Elas Não São Gays

Era uma vez uma gralha que roubou penas de pavão para se passar por um. Ao chegar no grupo de pavões, foi fortemente rejeitada por não ser como eles. Ao regressar para o grupo de gralhas, foi rejeitada por ter negado sua identidade de gralha. FIM!

Casal Lesbico

Semana passada, um texto da coluna da Eliane Brum na Época estava causando um rebuliço no grupo do Flexões no facebook. Meio mundo elogiando a autora e as entrevistadas e blablabla. Fui conferir o título: “elas não são gays“.

Alivio

“Uh! Finalmente alguém da mídia reconheceu a importância de usarmos a palavra ‘lésbica’ ao invés de amenizar nossa visibilidade nos chamando de ‘gay’!”

Ha ha ha! Como se a mídia fosse tão crítica assim, ainda mais no longínquo ano de 2009.

O texto é uma reflexão de Brum, que foi muito bem intencionada, é verdade, ao conhecer Michele Kamers e Carla Cumiotto, as primeiras mulheres a conseguirem ter o nome de ambas na certidão de nascimento dos filhos gêmeos: uma grande conquista para lésbicas!

Mulher feliz

“Isso vai ser de grande ajuda quando eu e a Ana Paula Arósio formos registrar nossos filhos, então, muito obrigada!”

MAS…

Apesar da grande contribuição involuntária que elas fizeram para as demais “mulheres que amam mulheres” e da atitude que elas têm de não se envergonharem e assumirem casadas, elas falam muita merda besteira.

Isso não seria problema, afinal muita gente fala merda por aí impunemente, se essas besteiras não estivessem sendo divulgadas a heterossexuais que pouco entendem sobre homossexualidade (tipo a jornalista) e a lésbicas que estão prontas para fugir do “rótulo” de lésbica na primeira oportunidade.

Mulher sentada indignada

“Oh, yeah! Nós vamos ter essa conversa de novo. Puxe uma cadeira!”

Vamos ponto a ponto do texto. O primeiro que me faz parar é esse:

“A surpresa é que uma das maiores vitórias na área dos direitos dos LGBTTTS é de um casal de mulheres que afirma não ser homossexual – não por preconceito, mas porque acreditam que a questão é mais complexa do que parece. A sigla, cada vez maior porque há sempre uma nova diferenciação a incluir, significa Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Trangêneros e Simpatizantes.”

Mulher com duvida

“LGBTêTêTêTêTêTêS???”

Okay, o artigo é de 2009 e sei que outras pessoas usam essa sigla, mas prefiro usar só um T (transgêneros – quem englobam transexuais e travestis) ou dois T (transexuais e travestis). Usar os três seria tão estranho quanto falar “homens, mulheres e seres-humanos” – o último per si já engloba os dois primeiros (e mais gente!).

Mas o que está errado é falar em direitos e incluir “simpatizantes” no meio, que são, por via de regra, heterossexuais e que já tem seus direitos garantidos e assegurados.

Duh

“Simpatizantes continuam podendo se casar só indo no cartório e podem andar de mãos dadas com seus companheiros de sexo oposto sem serem ameaçados de morte!”

E essa sensação de “a questão é mais complexa do que parece” se justifica no texto com a seguinte afirmação:

“E que, ao reduzir a diferença a uma palavra ou mais palavras fechadas em seu significado, perde-se de vista um universo pleno de nuances.”

Eu bem que gostaria de saber por que as pessoas têm a sensação que elas precisam descrever “nuances” dos seus relacionamentos. Ou por que diabos elas acham que precisam de toda uma teoria para evitar usar uma palavra genérica pra descrever rapidamente uma parcela de suas vidas.

Mulher pensativa

“Ainda estou pra ver o dia em que alguém vai recusar ser chamado de “humano” porque a palavra curiosamente não representa todas as suas características e personalidade!”

Já fiz um post sobre rótulos e mantenho minha opinião (ah, perdi a chance de falar que sou uma “metamorfose ambulante”)! As pessoas só querem se livrar de rótulos que acham indesejáveis. Isso é fato! Afinal, Michele e Carla não tiveram o mínimo problema em se rotularem de “psicanalista”, “professora universitária”, “feminina”, “masculina”, “descendente de italiano”, “descendente de alemão” (aqui).

Apresentacao

“À sua direita, há uma lista de rótulos positivos que os senhores nem cogitarão negar e logo em seguida aparecerá a lista de rótulos negativos que os senhores inventarão qualquer desculpa para negar ao invés de combater a negatividade deles.”

