O Marasmo do Nosso Discurso

Parada Gay em São Paulo com direito a comando de Daniela Mercury e vigésima sétima reportagem no Fantástico sobre o novo relacionamento da cantora. Tudo muito lindo, tudo muito colorido, tudo muito respeitoso, mas algo me incomodou.

Daniela Mercury Não, esse post não é sobre a incrível habilidade de Daniela Mercury pular na parada gay, beijar uma mulher em rede nacional e defender o casamento homo… ops, perdão, o casamento entre “pessoas do mesmo sexo” sem jamais usar as palavras bissexual ou lésbica.

Chá

“Prefiro comentar brevemente isso de forma passivo-agressivo no post.”

Outra coisa me incomodou na reportagem com Daniela: aquele papo de “viva a liberdade, viva o amor”, “a gente só quer igualdade, respeito”, “qualquer forma de amor vale a pena”. Não que isso não seja verdade, não que isso não seja importante, mas convenhamos que o discurso está…

Chato

“Chato.”

Será que eu vivo em uma bolha cor-de-rosa em que só há pessoas esclarecidas sem preconceito? Porque esse discurso parece tão óbvio, tão sem-efeito. Recentemente eu contei que sou lésbica para meus dois colegas-amigos de trabalho (e eu trabalho em uma delegacia, não em uma agência de publicidade e propaganda) e ambos não poderiam reagir mais naturalmente.

Okay, certamente há pessoas preconceituosas, ignorantes que não conseguem viver sem pensar na vida sexual e amorosa dos outros, mas elas não são mais tão relevantes, certo?

Marco Feliciano

Heterossexual de raça ariana.

Vejamos o exemplo do homofóbico mais badalado do momento: Marco Feliciano. Sim, é no mínimo uma ironia colocá-lo com em uma comissão que deveria zelar pelas minorias. Mas, sinceramente, quem aqui sabia que da existência desse energúmeno? E quem aqui sabia da existência Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados até então?

"Eu apostaria que nem metade dos brasileiros sabe pra que serve o poder legislativo!"

“Eu apostaria que nem metade dos brasileiros sabe para que serve o poder legislativo!”

Nós estamos discutindo pouco nossa causa, e o pouco que discutimos é sempre igual. Hoje em dia eu mal consigo ler um texto sobre homossexualidade porque nunca me acrescenta nada de novo.

Enquanto isso, eu olho para o lado e vejo outros movimentos fervilhando de novidades e ideias.

Inveja

“Sim, esse é um post alimentado pela minha inveja e recalque.”

Citando exemplos, recentemente fui informada que negros comem margarina – e, sinceramente, nunca tinha parado para pensar como a família perfeita de comerciais de margarina era sempre uma família branca.

Não acompanho o ativismo de vegetarianos e vegans, mas não há um dia em que minha alimentação não seja questionada, avaliada e confrontada. Nesse movimento, não há a necessidade do novos discursos porque nem os antigos estão sequer próximos de serem aceitos – apesar de todo mundo achar vídeos como esse fofos.

Raiva

“Acha difícil ser lésbica em 2013? Experimente ser vegetariana!”

Mas o discurso não se trata apenas de vídeos engraçados no Youtube com uma nova perspectiva de assuntos velhos.

O movimento que eu acompanho e vejo que está mais revigorado é o movimento feminista. Nos últimos anos, vimos o movimento se reinventar para se tornar um movimento mais informal, menos hierárquico e com muitos, muitos assuntos em pauta.

Feminismo

E o que está acontecendo no feminismo?

  • Inserção das mulheres trans;
  • Marcha das vadias – uma passeata jovem, divertida e quase sem hierarquias;
  • Blogs e mais blogs:
    • Blogs novos e promissores, como Olga;
    • Blogs que se focam em assuntos específicos, como o Shoujo Café;
    • Blogs que iniciaram com outros propósitos, mas se tornaram feministas com a mudança de mentalidade da autora, como o Cem Homens;
    • Blogs divertidos e leves que são ideais para leitura diária, como o Escreva Lola Escreva.
  • Documentários tão incríveis como Miss Representation;
  • Projetos que dão voz e visibilidade, como o (melancólico) Project Unbreakable;
  • E projetos tão incríveis, tão bem realizados, com assuntos tão inovadores e pouco explorados, como o Feminist Frequency.

