar de sempre acabar me relacionando com meninas “parecidas” comigo.

  63. Leticia Bastos disse:

    Bem ja passei por isso e foi dificil…
    e complicado vc e a pessoa com quem estar serem de “mundos” diferentes, o que acontecia era que nos discutiamos por bobagens como gosto e nos desentendiamos por coisas que parecem superfolas e muito complicado ate pra explicar.
    resumindo enquanto eu escuto mpb, rock e amo ler Chico Buarque a garota escuta brega e falava “deroxa mesmo mano, vou me puxar( estou indo embora)” e outras girias terriveis e não lê absolutamente nada.
    Hoje em dia não estou com ela, estou em outro relacionamento onde minha namorada gosta de rock, mpb e lê Caio F. de Abreu.

  64. Erica Bartolazzi disse:

    Adoro os assuntos que você coloca Jack! Sei que não tem nada a ver com esse assunto, mas talvez também existam outras leitoras passando pela mesma situação. Andei vasculhando por aqui e vi coisas muito interessantes e esclarecedoras sobre momentos da vida nos quais praticamente toda lésbica já passou. Me diverti bastante com os assuntos: “ A hetero que quer, mas não quer” e “apaixonada pela amiga”. Até me identifico com essas duas histórias, mas em papéis opostos. Acho que estou mais ou menos na situação de pseudo-heterossexual apaixonada pela amiga lésbica (ou provavelmente, não tive coragem suficiente para perguntar). A história é longa. Conheci a menina no colégio (de freiras rsrs) estudamos o ensino fundamental e o primeiro ano do ensino médio juntas e éramos unha e carne. Desde os 14 anos tenho uma quedinha pela menina, mas ela acabou sendo expulsa por ser polêmica (legal, bagunceira e “supostamente lésbica”). Sem minha alma gêmea eu fiquei “certinha e sem graça”. Minhas notas melhoraram, alguns meninos se interessaram e passei para o curso que sempre sonhei em uma universidade federal. Nesse meio tempo, fui forçada a cortar relações com minha amiga. Mas a faculdade nos uniu de novo, pois me deparei com meu amor platônico em pleno restaurante universitário. Reconheci a moça de cara! Ela também… Essa greve está nos aproximando. Infelizmente não estudamos no mesmo curso. Ela faz Letras, eu Geografia. Mas saímos frequentemente e prometemos tentar pegar matérias juntas. Sempre fui muito travada para questões mais íntimas, tenho muito medo de me frustrar e acabar machucando de novo minha amiga. Meu “Gaydar” é totalmente despirocado. Gostaria de saber duas coisinhas rsrs. O ponto chave: Como reconhecer uma lésbica? Outra questão, não menos importante é: Como dar pinta? Juro que tentei descobrir. No aniversário dela levei flores e vinho, mas a única coisa que ganhei foi porre e vômito na minha blusa favorita. Embora tenha rolado algum carinho. Não foi o suficiente para sacar se era lésbica. Tentei arrancar algumas coisas antes dela dar PT, mas foi em vão. Três coisas que me chamaram a atenção: ela pratica Tênis, o corte de cabelo é meio curto e bem repicado, tem alguns amigos gays e pelo menos um casal de amigas lésbicas. Adora sair com esse grupo de amigos e, oficialmente, não está com ninguém. Das vezes que saí com ela, não olhou para nenhum rapaz e parecia não se importar com as cantadas que recebia. Mas não percebeu que discretamente eu a devorava com os olhos. Aliás, acho os olhos carregados de rímel que ela usa muito atraentes. Costuma usar um traje esportivo e despojado na maior parte do tempo, mas pra sair, chega a usar vestido e salto. E se ela for? Que tipo de comportamento devo tomar? Afinal… No que uma mulher lésbica presta mais atenção quando está interessada em alguém? Se alguém pudesse me ajudar… As únicas experiências que tive foram essa e um casal de lésbicas no The Sims (triste).

    P.S.: Talvez tenha errado o lugar para dar sugestões de assunto. Desculpe. Sou nova aqui.

  65. Lo disse:

    Uma pitada de etnocentrismo, não?

