Projeto Filmes Lésbicos – 007

Dando continuidade ao meu projeto megalomaníaco de ver todos os filmes lésbicos do mundo, mais um post! Dessa vez incluindo o filme com uma das frases mais incríveis que um dia eu pretendo usar em uma DR:

Rent - Maureen

Só falta mulheres em roupa emborrachada dando em cima de mim… e uma namorada com ciúmes disso.

Filme: Reaching For The Moon – Flores Raras

Gênero: Até-Que-A-História-Não-É-Clichê; Até-Que-O-Filme-É-Bom;

Sinopse by Jac: Filme contando a história de Lota de Macedo e Elizabeth Bishop.

Opinião: Em uma época em que minha vida profissional se tornou tão importante para mim, o principal atrativo para eu assistir a Flores Raras era o naipe das duas envolvidas. Lota de Macedo é a idealizadora do Aterro do Flamengo e Elizabeth Bishop é a vencedora de um fucking Pulitzer. E não estamos falando de uma época em que mulheres tinham as mesmas oportunidades que homens (digo, lá pelos anos de 2040, 2050), mas dos anos 50 e 60.

(Sim, elas se pegavam!)

Mas este filme me surpreendeu positivamente. Eu amo histórias baseadas em fatos reais porque acredito que há histórias que nem o roteirista mais brilhante poderia criar, como é o caso de Flores Raras.

Começamos o filme com uma situação muito constrangedora. Lota é extremamente arrogante, prepotente, chata, crítica, estúpida e grosseira. Eu que estava fácil, fácil de me apaixonar graças à casa maravilhosa e super bem decorada com quadro da Tarsila, perdi todo o encanto e fiquei tão recuada quanto a Elizabeth (Miranda Otto, a Éowyn de Senhor dos Anéis).

Flores Raras

Como cariocas são irritantes quando querem corrigir a fala alheia!

A sorte da Lota é que não tinha tinder naquela época!

Mas a estupidez de Lota é tragável quando você tem uma história tão interessante e tão real. Não há em Flores Raras hetero ingênua sendo atacada por lésbicas, não há descoberta de sexualidade, não há drama para sair do armário: ou seja, a história é completamente diferente dos outros 200 filmes lésbicos.

Sério, eu fico muito contente de ver um filme que retrate o que na real é a maior parte de fonte de drama lésbico: lésbicas e suas interações dentro da própria comunidade.

Lea Michele Emotional

Há três mulheres que sabem muito bem o que querem e que foram ligadas de uma forma tão realista e tradicional no mundo lésbico. Elizabeth era amiga com interesses de Mary e foi visitá-la. Na viagem, aproveitou para pegar a mulher da amiga. Gente, essa história totalmente poderia ser o assunto da semana no meu Whats!

Flores Raras

“Miga, você não sabe quem a Elizabeth anda pegando. Lembra a Lota? Aquela brasileira namorada da Mary? Então…’

Quanto à pegação, não espere muito do filme. Eu achei ele bem ousado por estar lidando com a mémoria de pessoas reais, em filme de época e sendo brasileiro, mas não está a par de produções americanas nesse quesito.

Entratanto, a cena em que a Elizabeth joga a Lota na parede merecer menção honrosa! É como descobrir que sua amiga passivona tomou a iniciativa com aquela sapa que se pagava de ativa.

Flores Raras

Olha só quem é a nova ativona do pedaço! Pega meu zap, Beth!

Final: Filme baseado em fatos reais não tem como fugir muito do final real, não é mesmo? Caso você ainda não saiba o que aconteceu, veja o filme antes de jogar na Wikipedia.

Nota do Filme: 9
Nota do Romance Lésbico: 8
Nota da Lezploitation: 4

Filme: Rent – Os Boêmios

Rent

Gênero: Musical; Até-Que-A-História-Não-É-Clichê;

Sinopse by Jac: Várias pessoas vivendo seus relacionamentos “enquanto tentam pagar o aluguel”.