Anita Sarkeesian

Enquanto isso no movimento lésbico (e ampliando para o LGBT)… sem grandes novidades. Para ser justa, um mês atrás eu vi um anúncio de que um dia vai sair um documentário brasileiro sobre lésbicas. Todavia não deu tempo de eu me empolgar muito porque a prévia do documentário me pareceu The Real L Word (todas as lésbicas cool, tatuadas, jovens e urbanas), mas sem pegação e barraco – ou seja, sem história.

Obviamente nós temos mais feministas para produzir conteúdo do que lésbicas, mas será que nós não conseguimos fazer mais e melhor?

Lesbian Unite

Blogs lésbicos são raridades – ainda mais se durarem mais do que alguns meses. Os blogs que ainda existem estão como o Flexões: devagar, quase parando. Os portais de conteúdo lésbicos sobrevivem com uma ou outra notícia e com contos – bem diferente do americano After Ellen, menina dos meus olhos. Vlogs… bem, eu particularmente não aguento.

O que eu sinto que se salva um pouco na quantidade é a ‘literatura lésbica’ aqui no Brasil. Contos e romances lésbicos é o que não falta para quem quiser.

Dúvida

“Já a qualidade… bem, vamos deixar para tratar desse tema em outro post.”

Falta produção de conteúdo, especialmente algo mais inovador do que um “queremos respeito”, “temos que respeitar a diversidade”, “o amor deve vencer”, “fora, Feliciano”, “seja você mesmo”.

Nós estamos conseguindo nossos direitos, sim. E nosso discurso tem que acompanhar essa evolução. Precisamos combater os preconteitos mais velados que exigem uma análise mais profunda, argumentar de forma mais criativa e comentar mais sobre nossas questões.

Procurando

“Lésbicas, gay, bis, onde estão vocês? Por que estão tão parados na zona de conforto?”

Daniela Mercury assumiu um romance com outra mulher? Sim, a notícia está por todos os lugares. Mas quais são as consequências do ato? Ou não houve consequência alguma e a mídia que está hiperventilando? Não vejo ninguém escrevendo sobre o fato.

Também não vejo ninguém fazendo uma análise sobre o vilão gay da nova novela. Será que isso não é mais um exemplo do clichê do vilão-gay tão frequente em filmes americanos de outras década? Ou será que é só mais um exemplo de como nossos escritores só conseguem escrever no manichaeist mode – ou o gay é o bonzinho sem-sal ou o vilão afetado?

Cadê o acompanhamento e avaliação de personagens lésbicas em séries, filmes e na seleção brasileira de voleibol feminino como o só o Lebiscoito fazia tão bem?

Triste

“A Sheilla e a Mari terminaram e não tivemos nem um post para chorar. Ninguém comentou nada!”

Tudo o que eu vejo no universo lésbico e no LGBT é mais do mesmo, quase nada mais me inspira, deixa-me curiosa ou prende a minha atenção.

"Será que eu sou a única pessoa cansada desse marasmo?"

“Será que eu sou a única pessoa cansada desse marasmo?”

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45 respostas para O Marasmo do Nosso Discurso

  1. Debora disse:

    E daí vc chegou a essa conclusão e…? Nao fez nada além de escrever umas linhas de sofrimento ou produziu algo com substancia e que vá, realmente, agregar? Está com uma carta na manga e vai nos surpreender logo menos? Estou esperando 😀

    • Jac disse:

      Bem, se você não considera uma crítica como “algo com substância” que vai “agregar”, eu acho que pelo menos 1 dentre os 94 outros posts que eu fiz em 3 anos de blog deve ter agregado em alguma coisa:
      http://45.55.241.106/posts/

      Mas, obviamente, eu tenho cartas na manga anyway 🙂

      • Debora disse:

        Eu acredito mesmo que vc tenha. Seus outros post são, sim, interessantes. Achei esse bem mimimizento, mas nao acho seu blog ruim, vc ruim, o mundo ruim (q) só por esse post. Estou aguardando (sem ironias).

        • Jac disse:

          Ah, pensei que você não conhecia o blog. O post tá realmente mimimizento hahahahah Talvez eu devesse ter fechado de outro jeito, mas acho que deixei subentendido a solução para o problema.

          De qualquer forma, minhas cartas na manga vão ser usadas aos poucos, mas nada que tenha força individual para abalar o marasmo.