  66. Priscila disse:

    Amor é saber respeitar as diferenças 🙂

    Interessante o post, com todo meu bom humor eu só pude dar risadas, mas se parar pra pensar seriamente que a situação econômica e a escolaridade podem definir o grau/nível de cultura das pessoas então o negócio tá feio… Essa parte prefiro levar como teoria (provavelmente não foi gasto anos de estudos nela háháhá ^^) Eu não sei escrever muito bem, mas já li de tudo um pouco! Já ouvi variados gêneros de música, e tenho apenas o ensino médio completo e um curso (já tenho 18 anos)… O mais inacreditável é que por ler de tudo um pouco acabei me tornando uma pessoa que sabe de TUDO um POUCO, então apesar de não ter uma escolaridade ainda elevada, meu nível cultural (acredite se quiser) já está bem elevado (pelo menos para as pessoas de 18 anos, claro!). O pior é que encontro muita gente por aí que se diz cheia de estudo, mas na hora da conversa tudo o que eles sabem é só sobre um assunto único.

    Também tem outra coisa que eu acho relevante citar – Não adianta nada a pessoa ter faculdade, dinheiro, mestrado e ser mesquinha, mau cárater, infiel, acho mil vezes melhor uma pessoa simples, sem dinheiro ou estudo, mas com um coração bom, porque isso, não tem dinheiro nenhum no mundo que pague.

    • Will disse:

      Oi Priscila! Seu comentário é oportuno. Mas, observo que seu nível cultural é grande, isso não tem muita relação com a escolarização. Pois minha mãe tem 70 anos, ensino médio e debate sobre economia, política, esporte, sociologia, filosofia e o que você imaginar! E com qualquer pessoa. Ela simplesmente é uma leitora assídua de bons livros, jornais e revistas. Na verdade há pessoas com imenso nível cultural que não condiz com a escolarização. Para essas pessoas, não há diferença no convívio com outros indivíduos de alta escolaridade.Isto porque, ela domina áreas de conhecimento amplo, são os diversos tipos de inteligência que foram adquiridos com o desenvolvimento da leitura e o domínio da interpretação desse material de leitura. Essa pessoa além de ser super inteligente, sofrerá também se a pessoa com quem se relaciona, não dominar um conhecimento semelhante. Não tem muito a ver com poder econômico. Agora, o caráter é virtude indispensável para qualquer pessoa e em qualquer nível intelectual. E isto não tem escolaridade que mude. É exatamente o que disse, inaceitável que falte caráter no indivíduo.

    • K . disse:

      Pri, me da um beijo!!!!!

  67. Nati disse:

    Assim que eu comecei a ler o texto pensei: putz, vai chover mimimi de preconceito, apesar da clara contextualização dos comentários (olá! sou classe média, tenho ensino superior). Sempre tive bem claro que pra mim essa barreira cultural (mimimi o que é cultura?) era algo intransponível. Tenho 28 anos e há 4 sou casada com uma mulher 2 anos mais nova. Eu médica cirurgiã, mestrado, doutorado, 4 línguas. Ela escritora, sempre na pindaíba, mas fazendo mestrado e me dando um baile em assuntos sociais. Sou crica, arrumadinha, metódica e estressadíssima, ela um poço de serenidade. Fica na cama lendo jornal e trabalha em casa. Eu acordo as 6 e volto tarde, quando não tem plantão. Nossos gostos são muito diferentes em quase tudo, assim como nossos amigos. Mas nossa conversa é uma delícia e eu admiro profundamente tudo o que ela escreve. Eu banco a casa e faço as vezes de mecenas, mas ela rala muito tambem. Enfim, a questão educacional (será que atingi o politicamente correto? Nunca, né…) é nosso único ponto em comum, e a julgar por nossas conversas, o mais importante pras duas.
    Enfim, toda essa baboseira era só uma forma de dizer Go Girl, apesar dos tropeços, concordo.

    • Nati disse:

      Opa! Acidentalmente roubei minha idade, 38, com muito orgulho!

    • Will disse:

      Oi Nati, tudo bem? Só para ressaltar uma observação. Sua esposa tem o mesmo nível intelectual que você. Pois as diversas áreas do saber de vocês, são diferenciadas. Contudo, você relata assuntos e temáticas que são de amplo domínio de sua esposa e que você aprende com ela. É lógico que ela provavelmente não venha a fazer cirurgias, mas entenderá um procedimento cirúrgico se você comentar. Mas, a glória de sua união, está nas diferenças existentes e na capacidade de aprender uma com a outra, é aquele nível de cumplicidade entre duas pessoas que ultrapassa o entender da maioria dos simples mortais. Mas o ajuste entre vocês é justamente o nível de interação do conhecimento de cada uma. Imagine se ela só falasse sobre culinária e o tempo todo comentasse de que os produtos no mercado estão pela hora da morte, e que seu assunto predileto fosse as novelas! Um dia você iria sentir falta de algo mais! De uma conversa inteligente e elaborada. Sorte sua que tem uma esposa DEZ em cultura! Continue dessa forma, que falta muito pouco para que você veja uma publicação extraordinária de sua esposa nas livrarias e e-books da vida!

