Projeto Literatura Lésbica – 001

Estamos elevando o nível cultural desse blog e agora não somente veremos filmes e séries como vamos discutir livros e contos e fanfics no nosso novo projeto.

Literatura Lésbica

O Ano em que Morri em Nova York

Esse nome é sensacional, aliás.

Autora: Milly Lacombe

Onde comprar: Amazon

A sinopse do livro na Amazon é muito interessante: uma protagonista lésbica que vai do céu ao inferno após uma suposta traição e o fim do seu casamento. História promissora que foge do comum em livros lésbicos: uma mulher conhecendo outra, cenas de sexo super descritivas, algum empecilho e, no final, ficam juntas. Porém, lendo, não me encantei tanto quanto pelo conceito do livro.

Acredito que retratar um término de relacionamento seja algo muito mais complexo que o nascimento de um. Se você se propõe a fazer isso, precisa ir fundo nas diversas situações da relação e na personalidade de cada uma. Aqui Milly decidiu focar quase que exclusivamente em sua protagonista e em uma jornada de ¨autodescobrimento”, o que deixou a parte do relacionamento em segundo plano.

O livro é dividido em três partes. A primeira, mais interessante, mostra o relacionamento com Tereza já posto em um pedestal de perfeição. Acredito que a ideia aqui seja fazer algo como Dom Casmurro e embarcar numa jornada de loucura da protagonista se questionando se foi traída ou não. O surto da protagonista foi bem construído, indo por uma espiral de dúvida e medo. Ela sente que está indo para baixo, enquanto a esposa está indo para cima. De qualquer forma, a traição e o relacionamento não são o foco do livro.

Surprised Woman
“Ué, se não vai ter relacionamento lésbico em livro lésbico, o que é que vai ter?”

Os Monólogos Lição de Vida

Quando a protagonista vai para a sua jornada na Amazônia, na segunda parte, o livro mostra a que veio: a jornada de descobrimento pós relacionamento. Em teoria, seria uma parte maravilhosa se tivesse sido melhor executada. Eu gostaria de ter visto mais acontecimentos da vida (experiências mesmo, vivências práticas) que levariam a reflexão posterior da protagonista. O que me foi entregue foi uma sequência interminável de uma mesma rotina:

1- A protagonista encontra alguém supostamente mais iluminado que ela.
2- Esse alguém faz um monólogo longuíssimo (uma palestra praticamente) sobre a vida com algum papo esotérico.
3- A protagonista chora emocionada e segue para o próximo personagem mais iluminado que também fará mais um monólogo reiniciando o ciclo.

E assim o livro vai indo sem grandes acontecimentos ou novas vivências.

Mulher Zen
Deixe sua mente vagar no puro e simples. Seja alguém com o infinito. Deixe todas as coisas seguirem seu curso. Mas não abandone a piriguetiação lésbica.

A terceira parte de O Ano mostra a protagonista indo para uma cabana em Gonçalves (aparentemente todo paulista vai para lá ter seu momento contato com a natureza) onde ela regride ao que ela era antes da Amazônia (“ai, não acredito que vou ficar na roça, não vou suportar os mosquitos”) e encontra mais personagens iluminados que oferecerão mais monólogos filosóficos sobre a vida.

E absolutamente todo mundo é iluminado: é o loiro americano tatuado que virou xamã, é o rabino indicado pela irmã, é a ex namorada que morreu, é a ex namorada que pegou câncer, é o homem da roça, é a avó indígena do homem da roça. Todo mundo é automaticamente muito sábio e pode oferecer uma palestra para a protagonista.

Santana - Glee

Se você é novo e sem muita experiência de vida, pode tirar algum proveito de todos esses ensinamentos. Como eu já tenho um certo contato ouvindo reflexões sobre espiritualidade, vida, relacionamentos e afins, esses monólogos do livro não me acrescentaram nada. Tive que passar por eles para ver se conseguia encontrar alguma migalha sobre a história do livro (o término do relacionamento).

Mas afinal e o relacionamento?

Era o relacionamento da protagonista que me causou maior interesse e, infelizmente, não foi muito abordado no livro. Queria saber muito mais sobre o romance de Tereza com a advogada padrão de sucesso. Logo no começo do livro é dito que esse romance não foi para lugar algum, era só um escape. Por que não explorar mais ele?

