Projeto Filmes Lésbicos – 010

Seguindo nosso projetos sobre filmes lésbicos, hoje temos drama, horror e romance natalino água com açúcar. Claro que me refiro a Happiest Season, novo filme lésbico da Kristen Stewart.

Filmes Lésbicos

Pariah

Pariah - Poster

Onde Assistir

Amyscans

Gênero

Adolescente;

Sinopse by Jac

Adolescente quer se vestir como butch e pegar mulheres, mas a mãe não deixa.

Opinião

Minhas expectativas com esse filme não eram das melhores. Julgando pelo poster (julgo mesmo) , imaginei que seria um filme muito deprimente mostrando uma vida sofriiiida.

Compadre Washington Meme

Por sorte, Pariah não é de todo baixo-astral. Alike é uma adolescente insegura, ainda experimentando com sua sexualidade e buscando maneiras de contornar a mãe para poder ter um visual mais masculino.

Com essa premissa, você já pode imaginar os tipos de conflitos que o filme trará, nada muito surpreendente, porém o que temos é bem feito.

Algo me diz que Pariah serviu de inspiração para Moonlight.

Não espere muito romance ou lezploitation do filme. O foco é realmente sobre o crescimento e identidade de uma sapa novinha começando sua carreira e é para esse público que Pariah será mais impactante. Porém, não tem como não se emocionar com o final lindo.

Spoilers e Final

Não me interessei tanto pela Alike como por outras duas personagens que, a meu ver, são mais complexas e elaboradas.

Gostei muito que evitaram que a mãe de Alike se tornasse uma vilã unidimensional boba. Sim, ela é homofóbica e pega no pé da filha, mas também é uma mulher vendo seu casamento ruir e não tendo controle algum sobre sua família. Certamente é a personagem com o pior destino.

Pariah
Nem sempre se descobrir lésbica e levar um pé na bunda da sua primeira crush é a cruz mais pesada.

Já Laura é minha personagem preferida. Ela começa como um modelo para Alike: a butch negra masculina pegadora e independente. Mais adiante, descobrimos que essa independência teve um alto custo familiar para ela. E também vemos que ela era apaixonada por Alike, que não correspondeu completamente a amiga.

Lembrando que a Alike se interessou pela hetero no começo do filme que disse que se fosse gay iria falar com ela, brigou com a Laura por conta disso e depois se envolveu com outra garota que, no final, escolheu ficar com um homem por conveniência. Ou seja, Alike é como toda lésbica em começo de carreira se interessando pelas mulheres mais femininas e quebrando a cara por isso.

Sendo honesta, eu provavelmente não verei Pariah novamente já que o filme trata de questões com as quais eu não me identifico mais sendo uma mulher de 30 anos: brigas com a mãe por causa de sexualidade, brigas por querer me vestir de determinada forma, sofrimento para conseguir ficar com uma mulher. Mas isso não tira o mérito do filme que certamente terá um apelo maior para as sapas novinhas, especialmente butches.

Inclusive o final é maravilhoso, com Alike deixando para trás seus problemas de sapateen e seguindo rumo a uma vida adulta e independente.

Nota do Filme: 7
Nota do Romance Lésbico: 4
Nota da Lezploitation: 3

p.s. Curiosidade maluca: a atriz que faz a Bina, o par romântico da Alike, já trabalhou em South of Nowhere!


As Boas Maneiras

As Boas Maneiras

Gênero

Sapatão-apaixonada-pela-patricinha; Contém-cenas-lésbicas-mas-não-é-filme-lésbico;

Sinopse by Jac

Sapatão inventa de ir trabalhar de babá para mulher grávida e coisas misteriosas acontecem. E não me refiro a coisas safo-misteriosas.

Opinião

Não existem muitos filmes de terror no mundo lésbico. Então, talvez mesmo com o que eu tenho a dizer sobre o casal de As Boas Maneiras, ainda o filme mereça ser assistido pela sua “raridade” no mundo lésbico.

As Boas Maneiras
“Você não está contabilizando os filmes em que a lésbica fica sem sem a garota no final como filmes de terror, né?”