  2. Prisci 'Guiga' disse:

    Oi, Jac!
    Acho que a temática deste post é muito pertinente. Por um lado, vivemos o “mais do mesmo” aqui no Brasil. Por outro, nós sabemos que, na prática, é muito difícil fazer qualquer ideia inovadora funcionar. Isso não vale só para o “universo LGBT”, mas para o empreendedorismo, para a legislação, para os costumes, para as relações familiares, para tudo. Veja o Femen, por exemplo. Não vou opinar a respeito do que o grupo faz, mas aponto que há uma ENORME diferença entre o movimento “original” e a “facção brasileira”, tanto em termos de adesão de pessoas quanto em termos políticos. Pode ser que The L Word seja um Fantástico Mundo de Lésbicas, mas pelo menos foi uma série feita com todos os recursos, o tempo, o elenco e aquele rol de critérios que toda série precisa ter. Não foi um “programa qualquer, feito de qualquer jeito”. Eu, pelo menos, não gosto de ser muito radical para nada, e acho que The L Word representa justamente uma inserção em massa da vida lésbica em um sistema já legitimado que é o sistema das séries de TV. Se deveria ser realista ou não, é outra história, que deveria ter outro formato de vídeo (documentário, entrevista, reportagem, etc.) que não a série. A moral é que no Exterior as coisas acontecem, simplesmente, e aqui no Brasil tudo demora. Como vc mencionou, o que tem visibilidade é a lésbica-clichê, a urbana modernoide estilosa. Eu, com meu penteado careta e cheio de cachos, estou longe de ser vista na rua e ser apontada como uma lésbica transgressora (exceto quando bate a travestice e eu me visto de menino, aí é outra história, hehehe!). Volta e meia, leio em comentários por aí coisas como “sou de uma cidade pequena, não tem nem bar gay por aqui, não consigo encontrar o amor da minha vida, minha família me expulsaria de casa se soubesse que sou lésbica e por isso eu namoro a distância”. Acho que é AÍ que a informação precisa chegar. Por mais que sejamos constantemente bombardeados por informações a respeito da vida lésbica no país, aposto como esse bombardeio não atinge todo mundo e, sim, longe da minha casa na capital existem pessoas que não são nada esclarecidas, que mantêm preconceitos e ideias que não condizem com a realidade. Aliás, nem precisa ir muito longe. Em algumas cidades grandes do nordeste, a violência física, gratuita, contra lésbicas e homens gay é muito frequente! Eu, aqui do sul, é que nunca fico sabendo de nada – e quando sei, fico horrorizada! Fico com vontade de ir lá e dar umas pauladas nesses espancadores de gays. Além disso, há a violência silenciosa, daquelas que só sente quem está sendo violentado (ou “sofrendo bullying”, pra usar uma palavra da moda). O que eu acho é que nós, com acesso a internet, buscamos o conteúdo que quisermos ler e ver a qualquer momento, e por ter um interesse genuíno sobre o assunto (não somos velhos tarados em busca de vídeos pornográficos com cenas lésbicas, certo? Somos pessoas politizadas, no mínimo) nós acabamos encontrando um repeteco de informações que chega a ser enjoativo. Dia desses, digitei “lésbicas Brasil” no Google porque estava procurando um portal lésbico que eu não lia há muito tempo e não lembrava o nome. Adivinha o que o Google disse. “Não há resultados para sua pesquisa”. Como assim? Imagina se eu sou uma pessoa que mora no meio do mato, tenho uma filha lésbica e estou procurando me informar melhor sobre o assunto – o que vou encontrar no Google? Nada? Então tem vários fatores que ajudam a manter as coisas como estão – num marasmo. Mas é um marasmo necessário para que as pessoas que não passam o tempo todo cercadas de lésbicas se acostumem à simples ideia de que existem lésbicas no mundo. rs
    Bom, mas de qualquer forma, teu post de hoje me inspirou a pensar mais sobre esse marasmo todo e me deu vontade de FAZER alguma coisa. Fazer o quê? Não sei. Nem saí do armário direito. Deu vontade de fazer um agito no mundo.
    A propósito, mas fugindo um pouco do assunto, vou sugerir uma matéria sobre o transgenerismo nas escolas dos EUA. Como falei, lá fora é mais fácil inovar do que aqui no Brasil. Mal e mal temos políticas públicas (saúde, direitos humanos, etc.) para os transgêneros adultos, imagina para as crianças. E essa matéria mostra mais uma ponta do debate sobre transgenerismo: existe idade mínima para se identificar como homem ou como mulher?
    Fica a dica: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/05/criancas-transgeneros-desafiam-leis-e-politicas-escolares-nos-eua.html
    PS: desculpa escrever tanto, Jac, mas eu penso melhor enquanto escrevo e a brincadeira acaba sendo looonga. rsrs
    Abração!