  68. Will disse:

    Um prato cheio para discussão é a diferença cultural. Creio que é utopia dizer que pessoas com níveis diferenciados culturalmente sobrevivam em relacionamento duradouro. Parece-me conto de fadas, onde um dos personagens espera um amor bem-sucedido culturalmente e economicamente.(Pois, subentende-se que quanto maior a cultura, melhor o nível econômico). Essa situação leva-me a lembrar de alguns contos, histórias e crônicas do dia-a-dia, em que uma pessoa sai em viagem para regiões internas do país em busca de outra. O achado será: Uma pessoa bela, sem cultura e que possa concordar com o estilo de vida proposto e traçado para ela. O lucro: Terá uma pessoa facilmente manipulável e que renderia os prazeres de uma bela companhia. O desconforto seria: Ir sempre a procura do que tem falta(Boa conversa e troca de conhecimento. Ou seja, vai haver traição). A diferença de gostos, preferencias, conceitos e valores, ainda são pedras no caminho de alguns relacionamentos, imagine você acrescentar mais um, “o diferença de cultura”. E não falei que a diferença de cultura é responsável por 90% das diferenças de: gostos, preferencias, conceitos e valores. Dificilmente quem gosta de Bach irá gostar de Michel Teló. Ou quem Assistiu E o Vento Levou vai contentar-se com As patricinhas de Beverly Hills. Ou quem leu O Idiota (Fiodor Dostoievski) vai dizer que adorou Crepúsculo e toda saga bobalhona de Stephanie Meyer. Cá pra nós, um bom nível é necessário, mas os horizontes podem expandir-se; e quem sabe você não convence a pessoa dita aculturada, a adquirir cultura? Mostra pra essa pessoa que um investimento cultural quer dizer investimento econômico e social.heheheh.

  69. Alice disse:

    Essa é minha humilde opinião, por acaso de ignorante, hudheuhde:
    Acho sim, que é muito complicado estabelecer um relacionamento com indivíduos de preferências divergentes, apesar de ser nova em minha carreira lesbian, penso assim pelos meus últimos “relacionamentos”!
    Tenho 18 anos, graduanda de Direito. Graças à Deus, porque creio nele, não preciso trabalhar, amém por isso!! Me relacionei com uma mulher de 25 anos de idade, que estava terminando a faculdade de Odonto, ela era “a f*d*n*” da relação, [mulher tem grande problema de se achar o melhor partido, quero dizer a vocês, que minhas filhas acordem pra realidade por favor] independente e a grande diferença conseguiu passar no vestibular e eu no meu fracasso faço faculdade particular, porque apesar de ter estudado em escola privada em toda minha vida, o meu E.M. foram três anos de muita p*t*r*a que ainda sinto muita falta, não obstante que a p*t*r*a da facul é muito maior, mas é algo mais levado a sério! Logo no nosso primeiro encontro, ela disse que não namoraria comigo por eu ser bissexual e pela minha idade, eu disse okay né, não podia fazer nada! Começamos a ficar, eu percebi que realmente não poderíamos namorar, porque apesar de eu ser universitária esse bláblá todo, eu tenho no meu ID um lado “meio laje” que minha mamãe diz que deve ter vindo de outras vidas, eu gosto de pagode e sertanejo [sertanejo por influência da facul], a mulher gostava de rock e música internacional, não gosto de música internacional porque agora que estou em reconciliação com a língua inglesa, pela 4ª vez, mas dessa vez já aceitei que nossa relação será séria! Eu falo com tante gente, que as vezes pessoas falam comigo, nem consigo me recordar quem seja, ela era mais reservada. Ela dizia que eu tinha que trabalhar pra ter uma certa autonomia em relação à minha família, eu pensava sozinha na minha ingenuidade, em trabalhar, mas com essa minha linda formação de E.M. e alguns cursinhos não muito relevantes, o salário não compensa meu esforço, porque não iria suprir minhas necessidades e iria ficar uma rotina muito cansativa pra mim, sem contar que ela em sua mente deve acreditar fielmente que é o melhor partido dessa cidade, então aproveitei pra deixá-la com algum outro “excelentíssimo partido”! Até porque não irei deixar minha linda vida de “menina de janela” e “filhinha de mamãe”! E quanto a diferença econômica acredito que não há importância, dependendo da pessoa, eu mesma sempre me relacionei com amigos de classes sociais inferiores a minha e nunca vi problema nisso, só quando alguns “elementos” agiam de má fé se aproveitando da minha boa vontade! [ E no nosso Brasil gente malandra que acredita que tudo se resolve com um jeitinho brasileiro, existe em todas as classes sociais]. E por acaso o meu melhor amigo da faculdade é índio, não tem carro, nosso poder aquisitivo é significativamente diferente, mas nos damos bem porque ele tem o mesmo lado laje que eu! udheuhduhehde #E quando me refiro a esse meu lado que denomino “meio laje”, ele não está ligado a falta de educação!
    Ah, apesar de gostar demais de pagode e sertanejo, eu leio mulheres! Eu tenho um acervo intelectualizado humanístico se aprimorando cada vez mais! rsrs *.*