Eu poderia ficar aqui horas a horas repetindo minha opinião sobre essa aversão a definições, mas ainda nem chegamos no ponto mais… mais… “excêntrico” do texto.

Como se não bastasse elas negarem que são homossexuais, elas ainda conseguiram bolar uma teoria totalmente nova, nunca antes usada para se definir sexualidade, para que elas pudessem “comprovar” que não são homossexuais!

Shock

“Gente…”

“Cada uma delas tem uma papel bem definido na relação: Michele ocupa a posição masculina e Carla a feminina – entendendo tanto o feminino quanto o masculino nas definições tradicionais inscritas na cultura. Carla sempre namorou homens – masculinos – e Michele é a primeira mulher de sua vida. “Não posso me identificar como homossexual porque sou atraída pela posição oposta”, diz Carla.”

Oh, yeah! Orientação sexual deixou de ser definida pelo fato de você se sentir atraída pelo mesmo sexo ou oposto ou ambos (ou por nenhum). Orientação sexual agora tem a ver com conceitos impostos de gênero!

Gender Binary

Elas totalmente distorceram o conceito de orientação sexual para poderem continuar negando o fato de que elas são homossexuais/bissexuais. E, claro, asism dão a entender que se consideram heterossexuais. Elas são gralhas vaidosas que pegam penas de pavão para negarem quem são.

Sério, daonde essas malucas tiraram a teoria de que o fato de preferirem um gênero determina a orientação sexual delas?

Desculpe

“Sinto muito, mas desse jeito vou ter que duvidar da competência profissional delas…”

Michele se define como uma mulher masculina, mas eu poderia sacar meu livrinho de regras de gênero do bolso e colocar sua “posição” (elas, não chamam de gênero, mas, sim, de posição) em xeque.

Saiu pulando que nem uma gazela pelo hospital quando os gêmeos nasceram? Escolheu uma profissão não braçal-máscula? Tem esse cabelinho comprido ao invés de um military style? Deixou a fêmea da relação sair trabalhar ao invés de sustentar sozinha a família?

Claro, essas são questões estúpidas porque definições de gêneros são coisas estúpidas e cruelmente maléficas (e estúpidas…). Mas ela prefere se rotular como masculina, não homossexual.

Mulher com dor de cabeça

“Oh, dear lord…”

Aliás, talvez elas até busquem propositadamente características masculinas em Michele e femininas em Carla justamente para criarem opostos de comportamento e usarem o seguinte raciocínio:

COMPORTAMENTO DIFERENTE -> “HETEROGENEIDADE COMPORTAMENTAL” -> HETERO -> NÃO-HOMO -> NÃO-HOMOSSEXUALIDADE

Sendo que eu tenho uma ótima notícia! Você não precisa se envolver com uma cópia robotizada clonada sua para ser considerado homossexual!

Shock

“NÃO???”

Não! Sendo duas mulheres ou dois homens, fechou! Não importa se você é uma mulher que passa 3kg de maquiagem na cara, anda de salto agulha e namora outra mulher que não sabe nem diferenciar esmalte de batom – você é homossexual (ou bi, dependendo da sua atração pelo sexo oposto), quer você assuma ou não.

É igual ser vegetariano! Você pode não comer carne por respeito aos animais. Ou porque faz mal para sua saúde. Ou porque tem uma religião que não permite. E você pode ser vegetariano e ter um sofá de couro (eu). Ou não comer salada (eu). Porque vegetariano simplesmente significa que você não come carne.

Homossexual só quer dizer que você se sente atraído sexual/amorosamente por alguém com o mesmo sexo que a seu. Não quer dizer que você tem que pegar inúmeras mulheres. Não quer dizer que você tem que ter longos relacionamentos. Não quer dizer que você namora um ser idêntico a você. Você nem mesmo precisa ter se apaixonado por uma amiga/hetero/professora! Quão abrangente é isso?

Questionando

“Qual é? Não é tão complicado assim! As pessoas fazem tanto auê sobre essas coisas!”

A resposta delas:

“É Carla que escreve primeiro: “Não nos reconhecemos como homossexual justamente por que, ao se apresentar como ‘homossexual’ nos parece que o sujeito reduz e condensa o conjunto de traços identificatórios que o define a apenas um: ‘o homossexual’. Ou seja, como se a partir desse momento deixasse de ter nome próprio, de ser filho, de ter uma profissão, de ter uma identidade de homem ou mulher.”