De um lado temos a protagonista louca, que raspou cabelo por causa da ex (importante reparar que é por causa da ex!) e está fracassada profissionalmente. De outro, uma colega de trabalho bem sucedida e sexy. Nem para explorar melhor a insegurança, a inveja, a vivacidade que o novo flerte traz a Tereza, a dúvida de terminar um relacionamento longo. Tudo foi rápido e inconclusivo para chegar logo na sequência de monólogos iluminados.

Advogada
Volta aqui com a minha fanfic de lésbicas poderosas em Nova York, Milly!

A protagonista não me causou simpatia

Infelizmente parte de eu não ter aproveitado o livro foi por culpa da protagonista. Logo no começo ela nos conta como ia para casa das amiguinhas quando criança e pedia para chamar a mãe para vir buscá-la porque ela não aguentava ficar longe da mamis. Credo, que criança chata, grudenta! A mãe tinha toda razão em reclamar. E bem… o livro trata como se fosse um grande trauma de vida a mãe dela sair por algumas horas. Ah, me poupe.

Criança Triste
“Mamãe me deixou dormir na casa da minha amiga para vir me buscar só no dia seguinte. Que vida miserável!”

Outro defeito: ela fica mantendo relação com as exes dela. Não somente manter, mas quando uma morre ela fica toda deprimida e faz tatuagem com o nome da ex. Quando outra descobre estar com câncer, ela raspa o cabelo. Essa fraqueza e descontrole emocional me afastariam de uma pessoa assim. Já vi casos de lésbicas que viram suas exes se suicidarem e que seguiram com sua vida firmes. Isso sim me causa admiração.

Além desse lado de dependência emocional da protagonista, o livro trata de outro lado que é sua arrogância em seu conhecimento intelectual. Realmente a protagonista é arrogante, mas tenho minhas dúvidas sobre o conhecimento intelectual dela. Ela cita ali que leu Proust, Dostoiévski e tal. Mas o que você vê concreto em sua vida é que ela não é uma autora de sucesso, nem ganha muito dinheiro, nem é influente e vive basicamente de freelas que a ex dela generosamente passa.

Mulher sorrindo
“Rá! Como se fosse verossímil existir uma ex útil assim…”

O livro diz que o sexo entre ela e Tereza é muito bom, mas fora isso… o que sobrou para Tereza admirar nela? Não me espanta que ela tenha sido atraída pela advogada bem sucedida.

Se não deu para perceber ainda, torci para que Tereza ficasse com a advogata.

O Final Inteligente

Quase no final do livro a protagonista fica com outra mulher e parece começar a construir um novo relacionamento, porém Milly inteligentemente não responde a nenhuma questão sobre como ficará a situação amorosa dela. A protagonista começará um relacionamento maduro com Valentina? Voltará para seu casamento com Tereza? O que Tereza quis dizer naquela mensagem que ¨pena que era tarde demais¨? Tereza manteve um relacionamento com a advogata bem sucedida depois do casamento?

Advogada
Oh yes!

A verdade é que, embora eu quisesse resposta para isso tudo, o livro fica mais coerente. Não importa em que relacionamento a protagonista fique. O que importa é que ela se baste e seja uma pessoa completa por si. Ou, como um dos monólogos chatos diz, que o amor dela não esteja confinado em uma única pessoa, mas que se espalhe pelo mundo ❤ ❤ ❤

Rihanna Annoyed

Resumindo

Pontos negativos

  • Excesso de monólogos com lições de vida que não me acrescentaram nada;
  • Protagonista chorona que não me inspira admiração.

Pontos positivos

  • História original: normalmente não vemos histórias sobre fins de relacionamentos;
  • O final inteligente que combinou com o objetivo do livro.

Nota 6 de 10

Summer Heat

Summer Heat - Harper Bliss

Autora: Harper Bliss

Onde comprar: Amazon

Um conto curtinho e com uma história similar a Call Me By Your Name: aventuras homoeróticas pelo interior da Itália com alguém mais velho. O conto avança razoavelmente bem até a primeira investida mais firme de Rose, quando a protagonista basicamente corta o clima para discutir a relação e o que era aquilo tudo acontecendo. Tanto eu quanto Rose levamos um balde de água fria e o conto não recuperou mais a tensão inicial. Prefiro bem mais que os flertes sejam alongados e sempre estejam numa crescente. O conto ficou brando e terminei de ler por terminar.