    • Jac disse:

      ‘magina, adoro comentário grande =)

      Sem dúvidas nem cogito uma realização tão grande quanto foi TLW, ainda mais no Brasil. Mesmo web series são coisas que eu só imagino americanas/canadenses/inglesas fazendo. Mas também nem há essa pretensão tão grande hahahahaha

      E, sinceramente, quase impossível pesquisar qualquer coisa na net com o termo “lésbica”. O negócio é já conhecer um site/portal pelo menos e ir navegando por links e indicações.

      Mas não acho que marasmos sejam bons. Como no exemplo do feminismo que eu citei, a “renovação” do discurso tornou o feminismo mais acessível. Nada impede você de aprofundar em um assunto e ainda assim manter umas “portas de entrada” para gente mais leiga.

      E que bom que você sentiu vontade de fazer algo =) Cada uma faz o que pode, se sabe escrever, desenhar, filmar, produzir, então já é uma chance de produzir algo. Mas só de fomentar a discussão com comentários também é uma forma de sacudir as coisas, you know =)

      Aliás, falando em trans, você me fez lembrar de um bom exemplo de tirinha sobre a transexualidade: https://www.facebook.com/SashaTheLioness – criado por uma brasileira (que mora no Japão)!

  3. Prisci 'Guiga' disse:

    Atualizando: o Google faz pesquisas diferentes dependendo do histórico do computador e dos cliques que a pessoa dá, então no computador em que estou agora eu refiz a pesquisa “lésbicas brasil” no Google e achei um monte de coisas. Vai entender o que se passa nas nuvens da internet…

    • Negrariana disse:

      Só me fala, exatamente, o que você encontrou de interessante nessa pesquisa, porque depois de ver seu comentário fui pesquisar e só vi mais do mesmo!!!

      • Prisci 'Guiga' disse:

        Oi Negrariana! 😀
        É, na verdade é, sim, mais do mesmo. Só que, quando eu havia pesquisado a mesma expressão no computador lá onde trabalho, o que encontrei foi “sua pesquisa não encontrou resultados” (ou algo assim). Ou seja, num computador o Google encontra resultados, e em outro não encontra nada – e isso é totalmente aleatório, hahahahaha!!
        Quem sabe se colocarmos alguma coisa interessante de verdade – além do Flexões, que eu amooooo, recomendo pra todo mundo e até hoje não sei como encontrei (faz tempo) -, o Google passa a divulgar resultados interessantes para quem pesquisa sobre o mundo lésbico brasileiro…

  4. Olá.. eu concordo com você, entretanto convivo com pessoas ignorantes a ponto de questionar diariamente a sexualidade das pessoas.. então acredito que não seja um grupo tão pequeno assim que sofra com pessoas e comentários idiotas.
    Gosto muito e acho extremamente necessário conhecer, compartilhar e “melhorar” a “cultura lésbica” e a “cultura LGBT”, tive que ouvir a seguinte pergunta: “por que você gosta tanto de falar sobre séries lésbicas e filmes lésbicos” respondo simplesmente “porque faço e fazemos parte de tudo isso.. nós criamos a cultura gay/lésbica”.

    Se quiser conhecer meu blog passa lá no http://bloglesbicodaisa.blogspot.com.br/ tenho feito comentários sobre séries (com) lésbicas!

    Adoro seu blog.. Beijo!

  5. Lizzy disse:

    Jac, sugiro muito que você leia esse testo: http://polemicasfeministas.blogspot.com.br/2013/05/o-que-o-movimento-feminista-deveria.html
    Não pude deixar de lembrar dele quando você expõe ideias que vão totalmente no sentido contrário. Eu, particularmente, fico com um pensamento do Milton Santos que pode ser sintetizado na seguinte frase: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come e se unir o bicho foge.”

    • Jac disse:

      Eu li o texto (e os comentários) e de forma alguma um texto é contrário ao outro. Eu não disse (nem a outra autora) que um movimento é melhor que o outro em todos os aspectos e que esse outro não tem nada a ensinar. Cada movimento está em uma situação diferente e tem seus aspectos fracos e fortes.

      Além do mais, a Jenni Nummi aborda o “nível político” da coisa – enquanto eu falo de discurso, justamente porque o nosso lado político está forte e nós estamos conseguindo nossos direitos. Mas é fácil a gente ver (e, na minha opinião, isso a gente pode observar com o movimento negro) que direitos em forma de lei são importantes, sim, mas não resolvem de todo o problema – por isso precisamos evoluir o discurso igualmente.