Em As Boas Maneiras, Marjorie Estiano é Ana, uma patricinha grávida do interior que busca uma babá “faz-tudo” – mas obviamente não está disposta a pagar muito por isso. Então ela contrata Clara, interpretada pela atriz portuguesa Isabél Zuaa, uma lésbica pobre e meio bofinha como babá.

Se você já achou meio problemático esse começo de casal, saiba que realmente é. O casal não é nenhum exemplo a ser seguido e, na verdade, o filme até reconhece inicialmente esse fato.

As Boas Maneiras
“Ai, é que eu sou essa menina tão frágil e inocente…”

Mas, sendo sincera, sequer precisaria que elas se envolvessem sexualmente para desenvolver a história principal do filme.

Por um lado é bom termos histórias em que a lesbianidade está ali de forma secundária e natural. Por outro, sempre é válido se questionar se o sexo lésbico está ali apenas para atrair o público lésbico, sempre fiel.

As Boas Maneiras
Afinal, sequer estaríamos falando sobre As Boas Maneiras se elas não tivessem ao menos um flerte.

Infelizmente, apesar de contar com uma diretora lésbica, acredito que o filme vá mais para o queerbaiting e eu acabei o filme bem desconfortável com a jornada da protagonista lésbica.

Mas em termos de horror, me surpreendi positivamente com a qualidade da história e, especialmente, com os efeitos especiais (nada como uns euros na produção, né?). Então, se você tem especial interesse no gênero de terror, ainda vale a pena assistir As Boas Maneiras.

Spoilers e Final

O casal é um desastre. Fica definido que Clara é apaixonada pela Ana, como na cena em que fica olhando a foto de Ana mesmo depois de anos de sua morte. Porém, o que Ana sente por Clara? Sequer sabemos se desejo sexual é verdadeiro ou se é só mais um efeito colateral da gravidez sobrenatural.

As Boas Maneiras
A pegação é boa, mas ela vale quando uma está em transe?

Clara está sempre em posição de servir, se preocupando até com o pagamento do condomínio atrasado da outra, e tudo o que Ana faz para ter esse nível de fidelidade é… ser gata e frágil e encantadora dançando despreocupadamente na sala. Como a essa altura da vida já tenho alergia a patricinha mimada bancada pelos pais caretas ricos, nem lamentei a morte dela não.

O que eu lamentei no filme foi a vida da Clara, que seguiu criando o filho da Ana para ele crescer e ainda virar o pior dos monstros: o pré-adolescente chato que grita “você não é minha mãe”.

As Boas Maneiras

Aliás, achei no mínimo curioso no filme em que a protagonista é lésbica existir tanta hipermasculinidade. Veja bem, o lobisomenzinho já é o desejo da coleguinha da escola, assim como o pai dele “seduziu” a Ana, que traiu o noivo para transar com o macho alfa. Fora a agressividade, pelos, carne vermelha – tudo muito masculino.

Quando o menino vai para o shopping, ele não vai atrás de ver se a mãe dele estava realmente morta, ele vai procurar o pai dele – o homem que passou a principal característica genética dele. A Ana só foi, de certo, a mulher grávida que teve a barriga estraçalhada mesmo.

Aí eu fico vendo 2 horas sobre como uma lésbica arca com o trabalho deixado por um macho alfa pegador pai ausente e a hetero/bi patricinha sustentada pelo pai que traiu o noivo.

As Boas Maneiras
“Chora, me liga, implora meu beijo de novo, sapatão!”

Mas isso obviamente é uma análise com olhar lésbico, né? O filme não se propõe a ser um “clássico lésbico” e nem sequer a ter um casal lésbico de verdade, mas a falar sobre o que seria a adoção de um lobisomem.

Desenho Animado Lobisomem
Resumindo dessa forma, realmente parece algo muito bobo.

Então reitero que o filme é para quem já gosta de terror. Se tudo o que você busca é um casal lésbico fofo para chamar de seu, assista pela milésima oitava vez Imagine Eu e Você.