É, eu reconheço isso. Mas, ao invés de elas enfrentarem o problema e mostrarem que elas são homossexuais, sim, e mais um monte de coisas, elas preferem desviar do rótulo. Inutilmente, claro, afinal Elaine Brum não foi até a casa delas fazer a entrevista porque são só mais dois seres-humanos com filhos sendo registrados.

Duh

“Se vocês não fossem consideradas homossexuais, vocês nem precisariam ter recorrido a um juiz para poderem registrar os filhos de vocês! Duh!”

Mais um questionamento da Michele:

 “Gostaríamos de deixar uma interrogação: o que é apresentar alguém como homossexual, na medida em que nunca vimos alguém se apresentar como heterossexual?

É uma medida afirmativa! É dizer “nós existimos, somos humanos como todos aqui e merecemos nossos direitos”. Você sabe porque nossa legislação não ampara duendes verdes, vampiros, lobisomens e dragões malabaristas?

Grito

“Porque nós não vemos eles por aí dizendo que existem e que querem seus direitos assegurados, porra!!!”

Mais:

“Ou ainda, como poderíamos aceitar essa representação se a idéia do homossexual faz alusão à atração pelo mesmo sexo, se o encontro entre mim e Carla diz justamente da atração pela diferença de posição?”

Pesquise a diferença entre sexo biológico e papel de gênero. Não é porque você arrotou na mesa de jantar, que deixou de ser mulher!

Stress

“Eu não vou deixar a raiva tomar conta de mim! Eu sou mais forte que minhas emoções. Eu posso e eu vou conseguir manter minha postura de tranquilidade até o final desse post.”

E para finalizar, elas afirmam que não se fecham em guetos de gralhas, mas estão sempre no convívio dos pavões. E a jornalista dá essa bola fora:

“É preciso observar ainda que elas não circulam por guetos, mas na universidade, na escola dos filhos, nos restaurantes da cidade, no clube, nos próprios consultórios.”

Yay!

Que bom que elas conseguiram sair do gueto!!! Porque eu, infelizmente, tive que me formar na minha UNIVERSIDADE HOMOSSEXUAL e trabalho no meu ESCRITÓRIO HOMOSSEXUAL e almoço no meu RESTAURANTE HOMOSSEXUAL e deixarei meus filhos na ESCOLA HOMOSSEXUAL…

Mulher gritando

“…e  compro o pãozinho francês na porra da PADARIA HOMOSSEXUAL!!!!!!!!”

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55 respostas para Elas Não São Gays

  1. Julia disse:

    Acho que se elas não se consideram homossexuais ótimo, não dá pra querer impor nosso pensamento sobre os outro. Existem teorias que afirmam que o “Transtorno de Identidade de Gênero” é baseado em sua maioria em papéis de gênero e nem por isso deixamos de considerar transgêneros pertencentes ao sexo em que se identificam.

    • Jac disse:

      Se transportássemos a situação delas para um caso de identidade de gênero, seria como um homem que se comporta como homem, se veste como homem e, mais importante, tem orgulho e se identifica como homem (no caso delas, elas não negam o amor que uma tem pela outra e que elas são ambas mulheres) rejeitasse o título de “homem” porque simplesmente não descreve completamente ele.

      Não seria a mesma coisa.

      Ou, mais fácil de comparar, seria como se elas fossem lésbicas, mas rejeitassem a atração que elas sentem por outras mulher (o fator original, como é o sexo biológico de um trans) e vivessem uma vida heterossexual de acordo com sua decisão (no caso de trans, a mudança de sexo/gênero).

      • TG disse:

        Achei este blog enquanto procurava por baladas gls em Curitiba, já que acabo de cair de para-quedas aqui na capital e não faço a menor ideia de onde as meninas se encontram (dicas?). Devo dizer que gostei muito e já adicionei aos meus favoritos.

        • TG disse:

          Caramba, reli meu post anterior agora e me dei conta de que, dada a brevidade do meu comentário, pareci uma daquelas pessoas “perdidas” que entram em sites/blogs procurando encontros, rs, quando a intenção foi bem diversa. Sendo um tanto mais prolixa agora, reitero meu apreço pelo conteúdo exposto, sobretudo pela criticidade e pela propriedade com que são tratados os temas, uma vez que as crônicas tiram as convicções do leitor do conforto do senso comum, e abrem espaço para discussões com verdadeira naturalidade – nada diferente do que (acredito eu) a maioria dos homossexuais busca. Parabéns pelo blog.