      E, mais importante, não é porque eu estou vendo diferenças entre os movimentos, que eu acho que eles não devam se unir.

      ps. li o texto “A violência feminista contra mulheres anoréxicas e bulímicas” da mesma autora e adorei. Mais um blog feminista que eu poderia ter colocado no post como exemplo da vivacidade que eu gostaria de ver no nosso discurso.

  6. Juliana disse:

    Oi, Jac. Obrigadíssima pelas gentis palavras sobre a Olga e por sua visita. Beijo grande!

  7. Leah disse:

    Em resumo: é a idade…

  8. Leah disse:

    Depois dos 24a, tudo fica tão chato e repetitivo que desanima.
    Amigas lésbicas com os assuntos melodramáticos de sempre, que vc passa a se afastar das colegas sapatas.A cada relacionamento, a mesma história.Fica mais entediante ainda quando é uma relação não assumida, um ‘deja vu’ infinito.
    Praticamente já assistimos todos os filmes dessa temática, e os novos são tão bobinhos que nem empolgam.Descobrir agora se aquela tal celebridade é do badado?Empolgação zero!O assunto fica monótono.
    Preguiça demais!Só é legal no início, quando vc esta se descobrindo, a primeira paixão, as primeiras confusões hilariantes,as baladas, etc.
    Os blogs mais parecem cidades fantasmas.A Jac que ontem era apaixonante e interessante,hj é só mais uma lésbica nesse mundo.Nem a nova geração parece empolgada com esse tema.
    O casamento gay foi legalizado (grande coisa) e temos uma sapata master no poder (a Dilma é lesboo sim, vcs sabem).Não precisamos de mais nada!
    De repente vc se cansa dessa vida e passa a ser assexuada.Pq eu não iria fingir um relacionamento hetero só pra fugir desse marasmo (mas algumas fazem).
    Vamos pendurar as chuteiras 44 ( a minha é 38 e nem jogo futebol)
    Agora é pensar no mestrado, no trabalho e na morte.

  9. Ma disse:

    Confesso q não tive tempo (nem saco) para ler as respostas acima e as tréplicas, mas ouso emitir a minha opinião. Talvez o grande (imenso e terrível) problema do discurso lgbt seja o discurso em si. Ocorre que a minoria LGBT bate incansavelmente à mesma tecla, tal e qual um burro tapado, a minoria não olha para os lados, sequer olha-se no espelho. O que fortalece uma cultura? costumes. o que são costumes? tudo, oras. Pare um pouco e pense: quantas grifes LGBT existem? Quantos sites sobre roupas e acessórios dedicados à esse público? Você colocou em seu post a margarina black. Eis a grande sacada dessa crítica: mostrar aos humanos que somos todos humanos e dormimos, sonhamos, comemos e vamos ao banheiro, independente da cor. Bom, a cultura black chama-se assim pq desenvolve, dentro do seu próprio grupo costumes, jeito de falar, vestir, músicas, textos, etc. Não existe uma cutura LGBT, todo o discurso é um infindo mimimi que ninguém mais sequer pára para ouvir, pq é sempre igual. A grande sacada do After Ellen? é feito PARA o público lésbico, não SOBRE ele. Não tenta vender idéia alguma, apenas é em si seu propósito, não defende causa, nem vende discurso abertamente, não é sobre isso, ele é isso. A malfadada cultura LGBT só existirá realmente quando ela deixar de tentar ser uma cultura e passar à sê-lo, creio que se deva parar de tentar vender a idéia, e enfim ser essa idéia. Um grupo só atrai, só agrega membros quando existe em si uma cultura suficientemente interessante para despertar não apenas a curiosidade das pessoas, mas para cativá-las e criar um sentimento de alcatéia entre os indivíduos, do contrário, são apenas várias pessoas falando de um mesmo assunto eternamente.

    • Prisci 'Guiga' disse:

      Ei Ma, sabe que você abordou uma coisa muito interessante. Eu queria MUITO que existisse uma “loja LBGT” – não só para o público gay, mas para amigos de gays que nem sempre sabem o que dar de presente de aniversário, natal, dia das crianças, etc. Não cheguei a pesquisar muito sobre o assunto. Apesar de prever que a tal LGBT Store amanhecerá diariamente pixada por vândalos evangélicos, acho que é uma iniciativa pioneira, pelo menos no Brasil. E é claro, a loja venderia tudo quanto é tipo de bugiganga, mas sempre erguendo a bandeira… É um pouco de “mais do mesmo”? É. Mas que seria muito legal, ah, seria. hehehehe
      Ainda poderia conjugar um “espaço cultural” (amo lojas conceito, que têm um espaço que serve pra noites de autógrafos, coquetéis, reuniões de pequenos grupos de discussão, saraus, etc.) e virar ponto de encontro da galera.
      Nem vou pensar muito nisso, meu negócio é Gastronomia. A loja que fique para quem tem a Alma do Negócio.