  70. Carneiro B. disse:

    Inicialmente, parabéns pelo blog, muito bem idealizado!
    Cruzei sem querer com seu blog em um de seus comentários no “Blog da Lola”, o qual sou fã de carteirinha.
    Seu post sobre “Diferenças Culturais em Relacionamentos” me chamou muito a atenção e, por este motivo, resolvi dar meu relato:
    Tenho 27 anos, sou advogada, milito em duas das maiores cidades do interior do Estado de São Paulo, mas vim de uma cidadezinha bem menor, interiorzão mesmo. Sou filha de um pedreiro aposentado e de uma cozinheira e, não tenho vergonha alguma disso, afinal, foi o esforço de ambos que fez de mim o que sou hoje (até pouco tempo atrás o muro da casa dos meus pais não tinha reboco). Meu pai tem até o 2º ano do Ensino Médio, mas é de longe o cara que mais entende de política e história que eu conheço (e olha que divide casa com estudantes de Sociais).
    Vivo em “união estável” com uma mulher de 25 anos, estudante de matemática de uma universidade federal e, que está na faculdade há 07 anos, pois não consegue terminar o curso, já que o detesta.
    Por uma ironia do destino, nós duas somos da mesma cidadezinha infernal do interior de São Paulo, mas, viemos a nos conhecer apenas quando eu me mudei pra cidade “grande” a fim de fazer “carreira”. Ela já estava aqui a estudo.
    Eu estudei minha vida inteira em escola pública, trabalhei durante os cinco anos de faculdade, enfrentei desde expediente em fábrica a loja de 1,99. Ela, estudou a vida toda na melhor escola particular da cidade de que viemos, começou trabalhar em 2009 e, ainda ganha um dinheirinho todo mês do pai.
    Eu leio Nietzsche, Dostoievski, Gabriel Garcia Marquez e todo esse blá blá blá Cult; mas, também me rendo às delícias de “A menina que roubava livros”, “Caçador de pipas” etc; além, é claro, dos meus pequenos, porém não, livros de Direito. Até 4 anos atrás, os livros que eu lia eram todos emprestados de bibliotecas públicas e, hoje, gozo do privilégio de ter minhas próprias coleções.
    Ela pouco lia, passou a ler mais depois que nos conhecemos, acha um tédio os livros que eu leio, adora uma tal de “Cassandra Clare” dentre outros escritores que não me recordo os nomes.
    Neste ponto, tem algo que é um pouco engraçado, pois, quando nos conhecemos, ela usava um dicionário pra falar comigo ao telefone, pois diz que eu usava palavras que ela não entendia.
    Eu ouço Indie, Rock e MPB. Ela MPB, pagode, pop e um pouco de sertanejo universitário. Eu amo Tarantino, ela odeia; eu gosto de filmes franceses, ela dorme; eu adoro filmes cabeças, ela gosta de filmes blockbuster e animação (adora os Transformers). Enquanto eu fazia teatro aos 16 anos, ela estava jogando futebol em algum time.
    Analisando ambas as criações (minha e dela) eu teria todos os motivos do mundo para me encaixar no perfil da menininha da periferia inculta, que curte um pagodão, adora um funk e lê crepúsculo. No entanto, ela, que cresceu em meio à burguesia da cidade (é de uma das famílias de maior renome da cidade) faz/gosta de tudo que eu não faço/gosto.
    E, detalhe, eu ganho bem mais que ela.
    Apesar dos pesares, e das nossas diferenças de gostos/cultura, ela é a pessoa mais inteligente que eu conheço, a mais engraçada, a mais linda (por dentro e por fora) e, não, as diferenças não atrapalham. Confesso que acho que seria um tédio conviver com alguém que tivesse exatamente os mesmos gostos que eu, no final das contas, as coisas iam ficar paradas demais.
    Sabe aquela coisa de “os opostos se distraem e os dispostos de atraem”. No fim das contas, é isso que importa, a disposição pra fazer dar certo. E daí que ela diz que Florence + machine é uma merda, e que eu ache Paula Fernandes um lixo, no fim da noite, é ela que eu tenho ao lado, e é dela que vem a minha força pra continuar lutando.
    Assim como aprendo muitas coisas com ela, ela também aprende muito comigo. Se antes eu achava que todas as pessoas de boa família, que moravam nos melhores bairros, seriam elitistas (como vi aqui), ela me fez mudar muito de opinião. Pois mesmo sabendo que eu era de uma origem humilde, que estava em início de carreira, pobre, ferrada, ela me deu uma oportunidade de mostrar que eu era bem mais do que minha conta bancária ou o muro sem reboco da casa dos meus pais e, eu dei a chance de ela me provar que a “elite” também tem “gosto de pobre”.
    Classe social não está diretamente associada à cultura; nível superior não é garantia de inteligência; conta bancária gorda não é sinônimo de educação. São coisas desvinculadas. Tratar de forma diferente é pretender segregar as massas. É generalizar as coisas. É banalizar as diferenças e criar um abismo entre a gente, por nos acharmos um espécime superior só por termos lido o Manifesto Comunista.
    Viva às diferenças!