Opinião: Esse deve ser o único musical do qual eu devo falar aqui. Ironicamente, não há muitos personagens homo e bissexuais no gênero mais gay de cinema. Fora Rent, temos homens se envolvendo em Cabaret e temos a inesquecível Mama Morton (amo!) em Chicago – só, pelo que conheço. Por isso, Rent tem um lugar de destaque nos musicais com seus dois (dooois!) casais não heterossexuais.

O primeiro, formado por Collins e Angel, tem uma história pra lá de preguiçosa. AIDS? De novo? Não tenho tanto conhecimento sobre a cultura gay ou sobre a dimensão real da doença entre gays americanos nos anos 80, mas me parece muito batida a história gays feat. AIDS – pelo menos no cinema mainstream. Tenho certeza que há muitas outras histórias interessantes a serem contadas sobre homens gays.

Rent

Pelo menos, eles ficaram com o número mais fofo do musical.

Já o lado sapatônico do filme teve mais sorte. O plot de Maureen e Joanne é de fato mais inovador. Maureen é bissexual e flerta compulsivamente. E aí está uma grande sacada do filme para não cair no clichê da bissexual piriguete: Maureen só flerta com mulheres durante o filme. Assim, essas duas características da personagem não viram causa e consequência (piriguete por ser bissexual, bissexual por ser piriguete).

Rent

E detalhe para o método repetido de Maureen flertar sempre pegando em brincos ou colares. Boa dica!

E nós temos dois números musicais ótimos sobre o casal. O primeiro é Tango Maureen cantado pela Joanne com o ex-namorado da Maureen. Gosto especialmente quando ele diz que é dificil dançar para trás (posição tipicamente feminina) e Joanne responde toda sapatona feminista “você deveria tentar de salto”.

Rent

<3

O segundo é Take Me or Leave Me. Essa sim é cantada por Joanne e Maureen, a única música lésbica de um musical. Glee fez o favor de estragar ela transformando uma DR em duelo de divas heteros e sequer respeitando a ordem lógica imposta pela letra. Então, se você conhece a música por Glee, dê uma nova chance para ela em um número digno.

Rent

Se um musical minha vida fosse, eu já teria cantado umas 50 vezes essa música. Eu como Joanne, claro.

E temos que dar um crédito aqui. Se Maureen é a bissexual pega geral, pelo menos Joanne é uma personagem que foge de esteriótipos típicos para mulheres negras. Ela é uma advogada de sucesso, centrada, metódica, querendo um relacionamento sério, sem maiores relações com meios artísticos e com característica mais conservadoras.

Rent

Não tem sarau aqui não!

Ao mesmo tempo, Joanne é forte e determinada o suficiente para não cair na ladainha da Maureen. É assim que acontece com Take Me or Leave Me, que é basicamente a música em que Maureen diz que ela tem valor, mas Joanne responde que ela também tem seu valor.

Quem sabe um dia a gente evolua tanto que veremos uma história em que a bissexual quer o relacionamento sério e tendo que correr atrás da lésbica de espírito livre pegadora, né?

Black Mirror - San Junipero

Hm, não foi dessa vez…

O problema é que há pouquissímo tempo para desenvolver o casal, já que 70% do filme é sobre o casal hetero chato e o solteiro hetero chato. Então, infelizmente, o filme acaba sendo… chato.

Final:
Desastroso, para dizer o mínimo. Basicamente, o casal gay acaba porque um deles morre para que o casal hetero (também soropositivo) entenda a importância do amor e de ficarem juntos. Já pensou que loucura se fosse o contrário?

Aí nisso, as questões do casal lésbico ficam de lado e meio que se resolvem por conta.

Rent - Maureen e Joanne

Nota do Filme: 8
Nota do Romance Lésbico: 6
Nota da Lezploitation: 1

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Filme: Below Her Mouth

Below Her Mouth Poster
Gênero: Straight-Meets-Lesbian; Você-Já-Viu-Isso-Antes; Você-Só-Assiste-Por-Ser-Lésbico; Lésbica-Psicótica-Atormentando-Hetero-Ingênua;

Sinopse by Jac: Uma lésbica com dificuldades de se relacionar encontra uma hetero casada e se apaixona.