Nota 4 de 10

Deu Match

Deu Match - Cris Soares

Autora: Cris Soares

Onde Comprar: Amazon

O livro/conto começa bem leve e divertido com a protagonista fazendo uma aposta com sua amiga para conseguir transar em menos de um mês usando Tinder – o que seria muito fácil com um homem, mas quase impossível no mundo lésbico. Tudo interessante até ela entrar em contato com Julia, momento no qual Deu Match vira uma transcrição de diálogos delas que me pareceram muito, muito juvenis. Discutir a relação porque a protagonista não é de fazer sexo no primeiro encontro? Ai deus, já tenho 29 anos e não sobrou muita paciência para isso. Mas se você tem 22 ou menos, talvez ache mais interessante.

Em tempo, cadê a consistência de personalidade? A protagonista ora é toda desbocada, faz apostas sobre transar e está desesperada porque tem mais de ano que não faz sexo, ora faz a puritana que não transa no primeiro encontro. Enfim, talvez com uns anos a menos eu fosse me identificar mais com os diálogos nhenhenhe, mas atualmente já não sou mais o público para o livro.

Nota 3 de 10

O Relógio das Flores

O Relógio das Flores - Drey Damaso Sara Lecter

Autoras: Drey Damaso e Sara Lecter

Onde Comprar: Amazon

Em poucas páginas, O Relógio das Flores já tinha me conquistado. O livro conta a história de quatro amigas de infância de uma cidade pequena que estavam prestes a se separar para tomarem rumos diferentes. A história inicialmente não é óbvia e eu fiquei muito investida em saber quem era lésbica quem, já que as autoras malandramente souberam adiar a revelação de informações.

Nada de “Fulana é linda, tem 26 anos, trabalha como advogada, é lésbica, sofreu com uma morte muuuito misteriosa do seu pai e não se dá bem com sua madrasta”. Uma linha e você já sabe tudo o que esperar do livro, inclusive que a madrasta matou o pai.

Michelle Obama

Outra grande qualidade do livro é ele ser dinâmico. Ao invés de me obrigar a ler 300 páginas sobre uma única pessoa (ninguém ficcional é tão interessante assim), temos aqui núcleos de histórias que ajudam a variar a leitura. Enjoou da Lana? Okay, agora podemos ler sobre Clarissa. Enjoou dela? Vamos agora ver o que Renata ou Paloma fazem.

Infelizmente a qualidade do livro não se manteve até o final. Ali depois da metade já fica claro que o livro terá seus casais “amor eterno” e que as coisas mais realistas em um grupo de amigas lésbicas que eu esperava não iriam acontecer.

Zac Efron Meme

Ainda assim, faltando umas duas páginas para acabar o livro ainda dá uma recuperada e toma certas decisões corajosas que eu já não esperava mais. O Relógio das Flores está recomendadíssimo.

Spoilers

Como parte da qualidade do livro é a gente não saber muito o que esperar dele, deixo agora a parte com spoilers.

Renata e Paloma

Comecei animada com a história da Renata ser apaixonada pela Paloma desde a infância, especialmente porque o livro em nenhum momento fala que Paloma amava na mesma intensidade. Minha expectativa era que a história dela seria de amor não correspondido e que ela aprenderia a superar isso, afinal somos adultas, né?

Mas infelizmente logo foi revelado que elas eram casadas e eu fiquei nhe.

Mulher séria
“Ata que sorte a dela que Paloma correspondeu porque no mundo real ela teria sido feita de palhaça por anos até aprender a se impor.”

Mais sem pé nem cabeça ainda foi a briga que inventaram para se separarem: Paloma, a louca, queria filho com 26 anos. Renata só queria demorar um pouco mais. Sequer era uma situação real de separação do tipo Paloma queria muito, Renata não queria de jeito algum e o casamento ficou paralisado no meio disso. Foi uma história tão boba que as autoras até se esqueceram de comentar essa situação no final do livro. Bastou a Paloma aprender a viver com um pouco mais de bagunça que estava tudo certo.

Mas gostei que o final delas não foi a retomada do casamento exatamente. Elas voltaram a ficar, mas até as autoras escreveram: “se aquilo resultaria em um novo casamento era totalmente secundário.” Na minha fanfic sobre O Relógio das Flores elas vão se separar e cada uma pro seu canto.

Mulher negando
Fanfic minha não tem amor de infância que dá certo, não.

Clarissa

Gostei do arco da Clarissa. É o sabor “professora e aluna” do livro (com o plus “esportivo”), embora eu não esteja numa fase de interesse no gênero. Mas admirei que não fizeram a Clarissa, a adulta da relação, uma tonta apaixonada. De qualquer forma, o arco dela é mais familiar e não dá tanta ênfase à relação com Milena.