Nota do Filme: 6
Nota do Romance Lésbico: 0
Nota da Lezploitation: 4


Dating Amber

Dating Amber Poster

Onde Assistir

Amyscans

Gênero

Adolescente; Contém-cenas-lésbicas-mas-não-é-filme-lésbico;

Sinopse by Jac

Um adolescente gay e uma adolescente lésbica decidem ter um namoro fake.

Opinião

Eu tenho uma sensação estranha com a premissa de Dating Amber. Ao mesmo tempo que uma lésbica e um gay namorando para ocultar suas sexualidades parece um roteiro tão batido, eu não consigo lembrar de nenhum filme ou série que tenha abordado o tema.

Dating Amber

De qualquer forma, sendo uma história que já nasceu manjada, Dating Amber não é um sopro de inspiração no cinema lésbico. Tudo o que você espera que um filme com essa premissa tenha, ele tem. Colegas de classe fazendo bullying (zzzzz), desacordo sobre os limites do namoro fake, homofobia internalizada, um deles tentando transformar a relação em algo real…

O mais inovador que encontrei no filme é o fato de as lésbicas serem mais bonitas (ou “padrão”, se você preferir) que as heteros.

The Half of It
Para mim já deu de a lésbica ser sempre aquela menina meio mal vestida que se apaixona pela hetero sempre bem cuidada.

Além dessa evidente vantagem de nos representar como mulheres bonitas, o filme também é operacional: tem seus momentos engraçadinhos e traz uma mensagem positiva para os adolescentes. Para melhorar, também traz um par romântico legal para a Amber.

Dating Amber
Gente, pra que essa distância toda?

Sendo assim meia boca, nem surpreendente, nem ruim, Dating Amber não será o filme que você irá assistir uma segunda vez, mas sinceramente, que filme hoje em dia é?

Spoilers e Final

O mais discutível sobre o final é por que diabos um gay nao iria gostar de entrar pro exército.

Dating Amber
“Um lugar cheio de homens fortes dormindo juntos realmente me parece um péssimo lugar para um gay…”

Nota do Filme: 5
Nota do Romance Lésbico: 3
Nota da Lezploitation: 2


Happiest Season

Happies Season Poster

Link Para Download de Happiest Season:

Assista no hulu ou clique aqui.

Gênero

Esquecível

Sinopse by Jac

Lésbica no armário leva a namorada para passar o Natal com sua família.

Opinião

O que esperar de um filme sobre uma lésbica enrustida levando a namorada para passar o Natal com sua família? Situações vergonhosas, claro, e abusos dos mais variados contra a lésbica assumida.

Basicamente 80% do filme é ver a Kristen Stewart encolhida pelos cantos assistindo a história da família da namorada acontecendo. Ela já não é assim aquela atriz carismática e cheia de recursos, mas o roteiro também não ajudou. O mínimo de protagonismo que ela teve no filme não deu em nada ou foi cortado logo porque afinal, está escrito no roteiro que ela ama muito a Mackenzie Davis então tem que ficar junto com a princesinha do papai.

Happiest Season - 04

Além do roteiro formulaico, a química entre Kristen Stewart e Mackenzie Davis é nula. Sabe Jenny’s Wedding? Horrível assim. E o pior é que nem podermos culpar a suposta heterossexualidade da Mackenzie Davis porque….

Mackenzie Davis Terminator
Vocês já viram Terminator Dark Fate?

Eu queria evitar a analogia com a altura, mas Kristen realmente foi um chaveirinho levada pra cá e pra lá no filme. Me incomodaram tanto que a personagem mais digna da minha simpatia foi a irmã loser da Harper.

Happiest Season era para ser um filme fofinho e inocente de Natal com uma linda mensagem no final, mas só conseguiu a façanha de me fazer sentir raiva da Mackenzie Davis. Por sorte, em alguns meses já será esquecido.

Happiest Season - 05

Spoilers e Final

Imagina se no final a Kristen Stewart não iria perdoar todos os abusos e teríamos uma linda família acolhedora? Não que eu preferisse uma lésbica morta, claro, mas como o casal tem zero química, nem me importei.