  10. Gabriela disse:

    Fato é que tem muita coisa na sociedade que é clichezão. O vilão gay, a mocinha coitada e assim por diante são apenas de alguns estereótipos. Tem coisas cujo discurso é o mesmo sempre, e nisso temos que dar razão pra Jac. É um saco. Eu desanimo mesmo, é como assistir filme lésbico (na minha opinião, que fique bem claro): um eterno drama com umas pegações nadavê.
    Não sei se por escolha ou não, mas também não consigo ver muita novidade empolgante no meio.

    • Vanessa disse:

      Sobre o tópico “filmes lésbicos”, vocês ficaram sabendo sobre o filme La vie d’Adèle, baseado na BD Le bleu est une couleur chaude, que ganhou o festival de Cannes?? Algo inédito um filme sobre lésbicas (ainda que o diretor diga que é um filme sobre o amor, e beleza, e blá blá blá) ganhar um prêmio prestigiado, como a Palme D’Or!

      • Gabriela disse:

        Oi Vanessa! Não sabia desse aí ainda… vou procurar na interwebs! Gostei do Kiss Mig, pelas cenas leves e tal… um pouco diferente da tradicional pegação geral. Obrigada pela indicação!!

      • Prisci 'Guiga' disse:

        Eu vi sobre o filme, mas vamos ter que esperar uma possível estreia no Brasil, né? 🙂 Fiquei bem feliz, acho que estamos sendo melhor representadas.

  11. Negrariana disse:

    Aí vai: vi link de blog nos comentários que já tentei algumas vezes acompanhar e não tinha atualizações. Gosto de todas as críticas que botam pra fuder aqui no flexões, mas que no final ficam só aqui mesmo, não produzem nada. Entendo perfeitamente o ponto de vista da Jac e, lamentavelmente, concordo com ela. O movimento feminista super se abriu para mulheres diversas (incluo aqui o transfeminismo), mas o movimento lésbico está devagar quase parando! E está quase parando por um motivo específico, creio eu: preconceito de lésbicas contra bissexuais, bofinhos (não deixam de ser lésbicas). transsexuais, pobres, analfabetas e semianalfabetas, velhas, etc. Acho super legal iniciativas como The L Word, mas na real não conheço nenhuma lésbica que mantém um padrão de vida parecido (tipo a Shane viciada em coca e se recupera sem nem sair de casa). Aí caímos em outra discussão: o tal empoderamento da mulher lésbica. A necessidade de tomarmos os meios de comunicação e informação, ou vocês realmente acham que poder é ser apenas presidenta (linda e sapatão, como alguém já comentou!)? A internet é uma super ferramenta, mas não alcança boa parte da população, dentre essa as lésbicas. Nesse caso vale música, quadrinhos, artes plásticas, etc. e não vale só fazer, tem que mostrar lá no seu bairro, na sua cidade, na sua casa. Creio que cultura lésbica legitimamente brasileira só vai existir quando nos dermos conta desses pontos e de OUTROS mais que ficaram de fora desse comentário. Quantas lésbicas conhecemos que poderiam investir no setor e preferem investir no que já existe dentro da lógica heteronormativa (moda, turismo, cinema e tv, etc.)? Já sei que alguém vai dizer que isso é seguir a lógica do sistema capitalista, mas eu creio que não, isso é fazer a diferença num setor que está precisando de atenção (mesmo porque não precisa ser feito no formato que já existe)!
    Jac, sua linda, amooooo o blog e creio que se todas as pessoas que viessem aqui falar mal tivessem (e mantivessem) um blog pra apresentar pontos de vista bem embasados estaríamos um pouco mais a frente com essa questão!!!
    Ah, ia esquecendo, *texto é com X

  12. Pois é... ataca novamente! disse:

    Leah em 05/06/2013 às 15:30 você foi perfeita.

    É isso. Apenas isso.

    Que novidade, que revolução?

    Vivamos naturalmente, afinal não é a naturalidade que se almeja dos outros em relação as escolhas de cada um?