  2. Ju disse:

    “Era uma vez uma gralha que roubou penas de pavão para se passar por um. Ao chegar no grupo de pavões, foi fortemente rejeitada por não ser como eles. Ao regressar para o grupo de gralhas, foi rejeitada por ter negado sua identidade de gralha.”

    Acho que estou nessa situação atualmente, só não sei ainda se sou a gralha ou o pavão. Encontrei seu blog este ano, quando as dúvidas sobre minha sexualidade começaram a me atormentar, e agora acompanho sempre que posso, mas nunca comentei (até agora). Gostaria de saber se você recebe email de uma leitora “hetero” (desesperada, confusa e atormentada!) e pra onde eu deveria enviar. Preciso muito da sua opinião, porque este é o único blog lésbico com o qual me identifiquei e que realmente gosto.

    Minha vida amorosa e sexual, minha sanidade mental e minhas noites de sono dependem da sua boa vontade em me ajudar :S (acho que estou pegando o jeito para fazer drama rsrs).

    Um abraço, Jac.

      • Ju disse:

        Jac, o endereço está dando erro, já tentei enviar quatro vezes. Pode mandar a história por comentário?

        • Jac disse:

          Deve ser o seu e-mail, já testei e tá tudo okay com o do flexões. Mas se vc não se importa, comente aí.

          • Ju disse:

            Okay, vou começar me apresentando: meu “nome” é Ju, tenho 18 anos, descobri seu blog buscando informações na internet sobre homossexualidade feminina e, desde então, acesso o Flexões sempre que me conecto à internet (ou seja, semanalmente).

            Pois bem, sempre fui hetero (sei o que você deve está pensando: “Não, você foi ensinada a ser hetero”. Vi isso em um dos seus posts antigos rsrs), mas eu realmente era hetero. Transei com um número razoável de rapazes, o primeiro foi há três anos e ele foi a grande paixão da minha vida (até o presente momento). Nós tivemos um relacionamento turbulento, brigávamos muito, e somente ano passado começamos a namorar, nesse meio tempo eu conheci minha “amiga”.

            Essa amiga é declaradamente bissexual, nunca teve vergonha de assumir isso e dizia preferir se relacionar com mulheres do que com homens. Tirando a bissexualidade, tínhamos muito em comum, ambas feministas, poucos sociáveis e sem manias de “mulherzinha”. Não demorou muito para que a amizade crescesse, assim como também não demorou para que ela começasse a mostrar que estava querendo “algo mais”. Só que na época eu estava namorando, nem sonhava em trair meu ex, mas, mesmo assim, sentia um tesão muito forte por ela, apesar de não admitir.

            Já ela deixava claro o interesse que sentia por mim, soltava indiretas, fazia carinhos muito “íntimos” e era absolutamente contra meu namoro, dizia que ele era um canalha (o que, de fato, ele é), que ia me trair e que eu merecia uma pessoa melhor. As previsões dela se tornaram realidade. Em dezembro, após 4 meses de namoro e quase 3 anos de relacionamento, eu descobri que estava sendo traida, mandei o desgraçado pastar e foi aí que comecei a me envolver com ela.

            No início deste ano, eu fiquei com ela pela primeira vez. Ela havia me pedido um beijo, eu disse que daria apenas um selinho, ela se fez de conformada e quando eu me aproximei para dar o selinho, ela me beijou de verdade. A partir desse dia, foi questão de poucos meses para “irmos além”. Eu tentava negar o que estava sentindo, mas era muito difícil, acabei cedendo e transei com ela, jurando que só seria uma vez, só por “curiosidade”, só para “experimentar”. Mas não foi.

            A transa, que antes era esporádica, tornou-se costumeira. Começamos a nos ver todo fim de semana e transar todo fim de semana, e essas transas, não eram só para matar um desejo insasiável, havia um carinho mútuo, uma cumplicidade muito forte e já não era mais só amizade. Para “piorar”, ela parou de ficar com outras pessoas, e eu também não conseguia mais ficar com homens, não sei se foi por causa dela, ou se foi devido ao trauma com o ex.

            Nas raras vezes que eu fiquei com algum cara, ela dava piti, passava semanas sem falar comigo, iniciava uma D.R, dizia que estava “tudo” acabado e eu revidava dizendo que não existia “tudo”, assim como não existia “nós” e eu tinha liberdade para ficar com quem quisesse. Ela, por vingancinha, começou a ficar com outra garota e, pela primeira vez, eu senti ciúme. Dessa vez, EU fiz drama, EU fiquei com raiva, mas acabamos fazendo as pazes. E assim o nosso lance foi desenrolando.