    P.S.: Tenho amigas lésbicas que são mestres, doutoras e algumas até a caminho de um P.h.D. e que não tem a metade da inteligência de muita gente que sequer teve a oportunidade de estudar que eu conheci;
    P.S.2: dividia uma cara (república) com um casal de amigas, sendo uma tão pobre e ferrada quanto eu, e a outra tão endinheirada quanto a minha atual companheira e, pasmem (vocês que acreditam que diferenças sócio-econômicas são prejudiciais), assim como eu e minha namorada, ambas vivem na maior harmonia.
    P.S.3: cultura não é problema algum, o problema é a mente fechada de pessoas que não conseguem lidar com nada que vá além de seu próprio umbigo. O nome disso é egoísmo.
    P.S.4: Magal é o cara!

    • Lisa disse:

      Lindo depoimento! As mulheres precisam aprender o que é amar!
      Bjos

      • Carneiro B. disse:

        Obrigada, Lisa! Seus comentários são dos mais sensatos que li acima e, concordo com seu posicionamento de “sumidades graduadas mergulhadas na ignorância”, pois, diariamente, tenho contato com diversas dessas sumidades (vulgos adEvogados, os quais sequer sabem usar de forma adequada a escrita, mas acham-se superiores por vestirem roupa social e serem chamados de ‘doutores’ sem ter doutorado).
        Hoje em dia, qualquer um (QUALQUER UM MESMO) pode fazer um curso universitário. Universidades em que você ‘perde o RG na portaria e passa no vestibular’ existem aos montes. Supletivos em que você sequer frequenta as aulas também.
        Durante meu curso universitário tive contato com muitos analfabetos funcionais, mas, isso já é uma questão de cunho social, a qual deve ser tratada em sua raiz…
        Enfim, por isso sou contra essa elitização, diplomados também são incultos e, muitos diplomados por aí gostam da cultura de massa (música ruim, livros ruins, filmes blockbuster etc etc etc).
        Como advogada trabalhista tenho contato, diariamente, com operários que sequer tiveram a chance de concluir a quarta série do ensino fundamental e, acredite ou não, muitos deles me dão um show de cultura e de saber.
        A meu turno, cresci numa comunidade pobre, sou a terceira filha de um casal de operários, e a prova viva de que ‘cultura’ não está relacionada ao status social. É por isso que abomino generalizações. Essa coisa de ‘superioridade’ é besteira. Ninguém é melhor do que ninguém. Diferenças existem sim, ninguém nunca será 100% compatível com você, isso é mero platonismo.
        Temos de aprender a conviver com as diferenças, a ter respeito mútuo, a aceitar que você pode ensinar a outra pessoa, mas também pode aprender muito. Em qualquer relacionamento, seja ele com uma mulher mais ‘culta’ ou menos ‘culta’ que a gente, é preciso ter disposição, um eterno renovar pra fazer dar certo, qualquer uma de nós está sujeita a cair nas garras da rotina e ter o seu relacionamento desfeito por bobagens como essas barreiras que algumas de nós estabelecemos em nossos relacionamentos sem nem mesmo perceber.
        O amor não superava tudo até um tempo atrás? Isso não é um mero sonho utópico, mas, pra fazer acontecer, temos de deixar de pensar apenas em nós.
        Whatever… Esse é um assunto que rende muito e eu tendo a falar demais rs.
        beijo!