    Talvez a falta dessa naturalidade, essa dificuldade seja ratificada por essa minoria que faz sempre questão de dizer (ou impor) “me aceite!” ou “sou assim mesmo e vou abalar e não to nem ai”.

    Não. Vivemos em sociedade.

    Há diferenças e algumas delas assustam mesmo. Seja qual for.

    Eu até hoje não me acostumei a ver homem de saia. Que me perdoem os escoceses e os baianos.

    Ok que algumas pessoas não gostem. É um direito delas. Eu não gosto de café e nem por isso vou deflagrar uma revolução pra respeitarem e separarem cotas nas universidades pra quem não toma café.

    Ouvi de um professor, que eu nem ia muito com a cara (direito meu), que o respeito é se colocar no lugar do outro. Então façamos também esse exercício.

    Aquele senhor que te olha meio de esquerda pode ter tido experiências negativas no passado com relação à esse assunto. A sua tia que fala mal de você está acostumada a um padrão e você é diferente desse padrão.
    Irmão não gosta? Ok. Eu não gosto de café.

    Pra que paradas? Pra que revolução? Que tal tocarmos a vida naturalmente…

    Lutar contra a homofobia? Violência? Lindo. Que tal incluir a luta contra a fome nas paradas gays? Ou contra a pedofilia? Ou contra a violência contra a mulher hetero/bi/corintiana … Afinal tudo desemboca no ser humano, tudo é violência, tudo dói.

    Provocações, reações, provocações, reações… uma cadeia. Ou será um pretexto?

    Apenas vivamos.

    Talvez não seja porque você é lésbica. Talvez seja porque seus olhos são castanhos.

    PS.: Prezada dona da casa,
    Se quiser me contratar eu toco o blog quando você estiver sem tempo. Qualquer R$ 5.000,00 por poste eu aceito kkkk – Não podia faltar uma piadinha né 🙂

  13. Giovanna disse:

    Talvez este assunto tenha ficado tão chato, tão monótono, por que já é algo comum. Mesmo que ainda exista muito preconceito, ele ficou chato e repetitivo. Muitas coisas que ocorrem no Brasil e no mundo que são muito importantes ( como a fome ) já se tornaram assuntos comuns, ninguém quer saber. Estamos em um mundo alienado e acomodado, as pessoas não ligam para as outras, elas não ligam para o problema do próximo até que esse problema chegue a ela.
    Não é por que elas não ligam para os homossexuais, é por que elas realmente não querem saber.
    Talvez estes blogs fiquem tão monótonos, por que a maioria deles só sabe falar sobre coisas ligadas aos relacionamentos problemáticos, a ex que voltou pra te assombrar, a hétero que eu amo, etc.
    Tudo bem que o site é ligado a este público, mas mostre que também ligamos para as outras coisas que acontecem no mundo. Sempre vejo posts sobre a lei que não foi aprovada sobre alguma coisa ligada ao público LGBT, mas nunca vi nenhum desses sites falando sobre a lei que todos os políticos deveriam ter os filhos matriculados em escolas públicas foi simplesmente engavetada, nem por voto passou.
    Parece que só ligamos para coisas que diz respeito ao nosso público. E não ao um público em geral, estamos tão focados nesse assuntos que simplesmente ignoramos os outros assuntos e só ligamos ao que realmente nós interessa. Só estamos agindo como o resto da população, ignorando outras coisas que não nos interessa.
    Você pode até dizer que realmente vê as coisas que acontecem no nosso país, mas não é o que parece.
    Estou cansada de ver posts com fotos de lésbicas chorando!
    Este texto não foi uma crítica a este site (eu adoro ele), mas é pra tentar mostrar que somos meio alienadas, o que não é novidade no Brasil.

    • Pois é...Ataca novamente disse:

      Perfeita II.

    • Limo limao disse:

      Tudo que é feito muito escarcéu tem ficado bem chato mesmo.
      Mas a vida é feita dessas repetições eternas.
      Em outros momentos tiveram assuntos q não eram abordados e quando todos começaram a falar, ficou muito, mas muito entediante.

      E realmente ninguém quer saber de ninguém, todos só se preocupam com seu umbigo, pois o ser humano é bem egoísta mesmo. Muito egoísta.
      E como você disse, só liga para o problema quando isto ocorre com ela.