            Ela já declarou, com todas as letras, que está apaixonada por mim e quer namorar comigo, mas eu ainda não sei se quero. Não sei se sou uma hetero apaixonada por uma mulher ou se sou uma lésbica que se apaixonou por um homem, mas acho que se eu fosse lésbica, não teria me apaixonado por um canalha como ele. Minhas amigas também não conseguem me entender, porque são todas hetero, e as amigas dela (que também são minhas amigas) fazem campanha para ficarmos juntas. Só que eu não quero magoá-la, eu sei que o que sinto é forte, é mais do que uma amizade, mas não sei se é o suficiente para iniciar um relacionamento.

            Antes de dar um “sim” ou “não” definitivo, eu preciso saber se sou lésbica, hetero ou bi, e se o que eu sinto é “real” ou apenas fruto da minha carência e de tudo que sofri por causa de um homem.

            Então, Jac, qual seu diagnóstico?

            Ps: desculpe-me por escrever uma história tão longa, queria ter sido mais breve, mas sou muito detalhista.

          • Jac disse:

            Você não precisa se definir ainda, já que você ainda está só começando a explorar sua sexualidade. Um dia você vai ter mais certezas do que tem agora, e aí você se define como lesbica/bi/hetero até a hora que mudar. Não é tão big deal quanto parece.

            Agora você precisa é definir qual é sua relação com sua amiga bi. Fiquei com dó dela, afinal não é a melhor sensação do mundo ouvir “não existe nada entre a gente” de alguém por quem você esteja apaixonada. Se você quer só ficar, deixe claro para ela e defina que cada uma fica com quem quiser e podem definir uma política de Dont Ask Dont Tell. Se vc quer um relacionamento (e pelo que vc disse não quer, mas tbm não gosta que ela fique com outra mulher), vai em frente. Se vc não quer nada com nada, avise ela e a liberte pra ela seguir a vida dela em frente.

  3. Laís disse:

    Não li a reportagem (tive preguiça…), mas gostei muito do seu texto. Ainda me impressiono como existem lésbicas por aí que se sentem ofendidas por serem chamadas assim…
    Adoro me chamar de sapatão. Pra mim o preconceito vem da boca de quem fala ou do ouvido de quem escuta, a simples palavra apenas caracteriza uma mulher que se sente atraída por outra(s) mulher(es).
    É uma coisa que não dá pra explicar… Esses dias estava num bar com um monte de sapas e um cara na mesa do lado começou a alugar. Foi elogiar uma que levantou e minha amiga disse, “é minha namorada”! Ele ficou surpreso e começou a ladainha: “o que vcs procuram em outra mulher? Eu também consigo ser carinhoso… Posso oferecer tudo que uma mulher tem e mais… porque cachorro-quente sem salsicha não tem graça”. Pra completar: “meu sonho é casar com uma lésbica”. Por que raios uma lésbica iria querer casar com um homem??? Mas onde quero chegar com essa história é: eu não sei explicar porque gosto de mulheres, simplesmente gosto. E é só esse o fato que me faz ser uma lésbica!

  4. Ju disse:

    “e pelo que vc disse não quer, mas tbm não gosta que ela fique com outra mulher”. Na verdade, não é que eu não queira, é que é difícil para mim assumir as consequências de um relacionamento lésbico (leia-se: contar para amigas hetero, contar para família, enfrentar preconceitos, etc.).
    Obrigada pelos conselhos, Jac 🙂

    • Fabiele disse:

      Então vc ja assumiu que nao fica com ela pelo preconceito da sociedade… pense melhor sobre isso… e se quiser add a Jac no facebook pra ela te colocar no grupo, ai vc pode ouvir a opinião de varias pessoas

    • Gabriela disse:

      Ju,
      Concordo em gênero, número e grau com o que a Jac te disse logo acima e com o que a Fabiele te disse.

      E mais: se você não está disposta a lidar com algumas “consequências” do relacionamento lésbico, então conversem e exponha isso, de forma bem racional.
      Nenhuma pessoa quer ficar com outra que não considere assumir algum risco por ela, tanto faz o tipo de relacionamento. Você, claramente, não quer riscos…

      Talvez você devesse pensar seriamente em desapego, porque a tendência lésbica é morrer de amor/queimar em paixão, e dessa forma exige-se uma definição sobre as coisas sob pena de perda de interesse.