Mas vamos comentar de dois personagens secundários. Um é o amigo gay totalmente desnecessário e incoerente da Abby. Sequer funciona como amigo gay espertinho e engraçado. Acho que dá para acreditar menos na amizade entre eles que na Kristen com a Mackenzie como casal. No começo do filme ele veio com o Feminismo 101 dizendo que casamento era ruim e blablabla para no final dar um discurso que a Abby tinha que engolir toda merda da Harper só porque ela foi aceita pelos pais e a Harper não. Não tem coo defender.

Happiest Season - 03
“Nossa, to arrasani no meu monólogo aqui. Cadê meu Oscar?”

E eu sei que o roteiro queria que a gente entendesse que a Harper era a filhinha perfeita e que precisava de compreensão porque sair do armário é uma experiência muito pessoal e dolorida e blablabla. Mas me poupem! A Abby tem os pais mortos e não age como uma bitch por aí. E o que falar da Riley que foi arrancada do armário pela Harper no ensino médio e teve que aguentar a barra sozinha?

E falando em Riley, a ex da Harper, ela é a melhor personagem desse filme – de longe. Primeiro porque quase nunca temos uma ex mulher aparecendo no filme (já ex namorado homem sempre tá batendo ponto). Segundo porque, muito diferente da patricinha da Harper, Riley tem jogo, tem movimentos. São dela os momentos mais interessantes do filme.

Happiest Season - 01

Esse teria sido um filme inesquecível e genial se a história fosse sobre como a Kristen deu um basta em um relacionamento abusivo e ao mesmo tempo encontrou o amor da vida dela: a Riley.

Mas, infelizmente, Happiest Season escolheu seguir a fórmula mais que batida de romance água com açúcar. Mais um filme desperdiçado para a nossa lista.

Happiest Season - 02
Observem bem que a diretora do filme, Clea DuVall, acabou abraçada com a Riley. Não to acreditando nessa sapatão que estragou o filme só pra ficar com a melhor personagem pra ela…

Nota do Filme: 5
Nota do Romance Lésbico: 3
Nota da Lezploitation: 4 (pela Railey, claro)

7 respostas para “Projeto Filmes Lésbicos – 010”

  1. Muita informação!
    – assisti boas maneiras ano passado e não vou assistir denovo … Parte do terror, show …. Realmente patricinha mimada me dá nojo . A Marjorie tá ótima ! A outra portuguesa tmb … Mas a personagem da Marjorie eh escrota demais . Mas elas se pegando ….. Well pago internet pra isso

    – the happiest Season
    Os personagens mudam de personalidade …. Por que raios destruíram o cabelo da mulher do crepúsculo, sim ela foi um chaveirinho, mas defendendo a encubada ( já esqueci o nome olha ) , meninas armarizadas mesmo sem aqueles olhos azuis ficam nesse grau de desespero …. Um horror . Juro que shipoei a mulher do crepúsculo com a Rilley …. Sim tô indo stalker a vida da atriz .

    Vlw JAC. Pelas resenhas
    Bjooo

    1. -Ai sim, a personagem da Marjorie é uma babaca, mas a pegação…! Valeu minha banda de internet hahahahah

      -Acabei nem comentando do cabelo da Kristen, mas nossa. Acho que só tá descolorido e com certeza mal hidratado. Puxa, dinheiro não falta para cuidar bem.

  2. Concordo, também esperava um filme leve e fofinho, que assisti é um besteirol natalino, salvo algumas falas sobre aceitação e pertencimento e só.

    1. Ai, pra mim até as falas de aceitação e pertencimento saíram ruins. Especialmente por serem usadas para passar pano pros abusos da Harper.

  3. É estranho concordar com tudo que você escreveu, mas, mesmo assim, ter gostado de Happiest Season? Deve ser a carência de não ter muitos filmes lésbicos hahahaha

    Beijos, Jac, adoro seu blog, escreva mais!!!

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