Opinião:
Que filme horroroso! Below Her Mouth começa com a apresentação da protagonista Dallas que é basicamente uma pessoa inalcaçavel (preguiça!) que não quer se envolver com ninguém (preguiça!!), mas que mesmo assim não se controla e passa o rodo em geral (preguiça!!!). E o filme nos dá essas informações da maneira mais escrachada possível, fazendo Dallas ser ~extremamente~ grosseira com a parceira dela.

Como eu posso simpatizar com uma protagonista assim?

Below Her Mouth

“Ah, sua ex te liga pra pegar suas coisas e você diz que não se importa e que ela pode jogar fora? Nossa, como a senhora é fodona! Bad ass, hein? Ninguém conquista esse seu coraçãozinho!”

Aí estabelecemos que a Dallas só quer sexo casual, certo? O que ela faz quando vai em uma festa na cena seguinte? Começa a correr atrás da hetero que entrou na balada lésbica sem deixar a guria em paz. Sério, a Shane Loira não sai do pé da hetero. Se eu me comportasse assim numa balada aqui, já teriam pedido prum segurança me tirar da casa.

E eu estou numa fase muito orgulho lésbico, né? Não esse orgulho lésbico externo genérico de youtuber sobre como somos oprimidos pelos heteros, mas orgulho interno da comunidade. Aí o que esse maldito filme faz, como tantos outros? A protagonista lésbica basicamente considera as lésbicas ao redor dela como não desejáveis (a ex, a bartender gata, as mulheres da balada, as mulheres da festa na casa dela) enquanto vai lá se rastejar pela hetero casada com um homem.

Below Her Mouth

“Ué, você não era a fodona que transava e ia embora? Por que tá toda grude desse jeito agora?”

Aí você pensa, se a Dallas era quem não se envolvia sentimentalmente com ninguém, o desafio deveria ser a hetero fazer a lésbica se apaixonar por ela não? E sério, o que a hetero fez de diferente para a Dallas se apaixonar? Nada, né? Não precisa, ela é hetero. Automaticamente desejável. Não precisou nem deixar de ser uma pillow princess (o que seria um diferencial da ex da Dallas).

E aí do nada Dallas sai de um estado de “sou fodona, transo e vou embora” para “fim de semana fofo de nhenhenhe”.

Below Her Mouth

Achei isso aqui super inapropriado, mas bem que queria fazer.

Mas bem, acho que pelo trailer do filme, que fez relativo sucesso, ninguém estava esperando um roteiro imprevisível ou ao menos de qualidade. O filme tem uma clara intenção de se promover pelas cenas de sexo dele, consideravelmente explícitas.

O que eu achei? Olha, não me empolguei nem um pouco com elas. Talvez não tenha desligado o cérebro o suficiente. E estou também cansada do esteriótipo de Shane de “como todo mundo, nunca sou passiva”. Que conveniente para a hetero…

Inclusive achei extremamente tosco a Dallas sair para um primeiro encontro já vestida com um strap-on. Sério, alguém já fez uma coisa dessas ou saiu com alguma mulher armada assim? Deixe nos comentários, que eu ~realmente~ estou curiosa!

Below Her Mouth

“Querida, não era nem pra ter posto pra início de conversa…”

Final:
Não tem nada de surpreendente no filme! Mas parece que até o pessoal da produção estava cansado e falou “pula aí essa parte da hetero terminando o relacionamento e indo atrás da lésbica. Já vamos gravar logo elas felizes juntas e pronto.”

Nota do Filme: 3
Nota do Romance Lésbico: 3
Nota da Lezploitation: 5

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Filme: Jenny’s Wedding – Casamento de Verdade

Jennys Wedding Poster

Gênero: Você-Só-Assiste-Por-Ser-Lésbico;

Sinopse by Jac: Jenny quer se casar com sua namorada, mas precisa contar pros pais que é sapatão.

Opinião:
Filme bonitinho, fofinho e nem um pouco surpreendente. Se você assitiu o trailer já sabe toda a história que vai acontecer. Jenny vai se assumir, a família vai levar um tempo pra processar a situação e é isso.