      Simplesmente perfeito! 🙂

  14. Tancy disse:

    Jack… Concordo com o seu ponto de vista sobre como as noticias estao sem sal, pre programadas…. Gostaria de te pedir para fazer um post sobre as novas letras que podem ser acrecentadas ao nosso acronimo…. Eu vivo fora do pais no momento e convivo com um mundo diferente…. o mundo LGBTTIQQAA… obrigada

  15. Tati disse:

    Concordo com você. Inicialmente achei que essa febre superficial e totalmente controlada de pró-homossexuais traria algum benefício, alguma compreensão maior de pessoas totalmente alheias. Mas agora tenho medo do tiro sair pela culatra, se tornar futilidade, cheio de clichês equivocados, afinal está sendo tratado muito superficialmente, descobriram um modo de atingir a massa, e não evolui mais do que isso.

  16. Tati disse:

    Acho que a galera ta gostando desse protecionismo controlado da mídia, e ta perdendo a essência.

  17. é Jac, tenho um amigo que é anti-gay e ele vira e mexe me alfineta dizendo que o movimento LGBT está mal articulado e as notícias pró gay são bobas.

    em parte, eu concordo com ele, eu mesma no início buscava por muitas informações a respeito do movimento mas depois fui “enjoando” pela repetição. e mais, boa parte do conteúdo “bombante” no meio gay não é de reflexão e política e sim de “festa”, “signo”, e “sexo”.

    acredito que isso seja do próprio grupo gay, já fui chamada de radical por sempre questionar as políticas e observar os movimentos.

    falta uma oxigenação no movimento, falta comprometimento dos gays. ficamos presos em quem NÃO NOS REPRESENTA e esquecemos de nos representar bem, e olhar quem e o que NOS REPRESENTA.

    ps: e eu tô cansada de vlog de lésbica que fala de dramas tão repetido que é melhor ver o Vale a pena ver de novo.

  18. mukahaney disse:

    Jac tem razâo! Perdemos o foco, caímos num poço infindo de frases feitas, o marasmo, tentando descolorir nossa bandeira, e, algumas de nós, já não conseguem definir luta com objetivo, de um corriqueiro costumismo, reivindicamos tantas coisas, no todo, mas, o que de fato queremos no individual? Maria vai com as outras já conhecemos oas montes. Precisamos acordar e perceber que já alcançamos algumas vitórias, mas porém, que nos servem apenas como caminho de sobrevivencia em meio a um espaço predominantemente hétero.. Aí que esta o X da questão, eu não quero apenas sobreviver numa sociedade naturalista, seguidora de conceitos anacrônicos, porém, também não acho certo me enfiar em uma comunidade no Alabama e me fechar para o resto do mundo. Eu quero viver! ser feliz! ter respeito pelas pessoas e obter o respeito delas. O que queremos realmente? Eu respondo por mim, eu quero simplesmente poder viver com minha mulher e nossas filhas em paz, sem que nenhum dedo magro nos aponte a cada vez que passamos na rua, e isso, apenas por não fazermos parte de uma elite monocromática, sem sal, onde seus membros seguem alguns principios falidos, e que de certa forma, tão ternaz quanto o capitalismo. Se o problema hoje é reivindicar algo realmente plausívo, eu digo, vamos gritar bem auto, que viemos reivindicar o que é nosso por direito, dado por Deus a toda raça humana, NOSSO LIVRE ARBÍTRIO!

  19. Ingrid disse:

    Estava pensando sobre isso também. Até a PARADA é mais uma micareta do que realmente uma luta por algo. Não me espanta que ela, a Dani, tenha sido tão ‘superficial’, é o retrato da maioria dessas pessoas, que são desse mundo LGBT.

  20. Mirella disse:

    Lol adorei o post ,cada vez mais adorando o blog e recomendando para amigas. Nao sabia que a sheilla ea mari tiverao um caso eu so sabia da stacy sykora sz shivon e da larissa sz lili

  21. thaís aquino disse:

    completamente apaixonada pelo seu blog e pela sua escrita.
    seu blog agora faz parte dos meus favoritos
    obrigada por não ser só mais uma lésbica alienada e mostrar que não estou sozinha no mundo.

  22. Letticia disse:

    oi!

    Escrevi um texto, faz um tempinho, motivado por outro texto que comentava sobre a cobertura da VEJA acerca do “caso” Daniela Mercury. Talvez você goste: http://blogueirasfeministas.com/2013/06/dos-armarios-nossos-de-cada-dia/.

    Gostei do seu texto, mas achei que você acabou separando duas coisas, que ao menos para mim, andam bem juntas: feminismo e movimentos lésbicos. E, nesta perspectiva, acho que existem mais novidades do que parece…

    bjo,

    letticia.

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