  5. veronica disse:

    para ju indecisa

    espero q sua amiga bi de um pe n sua bunda
    dae vc vai descobrir rapidinho se vc e bi , sapa etc e tal
    ela ta te tratando bem
    vc ta acostumada a ser maltratada por macho e deve ta sentindo falta disso a hora q ela tratar vc como um pica trataria vc ja se ajeita

  6. Carlotinha disse:

    gosto de arroz

  7. Daniela disse:

    Amei seu texto Jac!

  8. Letícia disse:

    Jac mais uma vez parabéns pelo site e especialmente por este post.
    Fiz questão de ler todo texto da revista, e a cada parágrafo eu tinha mais vontade de parar de ler, só continuei pois como eu poderia criticar algo sem tê-lo analisado.Notamos diariamente homossexuais sendo agredidos e excluídos socialmente, e isso provoca em pessoas que estão se descobrindo um certo receio em assumir-se.Aí vem essas duas psicanalistas dizendo -Olha eu não sou lésbica ok.Eu sou uma mulher feminina que pego uma mulher masculina ;D- ¬¬
    Fiquei sem reação.Eu sou uma jovem com 17 de uma família conservadora que não me aceita de jeito nenhum, e mesmo assim quando eu decidi me aceitar(porque eu já desconfiava desde os meus 10 11 anos…) a primeira coisa que fiz foi contar a minha mãe, e o que ela fez/faz? Finge que eu sou a hetero piranha que pega qualquer homem que faça sombra. Imagina quem esta na minha posição de uns anos atrás neste momento e leu essa bosta de entrevista. Por isso por mais difícil que seja eu digo com todas as letras SOU LÉSBICA, sou uma mulher que sinto atração,gosto,admiro, amo e me apaixono por outras mulheres.

    P.s.: Jac continue com esse site MARAVILHOSO e com seu bom humor, obrigada por mais esse post. =D

    • Jac disse:

      Obrigada pelos elogios =)

      Eu até entendo quando a pessoa não quer se assumir para outras porque sei que não é para todas as pessoas nem em todos os momentos que é seguro nos assumirmos. Mas a questão é que elas não se assumem para elas mesmas como homossexuais/bissexuais mesmo deixando claro que elas são sim.

  9. Maura disse:

    amei esse post, ♥

  10. Isadora disse:

    Eu convivi muito com homens gays conservadores e eles faziam a mesma coisa que essas mulheres: eles escolhiam por qual identidade deveriam ser definidos e questionavam todas as outras identidades. Um médico gay e ultracatólico escolhe que quer ser visto apenas como médico e ultracatólico.
    Tenho um amigo gay super religioso e que está na política. Para todos, ele defende a bandeira da moral cristã, quase um Demóstenes. Para nós do clubinho, ele é um gay superpurpurinado que só transa casualmente com bees que ele conhece em boates gays. A vida sexual dele é assunto privado, ele não quer ser definido como gay e não responde que é gay quando alguém próximo pergunta se ele é gay. De fato, ele nega a identidade gay como se essa identidade comprometesse todas as outras (o conservadorismo, a defesa da “moral”). A verdade é que ele não se aceita como gay e não gosta de ser gay.
    Eu acho que as pessoas que negam uma identidade muitas vezes têm problemas morais e emocionais. Essas pessoas querem desfrutar dos privilégios das identidades valorizadas, mas sem lutar pelo reconhecimento desses privilégios também para os grupos desvalorizados.
    Essas duas mulheres da reportagem, por exemplo, querem desfrutar do “privilégio” de constituir uma família, mas sem se darem o trabalho de lutar pelo reconhecimento desse privilégio para outras mulheres homossexuais, porque elas não se consideram homossexuais. O que elas conseguiram, para elas, é um caso à parte, elas não querem que o exemplo delas ajude casais homossexuais a registrar seus filhos porque… elas não são homossexuais.
    Bom, elas é que são psicanalistas e podem explicar melhor que trauma é esse de não querer ser o que é.
    Se alguém vier com a discussão de “por que eu devo aceitar uma identidade que outros definiram?”, a questão não é aceitar, a questão é entender por que você se revolta tanto em ser “identificado”.

    • Raquel disse:

      “Eu acho que as pessoas que negam uma identidade muitas vezes têm problemas morais e emocionais. Essas pessoas querem desfrutar dos privilégios das identidades valorizadas, mas sem lutar pelo reconhecimento desses privilégios também para os grupos desvalorizados.”

      Perfeito.

  11. Jessi disse:

    Tô de cara até agora, sério gente?? Cada um sabe do seu mas jura que isso não é pegadinha de gente troll? ………

  12. Lu disse:

    Oi Jac

    Eu queria participar do grupo no facebook e criei uma conta pois após justamente uma confusão com minha ex no facebook eu excluí.