Pelo menos precisamos dar um crédito que pelo menos o foco do filme é um pouco diferente do clássico romance lésbico. Aqui o foco é Jenny e sua família e a relação dela com a Kitty fica para segundo plano. O que na real é bom porque desde o trailer dá pra perceper que esse é o casal lésbico mais insosso que eu já existiu em um filme.

Faça o teste. Tente imaginar essas duas fazendo sexo:

Jennys Wedding

Elas dariam dois selinhos, iam ficar com sono porque nenhuma fez nada e iam acabar dormindo de conchinha. Gente, não é só colocar duas mulheres bonitas padrãozinho assim. Cadê o diretor de elenco desse filme? Ninguém testou a química entre elas antes não?

Enfim, fora esse casal picolé de xuxu, todo o restante do filme é okay. Se você é novinha não assumida para a família, recomendo assistir porque num geral a Jenny tem alguns posicionamentos que acho dignos para referência. Por exemplo, ela não abre mão da sua identidade e vida para agradar os pais e tem alguns discursos realmente empoderadores.

Jennys Wedding

Também gostei que eu pude identificar várias fases de saídas de armário reais como:

  • A fase de se distanciar da família
  • A fase de ficar muito alegre e aliviada depois de se assumir mesmo que os pais estejam péssimos
  • A fase de estar com raiva por os pais não estarem lidando bem com a situação.
  • A fase que os pais precisam para perceber que a felicidade da filha vale mais do que a opinião dos vizinhos.
  • A fase de perceber que as pessoas não são tão horríveis quanto a gente imagina.

Aliás, que diálogo maravilhoso que a Jenny tem com seu irmão, né? Só quem passou por essa fase tão dolorosa de se assumir é que sabe a importância de ter uma pessoa da família ou amigo que te aceita sendo lésbica.

E serve como tapa na cara para essas pessoas que não se assumem por achar que ninguém no universo vai aceitar o absuuuurdo que é ser lésbica. (Estou falando com você mesma, querida)

Jennys Wedding

Arrasou! Rei! Homão da porra! Avisa que é tiro! Pisa menos que tá pouco! Risos.

Final: Não tem NADA de surpreendente.

Nota do Filme: 6
Nota do Romance Lésbico: 1
Nota da Lezploitation: 0

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4 respostas para Projeto Filmes Lésbicos – 007

  1. Lucinara disse:

    Concordo 100% com todos os seus argumentos Jac. Bellow her mouth foi um tempo perdido que não volta mais na minha vida.. além de toda trama desnecessária pra causa, ainda tinha uns diálogos de 6 série. Me poupe!! Kkk

  2. Priscilla Santos disse:

    “Inclusive achei extremamente tosco a Dallas sair para um primeiro encontro já vestida com um strap-on. Sério, alguém já fez uma coisa dessas” kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    e realmente, que casal SEM GRAÇAAAAAA esse casamento da Jenny!

    Sinto muita falta de novidades e mais variedades sobre filmes lésbicos…

  3. AnonD disse:

    Adorei os reviews dos filmes! Quando fui assistir below her mouth sabia que seria ruim, tô cansada desse tipo da Dallas meio Shane/Kristen Stewart, foi meio que um pornô leve com “enredo”. Sobre o strap-on, acho ousado demais de primeira kkkk. E aquela cena da hétero se tocando na banheira? Fora da realidade né.

    No Jenny’s Wedding elas não tem química nenhuma. Zero. Nothing. Coisa mais sem graça! Escolhi não assistir pq seria frustrante. Do que adianta ter uma atriz de nome pra chamar público, se o casal não convence?

    Jac continue escrevendo, não nos abandone! Suas brasileiras estão sedentas por conteúdo lésbico e o seu blog é o melhor de todos.

    • Jac disse:

      Sobre a cena da hetero na banheira especificamente eu só pensei quão desconforatável devia ser aquilo ahahah Ela tava com o peso todo do corpo nas bordas da banheira, tipo apoiada com a parte de trás do joelho. Nada de momento relax pra curtir outras coisas ahahahhahaha

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