        • Lisa disse:

          Olá!

          Essa busca incansável por um relacionamento onde haja muitas afinidades é extremamente limitante! Não sou contra este tipo de relação, mas apenas assim como padrão é que é questionável. Há muitas mulheres que se afastam de imediato de outra possível companheira, sem ao menos se permitir conhecer!
          E particularmente acho que as relações pautadas por apenas afinidades pode estar pecando no fato de estar alicerçado com certa fragilidade, se compararmos com um relacionamento onde a diferença fortalece no sentido de resistir mais às intempéries da vida. Ambas estão sujeitas às crises e riscos que todas as relações podem apresentar, a visão individualista é que ratifica o fim de uma relação, satisfazer apenas a si mesmo e esquecer que em uma relação há duas pessoas e que devem se completar.

          Bjos

          P.S.: Gosto de ler bons livros, assistir filmes “cabeça”, mas também sou uma ótima companhia para assistir um filme enlatado americano com pipoca e guaraná! Inclusive os “Transformers”!

          • Carneiro B. disse:

            Quando se gosta de alguém, de verdade, se supera qualquer coisa. Também curto assistir um enlatado de às vezes, assim como aprendi a assistir aos jogos do Campeonato Brasileiro e xingar o juiz de ladrão… É tudo questão de adaptação, deixar de lado o “umbiguismo” e, tentar uma satisfação mútua. Acho que, dependendo da pessoa, vale a pena qualquer tipo de esforço nesse sentido.

            Beijo =*

  71. K . disse:

    Jac, me ajuda. Me descobri bi tem pouco tempo e preciso conhecer meninas nessa cidade urgente! rs Moro no Rio e aqui não rola nenhuma festa declarada para lésbicas ! Tem alguma carioca por aqui pra me apresentar ? Tenho 24 anos. ::)

  72. Ana Raquel disse:

    Me deu uma pontadinha de felicidade quando vi o título do post porque eu vivi um case de diferença de nível cultural. Eu fui super gamada em uma guria londrina que recentemente concluiu seu mestrado em epidemiologia moderna na Inglaterra. Vejamos, não é somente por isso que eu a considero culta, afinal ela fala russo e alemão, curte esgrima e gosta de escalar, toca violão (ela tem oito…..), desenha super bem, tem gosto eclético para música, tem estilo despojado, pratica artes marciais blabla blabla…. Enfim, conversamos muito (despertamos um ótimo senso de humor na outra) e a atração física é mutua, temos várias coisas em comum, mas isso não basta (pra ela). Eu já tentei levar nossa amizade adiante umas três vezes entre intervalos de alguns meses e sempre recebo a mesma resposta…. ela gosta de mim, é atraída, se importa, me admira etc. mas o que a enlouquece em uma pessoa é inteligência, saber manter um papo cabeça, se perder em algum assunto durante horas, alguem que provoque o seu intelecto. Por mais que eu me morda ela tem razão. Eu deixo a desejar…sinto que em muitos casos eu freio nossas conversas e não contribuo o suficiente pra manter o assunto ou que ela se mantenha interessada e acabamos pulando de tema em tema. Ela diz que queria ter me conhecido em 5 anos porque sou (quase) tudo o que ela queria em uma pessoa e quem sabe até lá eu não….

    But on the other hand….

    Minha irmã é super inteligente. Sabe aquela pessoa que não sente dificuldade em nada?? Do tipo que escolhe faculdade que quer e curso que quer, facilidade para aprender idiomas e é uma máquina de leitura…. então, ela é casada com uma pessoa, digamos menos evoluída intelectualmente e sem grandes interesses para estudos, mas ele se amam. Se conheceram no colégio, se apaixonaram e se casaram há uns três anos. Nós temos um relacionamento próximo e posso afirmar que vivem muito bem. A Rebeca (maninha) me disse que ela não fazia questão de uma pessoa estudiosa ou intelectual, mas sim de alguem que simplesmente a amasse que tivesse potencial como amigo, marido e pai. Ela é psicóloga e eu sei que ela acharia bom poder ter seus altos assuntos com o marido mas ela não deu tanto peso assim na hora de resolver se vai ou racha. Então não sei gente, é bem relativo. Me parece que pode dar certo sim um relacionamento em que as pessoas diferem em nível cultural, no entanto, eu sinceramente acho que de certa forma um sacrifício tem que ser feito e que isso depende do que cada um prioriza no seu relationship.