    Como faço pra ser aceita?

  13. A matéria sobre o casal lésbico se mostrou muito perigosa. E me deixou mais preocupada por ter sido em 2009 (ou seja, época menos “avançada” que hoje – sim, 3 anos fazem muita diferença)

    Assim como negros tem que se afirmar como negros, indígenas como indígenas – e todo grupo que precise se fazer existir na sociedade pra ter direitos iguais.. os homossexuais tem que se afirmar sim. É a demanda de uma sociedade que precisa caminhar pra igualdade!

  14. Concordo que na tal da reportagem há negação da condição de homossexual, mas, Jac, discordo de você quando coloca que homossexual é alguém que se sente atraído pelo mesmo sexo.
    Acho que há nuances inegáveis, especialmente no caso dos/as trans. Para dar um exemplo simples de ser entendido: se a Thammy Gretchen se relacionasse com a Roberta Close (ou melhor ainda, com uma trans não operada), elas seriam heretossexuais (afinal nasceram com sexos diferentes)?
    Considero a identidade sexual e, nos casos em que ela é diferente do sexo biológico, também o papel de gênero, como extremamente importantes na definição da orientação sexual, uma vez que o sexo biológico, enquanto determinístico, não fornece opção de fuga.
    Colocar as coisas em caixas-estanque (p. ex. homossexual é alguém que se sente atraído pelo mesmo sexo que o seu) pode ser tão excludente quanto se negar a aceitar rótulos, pois há tantas pequenas particularidades (não necessariamente a das duas mulheres em questão) que sempre transbordam da caixa e deixam seus representantes “sem lugar”.
    Também acho que aceitar nuances não necessariamente implica em se recusar a tirar a carga negativa do rótulo que se nega. Pode, sim, querer dizer que não se sente contemplado/a por ele: não se sentir homo ou bi não quer dizer que você se sente hetero, como se só essas possibilidades existissem.
    Não quer dizer que se está tentando fugir das atrocidades e preconceitos que os homossexuais sofrem, se afirmando hetero, significa, antes, se arriscar a ser atacado pelas duas bandas, que definitivamente não deveriam ser antagônicas.

  15. hehehe, ótima a sua postura irônica.
    Nós não suportamos quem tem tanto preconceito internalizado que nem se nomear consegue.
    Deveríamos ter peninha e ser compreensivas, mas não somos…
    Rótulo existe para haver clareza. Fim. Vc já viu alguém reclamar de ser chamada de mulher em vez de ser humano?

  16. Lee disse:

    Eu acho que cada um se rotula como bem entende e ninguém tem nada com isso.

    • Liane disse:

      Éééé que beleza!
      Então assim, se uma garota que sai com outras garotas,
      beija as garotas na frente de todo mundo, incluindo: amigos, pais,colegas, muçulmanos,etc.
      Faz tudo que uma lésbica faz mas ainda não se diz que é a mesma só pq se sente ofendida com rótulos e nhe nhe nhe?
      Ah por favor…isso é ridículo!É negação!
      Muito diferente de uma pessoa não assumida que se esconde e esse não é o caso.
      Eu chamo isso de auto preconceito.
      Acho que deveriam colocar mais uma sigla em GLBT, tipo ”GLBTN” (N= de Nãosoulésbicamasprefiroperereca)

  17. milla disse:

    Oi Jac, concordo com você e acredito que cada um escolhe o que é melhor pra si maaass, acredito tambem que rotulo não limita uma pessoa apenas passa uma informação a mais sobre ela, quando eu me descobri lesbica não pensei ‘ah eu sou uma hetero que se apaixona por mulheres’ demorei umas semanas mas me acostumei com isso, quando uma pessoa contradiz o que ela é ela, passa uma imagem de insegurança sobre suas caracteristicas, uma mulher que é casada com outra mulher afirmar que é hetero, é tão sem noção quanto uma pessoa de olhos castanhos dizer que tem olhos azuis simplesmete porque não aceita uma caracteristica sua. Quem simplesmente não aceita sua homossexualidade , está tentando afirmar que ser hetero é melhor, o que já tornou-se uma ideia cem por cento falsa em pleno 2012 (tirando os casos de quem esta se aceitando ainda), sabe, fiquei indignada com essas senhoras, eu não posso sair gritando que sou lesbica, sim estou no armario ainda, mas minha etiqueta vem escrito ‘lesbica’ não ‘hetero que gosta de mulheres’ a partir do momento em que voce literalmente se olha no espelho e se aceita lesbica sabe parece que você respira mais alivida e pensa ‘eu sou assim e ponto final’. Um abraço, amo seus posts.