Aliás, Clarissa teve o final mais corajoso das quatro amigas: um relacionamento aberto e leve com Milena. O que é uma escolha totalmente sensata considerando que era uma relação a distância, Milena com 18/19 anos e Clarissa pós-noivado querendo piriguetiar.

Lana

Lana foi o sabor “policial” da trama. Adorei como as autoras encaixaram vários gêneros lésbicos clássico no mesmo livro.

Inclusive a trama policial da Lana foi mais interessante para mim do que a parte lésbica. Ela em termos lésbicos não fez nada demais: saiu com uma mulher no começo do livro, depois se relacionou com Júlia, depois teve uma briga idiota para criar uma tensão e terminar com Júlia só para ter a história de recomeço.

Aliás, me pareceu desmedido que Lana tenha ficado puta que Júlia se aproximou dela para saber sobre o paradeiro dos seus pais. Tem lésbica que faz outras de idiota por motivos muito menos nobres e não vira tudo isso.

Mulher apontando
“Tô falando de você mesma, cara leitora! Dê um basta naquela pirigueti que fica te enrolando só para você massagear o ego dela.”

Júlia

Júlia rainha, Lana nadinha. Minha personagem preferida de O Relógio das Flores, é ela quem nos dá a visão “de fora” sobre a amizade das quatro protagonistas e é quem tem mais história ali. Você começa o livro achando que a história toda girará em torno das quatro amigas e só aos poucos te revelam que Júlia carrega um mistério (palmas pela execução disso, autoras). Chega um ponto do livro que as amigas já não têm mais nada o que fazer e quem carrega a história é Júlia.

Gostaria que ela tivesse reportagens como jornalista melhor escritas? Sim. Gostaria que ela não tivesse virado a “vilã”? Certamente. Gostaria que ela tivesse imposto mais seu ponto de vista? Com certeza. Mas, no geral, adorei ela, a personalidade altiva de poucos amigos, o drama do passado e o carinho com que tratava Lana.

Gostei também que a família Gutenberg saiu praticamente impune de toda essa história com Júlia porque, convenhamos, é assim que o mundo é.

Resumindo

Pontos negativos

  • Não manteve o mesmo padrão de qualidade todo o livro.

Pontos positivos

  • História dinâmica com vários núcleos;
  • Informações sendo passadas aos poucos. Manteve minha imaginação ativa (mas não da forma que você está pensando!);
  • História que, em parte, se passa em Curitiba;
  • Júlia.

Nota 8 de 10

Luciana e as mulheres

Luciana e as mulheres - Sabina Anzuategui

Autora: Sabina Anzuategui

Onde Comprar: Amazon ou Livraria da Travessa

O livro conta a história de Luciana, lésbica de uns 36 anos em processo de separação e que retoma a carreira lésbica. Embora trate de separação assim como A Ano Em Que Morri em Nova York, a abordagem aqui é bem mais realista. Nada de viagens de autodescobrimento na Amazônia. Apenas uma mulher voltando para esse mundo cão de procurar uma lésbica decente para se envolver.

Nessa jornada, Luciana conhece Melissa, uma “jovem” de 24 anos que largou a faculdade particular de psicologia, vive fumando maconha, não se define como lésbica ou bi e profissionalmente está aí jogada no mundo ao deus-dará.

Formigas
Em Floripa você levanta uma pedra – ou configura o tinder para mostrar mulheres de 20 a 25 anos – e encontra 50 do mesmo tipo.

Não existia um único motivo para eu admirar Melissa, sequer ela é descrita como muito linda. Era apenas realmente uma mulher qualquer, como as que encontramos na nossa vida.  Nada de “herdeira milionária sexy” ou “chefe rígida exigente”. Mas além de ela não ter nada de interessante, eu já notei desde o começo atitudes ruins em relação a Luciana. 

Saco de lixo
Girl lixo mesmo!

E, como eu estou acostumada ao estilo fanfic de ser, senti uma forte agonia imaginando que a autora estivesse achando que aquele era o romance mais lindo do mundo e, por consequência disso, eu teria que ver lésbica sendo feita de palhaça o resto do livro. Para vocês  terem ideia de um dos inúmeros exemplos de trouxianismo:

“Mas fiz exatamente o contrário. Eu embalei no ritmo de Melissa e fiz tudo o que ela quis fazer. Os primeiros dias inocentes ouvindo música foram talvez a demonstração que ela precisava de que eu estava ali para qualquer coisa, que topava ficar com ela como ela quisesse, beijando ou não, lavando louça ou não, pagando aluguel ou não.”