    Fato curioso (pelo menos pra mim), eu acompanho o flexões no face e considero uma certa guria gata e muito inteligente e hoje julguei que eu não estaria a par para manter se quer um affair com ela. Acho que inteligência é um turn on, não tem jeito. Ai vida….

    Valeu pelo post Jac, you did it once again.

    xoxo

  73. marina disse:

    Particularmente acho que para alguns pode ate acontecer de dar certo,por gostarem da diferença entre duas pessoas em um relacionamento,é claro que saber compreender e aceitar essas diferenças pode fazer muito bem ao relacionamento,mas essas diferenças, muitas vezes, acabam implicando no relacionamento.
    Toda mulher tem seu jeito diferente de ser, mas você sempre se atrai por algum motivo,algo que te chamou mais atenção! algumas dão atenção a beleza,boa postura,corpo… e algumas vê tudo isso ! mais o principal é o conhecimento,a maneira como se escreve, a mentalidade da pessoa,os gostos,o senso de bom humor! Aquele humor sutil, inteligente e refinado,mas de forma natural, sem parecer que está tentando agradar…acho que todos nós gostamos de pessoas com alta energia, que levantam nosso astral, que estão muito bem dispostas, felizes, e otimistas.Geralmente evitamos aquela pessoa desanimada, que não tem ânimo nem energia para fazer nada! A não ser que você queira alguém pra ficar em cada todos os dias,sem curtir,sem aproveitar a vida com esse alguém.
    Eu particularmente aprecio muito a inteligência social,o senso de bom humor,determinação e criatividade…acho que todos os dias ao lado de uma mulher é uma caixinha de surpresa,nunca se sabe oque vai vim ou ate mesmo oque está por vir! Se você ama alguém que é totalmente diferente de você é claro que vai tentar conviver com seus defeitos, com os gostos, e tudo que irá acontecer …Mais chega uma hora que não irá mais dar certo,do mesmo jeito que as diferenças se completam também te saparam! De qualquer forma amor é amor ,acho q você tem apenas escolher por quem vale a pena luta e sofre,apenas controle-o para não virar algo doentio que vai dominar você.

  74. polly disse:

    A minha questão maior, é a gramática, coisas como agenti, encomoda, e kasar, me tiram do sério, e isso é só a ponta do iceberg… Mas enfim, da pra relevar, pois a amo demais, não fico corrigindo toda hora, mas é aquela história, ela vale a pena, gramática aprende-se, e a gente vai levando.

  75. Emanuele disse:

    Culturas diferentes complica um pouco,mas nem tanto…porque desde o ano passado estou namorando com uma irlandesa, ela é muito diferente de mim em alguns aspectos, e tambem alguns anos mais velha que eu, e esta dando certo, mesmo eu não querendo me assumir, ainda continuamos juntas

  76. Dona disse:

    Sempre me senti desfavorecida nesse sentido, porque eu tenho Déficit de Atenção e Hiperatividade. Cometo inúmeros erros ortográficos, e para quem não sabe do meu histórico, o julgamento inicial é de que eu sou “burra”. E é muito divertido contar para a garota que você tem interesse sobre esses “problemas”.

  77. Andréia disse:

    O mundo lésbico não é um refúgio erudito e muito menos intelectualizado. Gostaria imensamente que fosse. Entretanto, vejo no dia a dia, a falta de cultura e crueza intelectual que essas meninas possuem. Músicas de gosto duvidoso tais como: funk, sertanejo, pagode e afins invadiram o imaginário lésbico. Livros de auto ajuda e esotéricos marcam presença no suposto apetrecho racional das rodinhas de bares. O amor por essas bandas anda de mal a pior. E também pudera – como citar os poemas de Shakespeare ou as lindas poesias de Vinicius de Moraes para tais mulheres? O que seria Eros e Psiquê nesse mundinho nebuloso?

  78. Jess disse:

    Acho que de fato, o que deveria importar é o amor, o afeto, respeito!
    Acredito que em suas experiencias, cada um tenha algo a acrescentar ao outro, ninguém é onipotente em tudo ou não saiba nada que não possa compartilhar, existem pessoas que tem vivencias de vida mais ricas e podem acrescentar muito dessa vivencia no relacionamento e outras pessoas tem na questão acadêmica uma maior experiencia e podem compartilhar também.
    Pra mim um relacionamento é crescimento e crescimento ocorre com o compartilhar, estereotipar e não saber lidar com isso é comum, mas é muito fácil somente aceitar isso como o que ocorre e não tentar modificar, acaba-se por represar pessoas em suas classes sociais, nichos de amigos, livros lidos, filmes vistos, enfim.
    Agindo assim, acabamos alimentando padrões e pre-conceitos de um certo ponto de vista, não?!