  18. Tsubasa disse:

    “Simpatizantes continuam podendo se casar só indo no cartório e podem andar de mãos dadas com seus companheiros de sexo oposto sem serem ameaçados de morte!”

    Eu ri c isso, gostei da ironia e tenho algo p dizer sobre isso (n tendo exatamente a ver, mas ao msm tempo tendo a ver uhsasuahsausa).

    Kem for no meu perfil do face vê lá q pratico artes marciais. Eu sempre q passo de mãos dadas c minha namorada na frente de um determinado bar aki da cidade, sempre algum engraçadinho grita: SAPATÃO!!!!!! Sempre. ‘-‘ Fora os olhares estranhos q o povo lança. Entonces, saí do meu treino de karatê e fui buscar a amada no trabalho, n deu tempo de trocar o kimono/faixa, saí correndo na rua assim mesmo. Qnd eu a encontrei, de boas, fomos andando de mãos dadas atéeee chegar em casa, e passamos pelo mesmo bar e pasmem: ngm falou nada (e algumas pessoas na rua olhavam fazendo menos caras estranhas). ‘-‘

    Acho q tá ai uma boa ideia, da próxima vez vou vestida de rambo c bazuca, granadas e ver se cola tb… Se n colar vou de terrorista /not.

    .-.

  19. Karla disse:

    Essas duas “nao homossexuais” precisam ser confrontadas, de tomar uma sacodida no estilo, “Fia, se vc curte chupar uma xaninha e/ou ter sua xaninha xhupada por uma mulher, vc é lés-bi-ca.”

  20. bru disse:

    sempre quis saber se as lésbicas em geral ligam pra aparencia. Por exemplo, eu ligo um pouco sim, mas queria saber se vcs por exemplo se importam se ela é gorda ou muito magra? kkkk duvida basica kkk

  21. Noe disse:

    Caramba! Que tema complexo! Pessoalmente gosto da jornalista Eliane Brum, aliás pra mim ela tem jeito de sapa, mas beleza! Acho que ela deve ter ido atrás da reportagem pelo motivo óbvio: um conquista para mulheres homossexuais! Mas chegando lá encontra duas psicólogas com ideias muito “originais” sobre definições de gênero e que conseguiram bolar uma forma de “desrotular” o que interessava a elas (a opção sexual) ao invés de contribuírem para a diminuição do preconceito em geral. É muito triste (pra não dizer revoltante) que façam isso com elas e com todas nós!

    E francamente a parte dos “guetos” me deixou com muita raiva! Ainda bem que temos a JAC pra botar os pingos nos “is” mais uma vez! Obrigada pelo post, é sempre muito reconfortante (e engraçado!!) ler seus posts 😉

  22. Daniela Alf disse:

    Queria seu msn…

  23. Dre disse:

    Vcs são incriveis.
    O texto sempre excelente e os comentarios fantasticos.
    Mas é fato, se ficar com alguem do msmo sexo, pode entrar na fila e arrumar o rotulo.
    Não me venha com esse papo de sou hetero, ela é UNICA.

  24. Luísa disse:

    Ótimo post, como sempre! 🙂

  25. tamires disse:

    kkkkkkkkkkkkkk. Que maravilha esse texto!

  26. Frederica disse:

    Comecei ler a reportagem e justamente nesse trecho que dizem essa história de posições, parei.
    Adorei seu post, trata de um tema que poderia ser difícil escrever, mas você o fez de forma leve e irônica.

  27. Fernando disse:

    QUE PORRA É ESSA!!! Caramba essa mulheres são uma merda, estou muito indignado. Eu tenho o maior orgulho de ser >>>> HOMOSSEXUAL << Jac, eu sou homem e nesse seu site só tem mulheres e eu ñ curto! Mas eu me apaixonei por ele e pela forma que vc escrevi, é muito engraçada! Parabéns!! Bjos

  28. isabella disse:

    Acho muito problemático isso tudo. Tenho muitas ressalvas quanto a esse tipo de casal que mora junto há séculos, são casados e estritamente se relacionaram apenas com pessoas do mesmo sexo ao longo da vida, mas mesmo assim, insistem em recusar os termos lésbica, gay porque ele seria muito redutor…Então o que é não é? Pensamos pela perspectiva da razão!Categorizamos o tempo todo as coisas ao nosso redor! Como e pra quê ser diferente neste caso?

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