Tradução trouxianês-português: “Melissa é um troféu, eu preciso fazer de tudo para segurar essa mulher maravilhosa na minha vida. Não importa que ela não me beije, não lave a louçã e não pague aluguel.”

Sabe o que a gente deveria fazer com uma mulher assim?

Kick Butt

Inclusive, Luciana e as mulheres  é um verdadeiro treinamento para identificar gente que não presta.  Que ódio que eu senti dessa Melissa!

Por sorte, a autora tinha muito controle da história que queria contar e Luciana passou a pelo menos enxergar que algo não estava certo e a colocar limites. Foi aí que me animei com o livro. Entendi que ou Melissa mudaria de atitude ou Luciana daria um fim na relação.

Então a força do ódio e a torcida contra a Melissa me fizeram terminar o livro rapidinho. 

Torcida
“VAI PRA P….”

E fiquei muito satisfeita com os rumos da história a partir da metade do livro. Entendi que a autora sabia exatamente a história que queria contar e teve muito domínio para deixar os fatos acontecerem e nos mostrarem sempre um pouco mais sobre o que era aquela relação.

Final de Luciana

Bem, fiquei feliz que Luciana teve o ciclo encerrado com Melissa e encontrou uma mulher decente. Infelizmente, porém, ela não percebeu totalmente em que tipo de relação ela estava. Tanto que foi Melissa que terminou com ela e Luciana ainda deu um biscoitinho final alí:

“-A gente não se ama, Luciana. Nem eu nem você. Eu queria estar apaixonada, mas não aconteceu. É melhor eu ir embora antes que você comece a me tratar mal.

-Isso não é verdade. Eu estava apaixonada. Achei que você estava também.

-Obrigada por dizer isso – ela demorou para continuar. – Ninguém nunca se apaixonou por mim.”

AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!!

Raiva

Fora daqui! Vai procurar outro idiota para te sustentar enquanto não recebe nada em troca!

Final Melissa

E Melissa foi justamente procurar um outro idiota para sustentá-la. Voltou para a cidade natal para namorar um trouxa (trouxa médico, diga-se) que era apaixonado desde a adolescência por ela.

Detalhe muito importante é  que Melissa terminou com Luciana justamente quando esta pediu que ela contribuísse mais com as contas de casa. Ou seja, ela precisa ficar nas costas de alguém: seja dos pais pagando a faculdade, ou da prima ajudando com despesas, ou da sapatão trouxa que acolheu ela em casa ou do novo namorado que poderia realizar sua paixão platônica agora que tinha uma profi$$ão.

 Resumindo

Pontos negativos

  • Todo o ódio que eu senti da Melissa.

Pontos positivos

  • História realista: ou você ou sua sapa-friend já viveu algo parecido. Nada de contos de fadas aqui;
  • É super bem escrito;
  • O livro já pode ser usado como treinamento anti-trouxianismo.
Não seja Trouxa

Nota 8 de 10

Deixem sugestões de livros! De preferência que tenham em ebook pela Amazon que facilita minha vida (e tem mais chances de terem mais leitoras). Ou mesmo fanfics boas! E sigam o Flexões no Instagram que lá tenho um destaque com trechos dos livros comentados que vou lendo.


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2 respostas para “Projeto Literatura Lésbica – 001”

  1. Jac, maravilhosa postagem. Nem acredito que você teve paciência de ler tudo isso. Esperava aqui um ou dois livros. Foi uma grata surpresa! Adorei a descrição que você fez dos livros… Já peguei ranço de algumas coisas sem nem ao menos ler kkkk Acho que vou me arriscar na leitura do “O Relógio das Flores”. Foi o que achei mais “interessantinho”. Eu realmente desconheço livros lésbicos (não sei se me falta cultura ou se é pelo fato de ser escasso mesmo). Vez ou outra eu arrisco ler uma fanfic, mas sempre paro na metade, porque nunca achei uma que valesse a pena. Espero que a galera deixe boas sugestões aqui =)

    1. heheheh Já fiz 5 livros para ver se pegava um público maior que pudesse ter lido. Mas bem, dois desses são realmente curtinhos (Summer Heat, Deu Match!).

      E tenho o mesmo problema com fanfics! Difícil eu conseguir manter o interesse por vários capítulos. Li por indicação uma de Killing Eve e estava surpreendentemente boa, mas começou a relatar o ponto de vista da Villanelle (coisa que é um dos ótimos mistérios de Killing Eve) e eu desisti hahaha

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