  79. carol disse:

    eu sou do RJ, e msm assim as pessoas com um pouquinho de inteligência e eu acham issso coisa de “favelado” e é.

  80. thaís aquino disse:

    “Não existe nada mais irritante do que gente que escreve horrivelmente mal e errado. Se nos meus textos eu trocasse “mas” por “mais”, “me” por “mim” (juro que já vi isso acontecer), colocasse K no lugar de todo C que eu visse na minha frente, confundisse loucamente C/SC/Ç/SS e fizesse textos imensos sem pontuação, meu blog não teria nem 5% das leitoras que tem.”

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHA
    NOSSA, EU TE AMO

  81. Agustina disse:

    Estou orando por você que precisa pensar que é culta só porque leu crime e castigo.

  82. sou lesbica.estou solteira quero uma namorada que tenha 30 a 49 anos tenho 53 sou de fortaleza. estou muito carente quero namorada morenas ou louras que tenha cabelos longos. que seja feminina eu sou feminina. quero namoada com urgência . que não fume e que tenha carro. sou feminina quero feminina meu numero tim 96-64-60-33 quero amar e ser feliz

  83. Júlia disse:

    Um dos textos mais inteligentes que já li! Hoje aprendi que cultura se mede (se é cultura se mensura) por paredes de reboco, por gosto musical e também pelo emprego que você ocupa, afinal impossível uma garçonete ser dotada de cultura. Certo?
    Errado.
    Não sei o que leva algumas lésbicas (é questão de inteligência e cultura não generalizar) criarem ”castas” no meio gay, como forma de se destacar entre as demais, ou seria uma compensação social? Afinal se vangloriar de ter cultura a faz ser melhor do que toda essa gentalha.
    Hoje para mim ficou claro que o preconceito contra LGBTs está muito longe de acabar, se entre nós há um preconceito escancarado, quanto mais numa sociedade diversificada e moralista.
    E só para constar conheço duas mestres (doutorandas em universidades conceituadíssimas) que não perdem um forró, fãs do velho brega, que sabem de cor qualquer dos sucessos de Sidney Magal (que representa a musica latina como ninguém!)
    Aliás, um colega meu, PhD, fala 5 idiomas não passa um só fim de semana sem pegar a sanfona e tocar um forró pé de serra. Esse mesmo colega, inclusive passou grandes necessidades para chegar onde está hoje, além de necessidades básicas como alimentação, teve inúmeras vezes que trabalhar em ‘’empregos incultos’’ (aprendi hoje com seu texto que existe!) e não acredito que isso fez dele menos culto.
    Reforçando o que disse, mesmo tendo visto pelos comentários que a autora não é muito afeita a ser criticada, queria dizer que foi um dos textos mais segregacionista e desprovido de ‘’cultura’’ que li.
    Finalizando gostaria que a autora repensasse seus conceitos (e pré- conceitos)

  84. Thais disse:

    De fato, diferença cultural é complicado. Eu, particularmente , não conseguiria passar de dois meses. Inteligência, conhecimento considero afrodisíaco, contrário,”broxante”.

  85. Tha disse:

    O universo de cada pessoa é tão individual, que nível social nem sempre é relevante!
    (O que tem de graduados com um gosto popular não é brincadeira)… E claro, muitos economicamente menos favorecidos tem baixo nível intelectual e cultural, pois infelizmente muitas vezes a própria vida leva a isso), porém não quer dizer que essas pessoas não tenham algo de bom a acrescentar, afinal todo mundo tem algo de bom. (Não querendo dizer que você disse o oposto, eu entendi seu ponto de vista, apesar de não concordar 100%)
    Existem pessoas de todos os tipos em situações parecidas, e que são totalmente diferentes…
    Para regras sempre haverá exceções… E como gosto das exceções, como gosto!

  86. Natasha disse:

    Quero me relacionar com lésbicas tanto para amizade quanto para namoro se possível. Mas, parece que no mundo onde vivo não consigo encontrar uma lésbica culta, inteligente e que tenha conteúdo…
    Tenho 20 anos, sou lésbica, estou terminando a faculdade, adoro ler sobre vários assuntos desde filosofia até astronomia, tenho objetivos para minha vida, mas as vezes acho que vou morrer solteira visto que só aparece gente sem muita inteligência na minha vida.
    Se houver alguma exceção que ainda leia esse blog, por favor, escreva para: natashadrumon@hotmail.com

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